quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Critica da Semana -- Cavalo de Guerra


  
  Uma guerra tem vários pontos de vista
  
  Mais um ano se inicia e com ele voltam as críticas da semana e o que melhor para se comentar na primeira crítica do ano do que um filme dirigido por um dos grandes diretores da atualidade Steven Spielberg (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal). Ele está de volta e em suas palavras, em seu primeiro filme verdadeiramente Britânico. E é sobre essa história de amizade em meio a primeira guerra mundial que falaremos hoje, Cavalo de Guerra é o nosso filme de hoje.


  Baseado no livro de Michael Morpugo (1982), o filme conta a história de Albert, vivido pelo estreante nos cinemas Jeremy Irvine, que quando seu pai, veterano de guerra e com problemas com a bebida, arremata em um leilão um cavalo puro sangue ao invés do cavalo de arado que a fazenda precisava, cria um vinculo de amizade com o novo animal da família que ele dá o nome de Joey e ensina o cavalo tudo que ele precisa saber para se tornar um grande cavalo de montaria e ter a resistência necessária para encarar as dificuldades. Mas o caminho dos dois se separa quando estoura a 1ª Guerra Mundial e Joey é comprado por um oficial (muito bem interpretado por Tom Hiddleston - Thor)  para ser sua montaria em batalha, após perceber que seu amigo pode estar correndo perigo no front Albert se alista e parte para a guerra para tentar reencontrar seu cavalo e trazê-lo com vida pra casa.
  
  O primeiro desafio encarado por Spielberg foi dirigir o cavalo, segundo o diretor declarou em uma entrevista, foi a primeira vez que ele não podia simplesmente chegar para um ator e dizer o que ele queria do personagem naquela cena, já que a estrela no máximo relincharia em resposta. Porém no decorrer do filme nota-se que o trabalho foi bem feito, por ele e pelos diretores de cavalos Bobby Lovgren (Cowboys & Aliens) e Dan Naprous (Centurião), já que em muitos momentos o cavalo é o personagem principal da cena e consegue passar toda compreensão e sentimento necessário para o publico entender e participar do que está acontecendo e passando na cabeça dos animais. E é claro que eu acho que de alguma forma eles, os cavalos, entendem um pouco o que está havendo alí e se comportam às vezes de forma inesperada, mas correta e acabam contribuindo para a naturalidade cena.
  
  As cenas carregadas de emoções pelos closes, detalhes na paisagem e musica são permeada aqui e ali por momentos de alegrias para suavizar a situação, consegue com perfeição variar rapidamente (praticamente de uma cena pra outra) da emoção ao nervosismo passando pelo humor no meio do caminho e com isso não ganha aquele tom de dramalhão que faz todo possível e impossível para tocar o espectador, vc se sensibiliza naturalmente conforme as coisas vão acontecendo e consegue até se divertir em muitos momentos.
  
  A narrativa nada linear da história não tem os acontecimentos da guerra como foco e sim o ponto de vista de Joey da situação, não se utilizando de uma filmagem no ponto de vista do animal (na verdade isso não acontece em momento nenhum), mas sim mostrando os caminhos que o cavalo acaba trilhando para poder se manter vivo e tentar voltar a ver seu dono. E por conta dessa narrativa, até o final da história praticamente, são introduzidos novos personagens que de alguma forma influenciam na jornada de Joey e Albert.
  
  O estilo do filme cheio de simbolismos e cenas marcantes é mantido o tempo todo, talvez até por ser uma característica do diretor. Pequenos detalhes como a flâmula do tempo de guerra de seu pai que o menino coloca no cavalo em sua partida e que acompanha a história de diferentes formas como se fosse um amuleto, ou ainda a repetição por diferentes personagens da frase “look at you” (olhe só pra vc – na tradução livre), quando o cavalo consegue fazer alguma coisa que surpreende e o retorno quase no final a um leilão de cavalos onde tudo começou, são sutilezas que vão demonstrando o cuidado na montagem do filme.
  
  Steven Spielberg é um diretor que dispensa elogios, mas nesse ele deixa claro a sua capacidade de atingir seus objetivos da maneira que for preciso e como esse o foco do filme são cavalos esse se utiliza disso em cenas espetaculares como no ataque da cavalaria inglesa aos alemães que tem um jogo de cenas lindo com os soldados vindo em seus cavalos e depois os animais passando vazios pelas metralhadoras ou em outra cena com uma carga forte de emoção onde tem apenas dois cavalos em cena e demostra também sua capacidade de manipular as emoções do público de forma a controla-las para passar em cada situação o sentimento que ele deseja.
  
  Esse é uma história que consegue tratar de muitos aspectos, mas principalmente mostras vários diferentes lados de uma mesma guerra e como ela pode afetar muitas pessoas de formas diferentes e coloca Joey como uma espécie de intervenção no meio disso tudo e ele consegue mexer com o sentimento de muitos e de diferentes maneiras, a ponto de fazer dois soldados inimigos deixarem as diferenças de lado por alguns momentos e se unirem em função dele e consegue contar uma história de amizade, carinho e esperança em meio a um cenário de tiros, devastação e morte. Um filme que certamente atinge seus objetivos.
  
  Feito com Efeito: Apesar de ser um filme em que efeitos ficam em segundo plano e não são feitos para chamar atenção, alguns momentos podem ser destacados, onde é possível ver o trabalho do pessoal dos efeitos visuais. Algumas paisagens certamente receberam tratamentos digitais para ficarem mais interessantes para a situação, os lugares que foram filmados já são belíssimos mas uma ajeitadinho no computador sempre rola. Principalmente naquele por do sol na cena final (que eu não vou falar muito mais que isso).
  
