quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Crítica da Semana Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres



Remake de qualidade
  
  David Fincher (A Rede Social) é um diretor com um cartel que dispensa apresentações com filmes como Seven – Os Sete Pecados Capitais, Clube da Luta e Zodíaco. E quando um diretor desses resolve gravar uma Remake (regravação de outro filme) é porque acredita no potencial do filme de ser bom e talvez até melhor que o original. Nesse caso, não é diferente e ao fazer esta refilmagem de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, filme sueco baseado no best-seller internacional de Stieg Larsson, acertou a mão e pode ter iniciado mais uma franquia de sucesso nos Estados Unidos já que o original é uma trilogia seguindo a receita do livro. E Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres chega ao Brasil já com 5 indicações ao Oscar. Esse é nosso filme da semana.

  A história que é uma mistura de drama com policial e seguindo o estilo de David Fincher recheado de violência e cenas forte por todos os lados. Conta a história de Mikael Blomkvist, vivido neste por Daniel Craig (Cowboys & Aliens), que é um jornalista que trabalha na revista Millennium e é conhecido por suas matérias investigativas, mas que vê sua carreira entrar em declive depois de publicar uma matéria acusando um empresário de lavagem de dinheiro com informações que foram provadas serem falsas. Com sua credibilidade abalada e sem muitas opções ele recebe uma oferta de um milionário aposentado para escrever suas memórias, quando na verdade o que o velho deseja é que ele use seus dons investigativos para investigar a morte de sua sobrinha, Harriet Vanger que aconteceu muitos anos atrás, mas ainda se encontra sem solução. Com isso Mikael pode ganhar de volta sua carreira e muito mais.
  
  Com um ar soturno presente a cada momento que é potencializado pelo frio e desértico cenário da ilha ao norte da Suécia onde se passa e com um ritmo frenético, onde logo de inicio temos vários personagens sendo apresentados, que são os membros da família Venger, e que te deixa com a sensação de não estar entendendo absolutamente nada, o que é normal dado que o próprio personagem principal se mostra confuso também, o filme consegue prender a atenção por praticamente toda as duas horas e quarenta que tem de duração, pois a sensação de que piscar vai fazer vc perder algo e não entender a história está presente a cada segundo. Exceto quando o diretor cria zonas de respiro nas cenas para podermos dar uma assentada nos pensamentos e acompanharmos o que acontece na investigação onde cada um é suspeito.

  
  A fala dos personagens está cheia de explicações, principalmente sobre os membros da família, que por serem muitos, são a parte mais difícil de entender. A sensação que vc não faz ideia direito de quem é quem pelos nomes, não vai ser apenas uma sensação e por saber disso o experiente diretor se utiliza da repetição dos nomes e principalmente da montagem de cena com closes nos nomes e anotações do jornalista, para fazer com que quando chegar a hora de precisarmos compreender a situação geral estarmos familiarizados ao menos com quem devemos estar.

  

  Mas esse sentimento de confusão é bom, porque condiz com o sentimento geral do filme de que alguma coisa está muito errada, mas ninguém sabe bem o que. E permeado com as cenas fortes e chocantes que incluem violência sexual e até um gato despedaçado (calma gente, sem campanha no facebook, é de mentirinha ok?) esse clima de estranheza geral é o que norteia o filme.
  
  Os atores principais, Daniel Craig e Rooney Mara (A Rede Social) são o foco da história praticamente o tempo todo, variando sempre de um para o outro, até que o caminho dos dois se cruze. Craig faz bem a parte dele e mantém esse estilo do galã charmosos e inteligente que serve bem para o propósito, sem exagerar, ao contrário do que muitos temiam, na sensualidade e mantendo o estilo despojado e meio desleixado que o personagem pede, como a barba sempre por fazer e os óculos que nuca estão aonde deveriam estar. Já Mara é o que chama atenção por sua entrega ao personagem e imponência em cena. Além deles, Christopher Plummer (Padre) como o empresário Henrik Vanger e Stellan Skarsgard (Melancolia) como Martin Vanger completam o elenco como os dois maiores magnatas da família Vanger e que vão disponibilizar todos os recursos para o caso ser resolvido, Plummer já fez vários papéis desse tipo, então se sente em casa e Skarsgard está bem em mais uma atuação que convence por sua autenticidade.
  
  Para quem viu o original, a estrutura geral da história está mantida, mas ele deu algumas requintadas aqui e ali, tirou bastante o ar artístico que tem a primeira versão para fazer um filme muito mais intenso e visceral, além de eliminar alguns traços familiares e pessoais que suavizam os personagens, deixando todos com uma cara mais crua, onde fica claro que ele sabe bem como mostrar o lado frio das pessoas da melhor forma possível. Além de deixar o lado investigativo da história mais interessante de se ver, assim como o desfecho da investigação.
  
  Fincher conseguiu fazer um filme que já tinha muitas qualidades ganhar outras a mais e conseguiu colocar ingredientes como um humor sutil e sombrio que está presente por todo o filme e ainda coloca em meio a todo clima de agitação, um desfecho que termina com o mesmo ritmo frenético que começou, conseguindo mostrar uma ultima cartada em poucos minutos para dar a última virada da história e colocar muito de seu estilo na tela. E mostra que uma adaptação e/ou um remake pode sim, e deve ter a cara do diretor, podendo ser relida de formas bem diferentes.
  
