quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Crítica da Semana - As Aventuras de Tintim



Aventura no melhor estilo desenho animado
  
  Essa semana nossa critica está de volta ao mundo da animação em 3D e novamente para falar de um filme baseado em um desenho animado. E ele já vem cheio de boas indicações, já que venceu o Golden Globe Awards (Globo de ouro) de melhor animação e é forte candidato ao Oscar na mesma categoria. Além disso, tem ninguém menos na direção do que Steven Spielberg (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal) e sim nós estamos por coincidência fazendo dois filmes dirigidos por ele quase seguidos, já que há duas semanas falamos sobre Cavalo de Guerra, mas esse tem a diferença de ser a primeira animação dirigida por ele em sua carreira. Se tudo já não fosse suficiente, ainda tem na produção Peter Jackson (Distrito 9), a mente brilhante por trás da trilogia O Senhor dos Anéis. Com tudo isso o filme da semana não podia estrear de maneira mais promissora e por isso As Aventuras de Tintim é a nossa crítica de hoje.
  
  A primeira coisa que é bem clara, foi uma preocupação para fazer o filme manter a essência do desenho animado criado em 1929 por Hergé. E isso é visto não somente na forma como a história é conduzida, com as piadas e cenas engraçadas clássicas dos desenhos, mas também em referências/homenagens logo no início do filme, como uma comparação bem engraçada, do Tintim 3D e sua forma nos desenhos animados, a abertura do filme que é toda em forma de desenho como era na TV e ainda, quando uma pessoa em determinado momento leva um pancada na cabeça aparecem passarinhos à sua volta. Tudo isso comprova o que foi dito pelo diretor, quanto a ele sempre ter sido fã das histórias animadas e quadrinhos desse personagem e por isso resolveu fazer essa nova versão, que certamente foi uma ótima maneira de homenagear o clássico dos quadrinhos e da TV.
  
  A história conta uma das aventuras do garoto Tintim que é jornalista, mas tem um desejo incrível por mistérios e aventuras, e com isso suas histórias acabam virando grandes desafios que terminaram em grandes feitos, o que fez com que ele ficasse conhecido na cidade, junto com seu fiel companheiro, seu cachorro Milu. Nesse caso ele entra de cabeça em descobrir os mistérios que circulam o antigo naufrágio de um navio famoso chamado Licorn (Unicorn no inglês, eu não entendi essa tradução também), sendo que pessoas perigosas também estão atrás desses segredos, mas no caminho ele conhece o Capitão Haddock que será uma importante ajuda para chegar ao fim dessa história e que tem também dois personagens responsáveis por levar humor a onde forem, os dois agentes da Interpol que são quase uma mistura de O Gordo e o Magro com Os Três Patetas (sendo que nesse caso são só dois). Um estilo de história que lembra outros filmes já feitos pelo diretor.
  
  Apesar da cara de desenho, e de manter essa essência, o filme mostra que tem muito mais por trás disso e que Spielberg deu uma nova roupagem ao personagem e mostra que é possível fazer um desenho com bastante aventura, mas que tenha atrativos para agradar a todos os públicos. Com um 3D bastante realista as cenas ganham um visual que prende o espectador com belos cenários e visuais que recebem um ressalte com a tecnologia de projeção tridimensional. O que, diga-se de passagem, é muito bem utilizado o filme todo, lembrando que usar bem o 3D (e nesse caso me refiro à projeção 3D) não é ter coisas voando da tela a cada 2 minutos com já disse aqui em outras críticas e sim saber utilizar o espaço de cena em três dimensões, usando bem a profundidade dado pela tecnologia, valorizando os cenários e fazendo cenas que se destaquem a partir da proximidade que o espectador tem do filme. Um bom exemplo é a cena da bebida flutuante dentro do avião, onde um espaço, normalmente reduzido como uma cabine de avião é muito bem utilizado para ter como resultado uma cena ao mesmo tempo engraçada, com ação e visualmente chamativa. E esse, para citar apenas um, porque são vários os momentos em que a cena é bem montada e os ângulos de câmera são muito bem escolhidos para ficar em harmonia com a tecnologia que muitas vezes é supervalorizada e mal utilizada em outros filmes.
  