  Outro pequeno detalhe durante o filme que usou computação e eu achei que ficou muito bom é a inserção do reflexo no olho do cavalo quando quer dar a ideia de que ele está vendo alguém, reflexos nos olhos não ficam nítidos daquele jeito, foram inseridos digitalmente, mas ficaram bem convincentes.
  
  E para fechar essa parte da crítica de hoje, um aspecto interessante que tem a ver com efeitos e direção de arte. A maioria dos cenários onde o filme foi gravado são naturais, ou seja, não houve uma transformação pela equipe de arte para parecer outra coisa. Mas um que não foi assim e que ficou ótimo é o local chamado no original de No Man’s Land, onde o cavalo fica preso nos arames farpados. Aquele cenário foi construído a partir de um aeroporto abandonado e graças ao trabalho da equipe de direção de arte em conjunto com os efeitos visuais se tornou aquele lugar abandonado no meio de duas trincheiras adversárias na guerra. Legal né?!?! =D Com isso fecho por hoje...
  
: Ahhh retorno de férias, nada melhor do que essa sensação de preguiça de trabalhar né?!? (Brincadeira chefe...) Mas não poderia ser mais tranquilo meu retorno, já que com Steven Spielberg minhas opções de destaque no filme foram várias!!!  Meu amigo de mãos pesadas é que não deve ter tido um bom retorno, maaaaas... vamos ao destaque.

Como eu falei tem bastante coisa boa e uma delas certamente é a direção do Steven, mas acho que dar destaque a ele é redundante e se pensarmos nos grandes filmes que ele já fez, como ET ou Jurassic Park dentre muito outros que marcaram a história do cinema, esse não chega a entrar para os melhores de sua galeria.
  
  Então para ser mais justo meu destaque de hoje vai para Janusz Kaminski e sua maravilhosa fotografia que a cada nova cena do filme e até a ultima literalmente, mostra lindas paisagens e cenários que as vezes fazem a gente nem prestar atenção nos atores e ficar olhando a beleza do lugar, o trabalho com sobras e silhuetas também ganha um destaque especial, assim como os closes nos momentos de tensão ou emoção. Uma fotografia de respeito que consegue se destacar bastante em um filme que tem muitas outras qualidades, um trabalho nada fácil que merece meu primeiro destaque do ano e certamente vai garantir pelo menos algumas indicações a prêmios esse ano, assim como o filme. Alguns podem achar que exagera em alguns pontos...mas eu gostei bastante. Bem vou ficando por aqui, e o ano tá só começando, ainda nos veremos muito por aqui, então até mais!!
  
Ed: É...depois desse lance chato de festa de fim de ano só o que me faltava era um filme do Spielberg para completar!!! Esse coroa tem um histórico de complicar minha vida. Minha esperança era tendo um cavalo como ator, ele tivesse que apelar para uma coisa mais dramática e acabasse caindo em um dramalhão, mas acho que ele também pensou nisso e não deixou acontecer, chega a beirar em alguns momentos, fica faltando um pouquinho, mas apesar do claro esforço para fazer o público se emocionar, seja com uma cena de tensão ou uma piada, ele consegue quebrar o climão e recuperar o folego!!! ¬¬

  
  Tem umas pequenas forçadinhas aqui ou alí, mas não vou nem ficar entrando nisso porque pelo tom lúdico da história, essas ficam disfarçadas pelo clima e estilo do filme. Algumas referencias à clássicos do cinema ficam um pouco forçadas demais e em alguns momentos parece que acontece uma didática excessiva, como se os diálogos explicassem as cenas, ao estilo dos desenhos Disney (o que não é de se estranhar, já que é uma produção DreamWorks/Disney).
  
  E para encerrar, no meio de grandes atores e como David Thewlis (Harry Potter e as Relíquias da Morte), Emily Watson (Almas à Venda) e Tom Hiddleston, o praticamente estreante Jeremy Irvine não tem a força suficiente para um protagonista e em alguns momentos a atuação fica forçada ou inexpressiva demais. Ufa...é isso, até que pra um filme do Spielberg tirei bastante coisa!!! Fui...
  
Ficha técnica do filme

4 comentários:

  1. sou fã desse tal de Ed. ahehehe
    depois de muito tempo querendo escrever, tive coragem! e em dobro!
    rs... explico
    Quis ler a crítica antes de ver o filme e meu amigo Hiro sabe que não curto isso.
    Mas fiquei com vontade de ver o filme hoje!
    grande abraço e boa crítica.
    Ralse

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    1. Esse Ed não tem jeito...hauhauahau, que bom que te incentivei a ver o filme, vale a pena!!! E pode ler a crítica antes que não tem Spoiler ;) Depois diz o que vc achou!!!

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  2. Entendido o recado do filme c tudo det certo serei escolhido, assim morrerei e apos ...
    Este EB col certeza eh um cara iluminado, atinge todo publico em seus filmes quais sao impressionante arquitetando este filme, e seus efeitos " escondidos" sao para quem possa enchegar. CheGa. Ja falei ate de MAS.

    Acho que entendi o q acha?

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    1. Olha...não sei se entendi bem o que vc quis dizer, mas com certeza Spielberg consegue atingir bem seu público e sabe como colocar pequenos detalhes "escondidos" para quem sabe ver.
      Se foi isso mesmo que vc quis dizer, acho que vc pegou bem a essência do filme...

      E aí entendi?? O que achou??

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