Roteiro fraco e sem brilho da direção
O
filme dessa semana reúne um grupo de peso nas principais funções, estrelado por
Nicolas Cage (Caça as Bruxas) e
Nicole Kidman (Austrália) e ainda
tendo Joel Schumacher (Numero
23) na direção, pode dar de cara uma boa impressão. Mas como eu já disse
aqui mais de uma vez, elenco não resolve o filme. E quando saiu o trailer desse
filme, teve uma postagem aqui comentando o que era
esperado para o filme. E me parece que “Eu avisei” não é suficiente para
descrever, já que nosso querido Zé disse que se não fosse bem trabalhado
poderia ser um completo desperdício de mão de obra e é exatamente isso que
acontece em Reféns.
O filme conta a história de uma família rica,
onde Kyle Miller (Cage) é um
negociador de artigos valiosos e que vive em uma bela casa cheia de luxo e
conforto, mas que tem sua vida completamente bagunçada quando bandidos invadem
sua casa e fazem sua família refém para conseguir o dinheiro e os diamantes que
supostamente guarda em seu cofre. Mas a família percebe que a única forma de
sobreviver pode ser não dar tudo que eles querem sem lutar.
Um tema, de certa forma, já bastante batido, mas
que de início achei que poderia receber uma roupagem nova na mão de um diretor
como Schumacher que apesar dos erros já teve alguns acertos, mas para meu
engano e infelicidade da produção o diretor não esteve nem perto de seus
melhores momentos. A história tem a mesma cara que qualquer outro filme desse
tipo, cheio de clichês e cenas mal resolvidas, onde fica claro que as coisas
acontecem para se adaptarem da melhor forma possível para o roteiro fluir na
direção que é preciso e para isso a lógica é totalmente deixada em segundo
plano.
O argumento da história fica em torno da situação
onde os próprios bandidos, de certa forma, tem seus problemas pessoais e assim
também às vezes ficam perdidos e não sabem como lidar com a situação e isso dá
a Kyle que é um negociador por natureza e sua família, representada por sua
mulher Sarah (Kidman) e sua filha Avery (Liana Liberato – O
Último Espirito), a chance de se defender e tentar sair com vida. Isso da
ao diretor a possibilidade de no meio de toda confusão e tensão que envolve um
sequestro colocar pequenas doses de humor, como a tirada com a substituição dos
remédios para psicose de um dos ladrões por Tic Tac, mas fora isso o clima de
tensão é mantido durante todo o filme, sendo que isso não acontece de forma
natural como deveria ser e em muitos momentos nota-se uma forçada para manter
esse clima, seja por discussões com ânimos nas alturas ( o que é normal dada a
situação), pelos gritos e choros constantes que chegam uma hora que irritam
(inclusive um dos personagens diz isso), ou ainda por situações onde claramente
poderia ser possível uma fuga de um dos reféns mas que são recapturados das
formas mas descaradas e sem motivos possíveis.
O elenco em si, mesmo com bons nomes não tem nenhuma apresentação que
chame mais atenção, exceto pelo bandido meio doido feito por Cam Gigandet (Padre) que com sua psicose acaba
conseguindo ter alguns poucos bons momentos, pelo visto é preciso estar doido
para aparecer nesse filme.
Com tudo isso, chega uma hora que deixa de passar
credibilidade e o espectador (pelo menos eu) fica desinteressado na história,
já que fica claro que o objetivo não é se preocupar com isso e sim com o jogo
psicológico que acontece entre os participantes da trama. E ainda existe uma
tentativa de inversões de papeis para tentar deixar o espectador na dúvida
sobre quem é mais culpado na história pelo que está acontecendo, mas que
fracassa, já que a forma como é feito deixa tudo muito claro antes mesmo de
acontecer, depois disso tudo, fecha com um final com um desfecho exagerado e
que tenta mostrar a superioridade do valor familiar sobre o valor material, mas
que fica muito vago e despretensioso.
Enfim, não me agradou de forma geral, poderia ter saído algo bem melhor,
mas como eu também já havia dito Cage e Schumacher às vezes tem
momentos de apagões no brilho de suas carreiras e esse foi mais um deles.