  Feito com efeito: No geral não é uma produção que se utiliza muito de grandes cenas de efeitos visuais, na verdade durante a história o que existe são algumas poucas inserções em alguns momentos quando os personagens usam computadores e aparatos tecnológicos (o que acontece bastante por sinal e em muito mais evidencia que na versão sueca) . E também os efeitos ajudam na criação do ambiente mais denso que a história tem, ajudando a aumentar nevascas, deixar lugares mais escuros e etc.
  
  As lembranças do passado também têm um tratamento para ter aquele visual mais etéreo de coisas que ficaram para trás.  Outra técnica, que não é bem de efeitos (é de edição na verdade), mas é bastante usada é o “Fade to Black” (que é quando tem um rápido  momento de tela preta, entre uma cena e outra), técnica pouco utilizada atualmente e que cria um clima interessante para passar a tensão necessária em alguma cenas.
  
  Porém, na verdade o grande momento de efeitos do filme é a abertura, onde tudo praticamente é feito com elementos gráficos, onde um líquido preto se mistura com formas e vai criando na tela diversas imagens inclusive formato de corpos de mulheres, mãos e diversos tipos de passagens criando quase um balé virtual de formas, que lembra bastante o estilo de aberturas usado nos filmes do espião mais famoso do mundo, 007.
  
  Gostei bastante dos efeitos dessa parte e aliados a uma ótima versão de Trent Reznor (A Rede Social) e Karen O. para "Immigrant Song", do Led Zeppelin começa causando uma ótima impressão e preparando para o que mais podemos esperar do filme. A ótima trilha sonora se mantém no filme inteiro, ainda mais nos momentos de tensão e violência, o que lhe rendeu duas indicações para o Oscar desse ano por Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.
  
: Um filme interessante de modo geral e tendo sido a segunda vez que trazem este livro para as telas grandes, tem bastante coisa de qualidade e boas de ver, mesmo para que já havia visto o anterior. E por isso vale comentar a boa direção de David Fincher que não se deixou levar por um filme que já estava pronto e com um bom publico fora do país para relaxar e só mudar um pouquinho, isso não faz o tipo dele, pelo contrário, conseguiu dar o seu toque de uma forma geral na história.
  
  Mas no meu destaque principal de hoje vou ter que concorda com a visão da Academia (apesar de não costumar fazer muito isso). Escolher Rooney Mara para o papel de Lisbeth é o grande acerto do diretor que já havia trabalhado com a atriz em A Rede Social, ela conseguiu pegar uma personagem que já havia sido bem feita por Noomi Rapace (SherlockHolmes: O Jogo de Sombras) na 1ª versão e transformá-lo em algo bem mais intenso, mais sério e mais debochado exatamente o que pede o estilo de filme de Fincher. O que me parece é que o diretor conhecia exatamente o potencial dela e soube utilizar bem o que tinha nas mãos, para fazer uma personagem bem ao seu estilo. Suas expressões e ataques de raiva são ótimos, assim como sua constante variação de humor. Um grande trabalho de uma atriz com, relativamente, pouco tempo de carreira e que certamente vai lhe render bons frutos daqui pra frente, além da já bastante merecida indicação ao Academy Awards desse ano. Por isso esse é meu destaque de hoje.

  
  Vale lembrar que o filme concorre em 5 categorias ao Oscar, além da indicação de Mara e da duas de Reznor, já comentadas, ainda concorre por Melhor Fotografia, que realmente tem destaque principalmente mostrando o frio ambiente do norte sueco, e Melhor Edição.
  
Ed: Bem hoje estou um pouco sem paciência (não interessa o porquê), então vamos direto ao assunto. Não sei se a escolha de Daniel Craig para ao papel foi a melhor possível. Ele não chega a ser ruim (infelizmente), e o Fincher se esforça para não deixar que ele tenha traços que lembrem seu papel nos filmes de 007.
  
  Se esforça tanto, que a única arma que o personagem pega, na história inteira se não me engano, é uma faca de cozinha e que ele nem tem chance de usar. Mas mesmo assim, seu personagem Mikael está fazendo uma investigação e Bond é um espião que sempre está investigando algo, então inevitavelmente os trejeitos do ator, os olhares, a forma de pensar, o jeito de reagir quanto tem um insight, tudo isso inevitavelmente quando vemos na tela, nos lembra o velho Bond...James Bond.
  
  Outra coisa que pode ser questionado é a cena final (que como de costume não vai ter muito detalhes por aqui), mas que, apesar de como alguns podem dizer, ser “totalmente owwnnn” e que serve para humanizar Lisbeth um pouco, vai um pouco de encontro com a natureza da personagem que se apresenta no decorrer da história. Talvez tenha sido usado como uma forma de amenizar a personagens para uma possível continuação, já que ela é muito mais intensa e fria durante o restante do filme do que a de Noomi Rapace. Mas precisa pensar em como isso vai refletir na história, porque ainda não chegou a ser um problema, mas eu estou ligado nos possíveis furos que isso pode gerar, hein Sr. Fincher (se é que ele vai assumir os próximos, eu torço para que não, menos trabalho pra mim, mas enfim...)
  
  (Nota: Se ele vai assumir ou na eu não sei, mas a verdade é que se ele ou qualquer outro souber usar esse final, ele tem muito a melhorar para a personagem de Lisbeth e colocar Mara para concorrer a mais premiações, sacou marretão? - ) 

  
  


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