  Considero um trabalho bem feito, bem planejado e bem executado dá pra entender porque foi escolhida a melhor animação no Globo de ouro e é um dos mais fortes candidatos ao Oscar de animação também. Um trabalho onde nota-se duas grandes mentes do cinema trabalhando juntas. E que souberam dosar cada necessidade do filme, com momentos bem ingênuos e banais para as crianças que certamente são publico do filme, mas também tendo cenas de mais impacto, com perseguições, tiroteios, brigas, revanches, intrigas que conseguem tirar um pouco essa infantilidade presente nas animações, tendo inclusive uma coisa que chama para esse tipo de filme, uma cena de assassinato que envolve sangue (é muito pouco comum um desenho mostrar sangue, por causa do público infantil) e até um luta de guindastes em uma cena pouco usual e que chama atenção pela forma com é feita.
  
  A trilha fecha o pacote e embala a história, com músicas típicas de desenhos animados que estão ligadas a essência da história e é conduzida por John Williams que é responsável por trilhas que já entraram pra história como Indiana Jones (também, ao lado de Spielberg), Guerra nas Estrelas e Harry Potter e a Pedra Filosofal. Um filme que tem todos os ingredientes de um grande sucesso e que até agora vem agradando os críticos e essa junção de Steven Spielberg e Peter Jackson serviu em grande parte para mostrar que é possível sim fazer um filme que tenha origem em uma temática infantil ser bom e agradar de várias formas diferentes, além de ser uma ótima história de detetive.
   
  Feito com Efeito: Filme de animação, prato cheio com sempre para essa parte da crítica, então sem mais perda de tempo vamos aos destaques.
  
  Pra começar vale ressaltar que o trabalho de modelagem 3D do filme é muito bom no aspecto geral e os personagens são muito bem feitos com bastante realismo e o Milu, cachorro do Tintim é um dos destaques. Já o realismo da animação dos personagens é um trabalho feito com a técnica de captura de movimentos, utilizada em filmes como A Lenda de Beowulf e O Expresso Polar, onde os atores encenam com sensores no corpo e seus movimentos são reproduzidos nos personagens.
  
  Mas fora isso tem duas coisas que realmente gostei. Os cenários, principalmente o castelo do Rei de Bagghar, no Marrocos que é de longe o cenário mais bonito do filme. E a outra são as passagens de cena que acontecem em vários momentos, e se utilizam de elementos de uma cena se em de outra. Com destaque super especial, porque achei a melhor cena de efeitos do filme, na passagem do deserto para o mar, onde as montanhas formadas pelas dunas de areia do deserto se transformam diante dos olhos em ondas no mar aberto, enquanto um navio as atravessa.
  
  Outra cena que é simples e bem menos majestosa que a anterior, mas que achei legal também e já falei um pouco na parte anterior, é a do líquido flutuando no avião, uma cena engraçada e que os efeitos ficaram muito legais, principalmente na projeção 3D onde dá pra ver perfeitamente o líquido flutuando e depois sendo sugado pelos personagens!!!
  
  É vou parando por aqui porque se me deixar, faço a crítica ficar enorme falando dos muitos efeitos que o filme tem, o resto vou deixar pra vocês verem no cinema...
  
: E mantendo o embalo dos bons filmes (não vou nem falar muito se não estraga) mais um, do Steve que vai entrar para galeria de sucessos e esse já estreou o ano e chegou ao Brasil com premiação na bagagem. Um filme, como já foi dito, que ganhou o Globo de Ouro e está bem perto de entrar para família e conhecer a dinastia dos Oscars mais de perto, dispensaria qualquer tipo de comentário, mas vou fazer meu trabalho (que emprego não tá mole pra ninguém) e trazer alguns dos destaques pra vcs.
  