Feito com Efeito: Esse é um filme sem muito efeito, e olha que nem
é só dos visuais que eu estou falando, não tem efeito nenhum sobre o espectador
também, mas me atendo na função dessa sessão os efeitos visuais estão bem pouco
presente e no momento em que aparecem não são bem feitos, ficam meio falsos e
mesmo que hajam em conjunto com efeitos especiais (efeitos de origem mecânica
que são gerados fisicamente e não por computador) ainda sim dá pra ver
claramente o que foi feito digitalmente. Não vou entrar exatamente no que é o
efeito como eu geralmente faço porque onde o efeito se destaca é numa das cenas
finais onde as coisas estão se resolvendo e mantendo a campanha “Spoiler não”
vou deixar que vejam, mas para saberem do que eu estou falando pelo menos
quando verem o filme é uma cena que envolve efeitos pirocinético (fogo, para
quem não sabe o que significa).
Zé:
Então...eeeeh...bem......acho que vou ali tomar um café e já volto, depois
falamos sobre isso......não?!? Preciso fazer minha parte né? Certo... acho que
ainda não tinha passado por uma situação dessa aqui, eu bem que tinha comentado
no post do trailer que isso podia acontecer. Mas até achei que poderia sair
alguma coisa melhor, mas o tiro do Joel saiu mais uma vez pela culatra. Bem o
que posso dizer, de positivo acho só alguns (ainda sim poucos) momentos da
interpretação de Cage, mas que com o que tinha nas mãos ficou difícil fazer
alguma coisa interessante. E me parece que a questão do filme não são problemas
técnicos ou de falta de recurso, os problemas estão no fraquíssimo roteiro e
que contava com o diretor para levantá-lo, mas pelo visto não deu jeito. Bem
vou tomar meu café agora....
Ed: Tá certo que
geralmente eu prefiro quando o trabalho é fácil, mas esse abusou. Chegou a ser
difícil assistir até o final. Na verdade logo no início quando os bandidos
entram na casa dele, a forma como conseguem entrar em uma casa com câmeras e
alarmes sem o menor problema, apenas com um papo furado chega a ser deplorável,
quase me levanto e vou embora, mas aí minha parte aqui hoje seria “me cansou e
fui embora”, acho que o chefe não ia gostar muito =P
A partir daí já esperava tudo, se
começou assim a tendência era piorar e como de costume eu não estava errado. As
coisas vão se acumulando e cada vez se tronando mais previsíveis e as famosas
forçadinhas para manter as coisas na linha, são quase um empurrão, como na
parte em que a filha foge finalmente e tinha tudo para sair e pedir ajuda, mas
como isso estragaria a história ela para de correr no jardim porque misteriosamente
o despertador do relógio dela (que estava dentro da bolsa, eu não sei por que)
começa a tocar e ela NÃO CONSEGUE apertar um simples botão e desligar o raio do
relógio. Ahh faça-me o favor né? É ou não é abusar da boa vontade do
público...depois dizem que eu sou mal humorado, esse pessoal é que abusa do meu
humor!!!
Entre um clichê aqui e uma cena previsível ali,
ainda dá pra destacar Nicolas Cage em uma cena onde luta (com uma das mãos
quebradas) com um cara o dobro do seu tamanho e os bandidos que mais parecem
uma mistura dos Três Patetas com Os Trapalhões e que por estarem invadindo a
casa de alguém para Equeceram de mim
faltou pouco, e que tiram mascaras no meio do sequestro sem motivo nenhum e na
companhia de uma mulher completamente desequilibrada que só faz atrapalhar
desde o início e que tem sua presença justificada fragilmente por ser namorada
de um dos bandidos mas que poderia facilmente ter ficado em casa lavando roupa
ao invés de ir a um sequestro.
É o tipo de filme que acha que pode fazer o simples e
criar tensão da forma mais forçada possível e que vai entreter mesmo assim,
devo avisar que não deu certo, e o senhor Joel Schumacher deveria acreditar
mais no potencial do publico inteligente e voltar à linha de filmes como Numero 23 e Por Um Fio porque esse sim é o tipo de filme que dá trabalho mas
pelo menos é um trabalho interessante.