  O que faz um filme infantil não ficar bobo demais?? Muitas coisas podem ser feitas, mas a melhor resposta é inteligência. E aqui a variação na intensidade das cenas é o que faz muito bem esse trabalho. Por Exemplo, uma cena que começa boba, ganha intensidade no meio, e termina com uma piada, ou uma cena cheia de viradas de câmeras para dar impacto a uma luta ou uma perseguição, é permeada aqui e ali com uma situação engraçada. Essa variação de intensidade norteia o filme em sua maior parte e isso faz merece destaque pelo trabalho feito na direção de Spielberg, e provavelmente também Peter Jackson, que são as mentes criativas por trás da história.
  
  Ainda sim meu destaque não vai pra esse ponto específico da direção e sim para a capacidade de criar ótimas cenas que conseguem utilizar os diversos recursos ter momentos de filmes de gente grande em um desenho. E uso como exemplos duas cenas que me chamaram bastante atenção, a luta de espadas no navio que usa ótimos ângulos de câmera para mostrar cada momento da batalha e também tem o detalhe da pólvora que vai sendo acesa e apagada a cada momento, uma cena cheia de detalhes onde a projeção 3D, bem utilizada dá a cena um toque todo especial e tem um resultado ótimo.
  
  E a outra é a perseguição aos pedaços de papel que são importantes para desvendar o caso, em uma corrida alucinante pelas ruas da fictícia cidade de Bagghar, onde os detalhes do cenário são explorados com perfeição, a perseguição acontece em ritmo alucinante, o 3D faz parte da cena como um personagem e ainda cabe espaço na cena até para uma piada com o racionamento de água que acontece em alguns países, inclusive o Marrocos, local onde supostamente fica a cidade de Bagghar.
  
  É um filme com muitos bons momentos e que tem uma marca registrada de Steven, ação, aventura e surpresas do início ao final, o filme praticamente não para momento nenhum e quando vc perceber, já acabou e vc já está aguardando pelo próximo.
  
Ed: É...Então, assim......complicou!!! Mas que idéia de jerico foi essa de deixar um desenho cheio de possibilidades para explorar, praticamente com um mundo de aventuras e histórias de investigação nas mãos do Spielberg e do Peter Jackson ao mesmo tempo?!?! Tão querendo acabar comigo é??? Ai ai, esses caras não já não costumam deixar muitas falhas para explorar e ainda juntos e com uma história que ambos são assumidamente fãs...desafio e tanto pra achar problemas aqui.
  
  O Primeiro problema logo que existe (e que fique claro que eu sei que não é um problema específico do filme) é que as bilheterias americanas praticamente ignoraram a presença do filme, a maior parte esmagadora da renda obtida até agora vem dos cinemas no exterior e essa falta de sucesso nas bilheterias americanas pode complicar uma segunda história de vir para as telonas.
  
  Outra coisa que pode ser um problema é que como apesar de fugir disso no decorrer do filme, originalmente passa por uma temática infantil, a história é bastante frenética se formos pensar nesse tipo de público, as crianças podem se sentir um pouco incomodadas com toda a correria que acontece praticamente o tempo todo, não existem zonas de respiro no ritmo da história. Outra coisa que pode prejudicar é a história ser toda na resolução de uma investigação que tem momentos que podem dificultar o entendimento infantil. Tá bom, não é um filme de crianças, é uma aventura infanto-juvenil, mas não deixa de ser um elemento problemático, ok?!
  

  E pra fechar, vou levantar uma hipótese, como o “cabeça de estatueta” falou aqui anteriormente, esse é um dos favoritos ao prêmio da Academia, até porque levou o Globo de Ouro, mas será que essa falta de sucesso, nas bilheterias americanas pode atrapalhar dele levar esse prêmio? E vale lembrar que a Academia segue uma tendência mais americanizada enquanto o Globo de Ouro é eleito pela imprensa internacional dos EUA, ou seja, locais onde o filme é bem mais popular que na terra do Tio Sam. E com isso, encerro...e tenho dito!!!

  


Um comentário:

  1. excelente critica em todos os resenhista ... parabens, destaque a critica do hiro sobre os efeitos me estimulou a assistir o filme ja que 3D bem utilizados em sonhos e fantasia e um deleite para os olhos e mente.

    HENRY JR

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