sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Crítica da Semana -- Os Descendentes



Novela de luxo
  
  O filme dessa semana tem sido comentando com bastante frequência desde que conquistou algumas premiações no Globo de ouro e por ter sido indicado também em 5 categorias no Oscar, incluindo a indicação de melhor ator para George Clooney (Amor Sem Escalas), categoria na qual ele foi vencedor no Globo de ouro. Dirigido por Alexander Payne (Paris, Te Amo), essa história que retrata os problemas vividos por uma família Havaiana, tem alguns pontos bons e outros mais ou menos. Hoje falaremos sobre, Os Descendentes.
  
  A história se utiliza desde o primeiro momento da contradição entre o belíssimo cenário das ilhas do Havaí em contraste com o triste momento que vive essa família completamente desmantelada pelas adversidades trazidas pelo destino. E essa contradição já fica clara no início com uma narração feita pelo personagem principal de Clooney onde ele coloca em destaque o fato de as pessoas acharem que só porque eles moram em uma ilha paradisíaca, eles vivem em férias constantes e surfando o tempo todo, mas que na verdade eles sofrem e tem problemas como todo mundo...e que na verdade ele não sobe em uma prancha de surf há alguns anos.
  
  Matt King (Clooney) é o patriarca de uma família que descende dos primeiros donos de terras nas ilhas havaianas (daí o nome do filme), mas que devido a seu trabalho de advogado e seus deveres como representante legal dos negócios da família inteira, acaba se afastando do lar. Quando sua mulher sofre um acidente de lancha e fica em coma, ele precisa reassumir as responsabilidades paternas e cuidar de suas duas filhas que passam por momentos complicados, cada uma em sua fase da vida. Mas o que eles não esperavam é que essa tragédia poderia acabar reunindo a família novamente.
  
  Esse clima mesclado de forte emoção e drama permeado com situações, de certa forma, cômicas em alguns momentos é o clima que norteia todo o filme. A expressão que algumas pessoas costumam usar: “Se não fosse trágico, seria cômico” define perfeitamente a situação apresentada nessa história, onde o principal foco é mostrar a relação familiar de diversas formas, seja entre pais e filhas, entre sogro e genro, entre os negócios familiares com os primos, ou ainda em um quadro de Alzheimer apresentado pela sogra do personagem principal e até um amigo intrometido da filha que vai se aproximando para ajudar, seja como for, alguns dos diversos problemas que podem existir em um ambiente familiar são explorados em uma sucessão de eventos que vão levar essas pessoas a recuperar os valores que se perderam com o tempo.
  
  Não chego a dizer que a história é ruim, já que tem bons momentos e consegue prender algumas cenas intensas que a todo o momento são suavizadas com alguma situação engraçada ou inusitada, sendo elas que dão mais ritmo e sustentam o filme até o final, mas eu diria que é raso e sem grandes surpresas, mostra o que se propõe desde a primeira cena e não se preocupa em ir além das mensagens e das lições de vida que pretende passar. Isso deixa em muitos momentos aquele clima de uma história que fica no básico para minimizar os erros, ou pelo menos que não teve a intenção de ousar ou ir além. Juntando todo esse vai e vem em turbilhão de drama e comédia é impossível não associar o modelo com uma história dessas de novelas que estamos acostumados a ver por aqui. Talvez de tanto importarem as novelas, Hollywood se deixou contagiar por elas.
  
  George Clooney é o centro da trama e todo o resto orbita ao seu redor, a indicação às premiações que teve e inclusive o que já ganhou é justo, seu trabalho de atuação está muito bom e convincente, consegue passar todo o drama vivido pelo personagem e, muitas vezes, consegue apenas com o olhar expressar o interior de seu personagem, passando para o público toda angustia e aflição, mas tendo também momentos engraçados sem precisar fazer esforço e consegue facilmente transformar uma cena triste em risos e fazer uma cena engraçada ficar tensa.
  
  A trilha sonora toda baseada em musicas características da região do Havaí, muito gostosa de ouvir, que tem um ritmo fluído próprio desse estilo musical e que lembra inclusive, o som das ondas do mar, faz vc se deixar levar por ela e esse som te conduz pelas cenas quase te hipnotizando e quando para de tocar da vontade de pedir pra voltar.
  
  Além disso, a fotografia é um ponto bem forte, bem utilizada com enquadramentos que valorizam o belo cenário e usa cenas com um personagem no primeiro plano e outro no segundo de forma a conseguir extrair o melhor das emoções dos atores, ambientar a cena e ainda valorizar cada diferente aspecto da paisagem. Os planos aéreos também são bem colocados, de uma forma geral sabe utilizar muito bem o potencial cenográfico que a geografia do país possibilita.
  
  De uma forma geral, é um filme mediano, que tem alguns bons aspectos técnicos e talentos individuas nas atuações, tendo em vista que além de Clooney as duas meninas, Shailene Woodley (conhecida pela série A Vida Secreta de uma Adolescente Americana) e a estreante Amara Miller, também desempenham bem seus papeis é agregam bastante ao resultado final. Vai agradar certo tipo de público, mas acho que ficou faltando algumas coisas para ser melhor. Talvez certa audácia para não cair no casual, como foi o caso.
  
  Feito com efeito: Bom pessoal, hoje essa parte da crítica vai ser bem curta, o filme é muito focado nas atuações e nas questões familiares, então os efeitos visuais praticamente não são utilizados. É claro que sempre no processo de produção de um filme existem efeitos, mas em alguns casos, como esse, são bem secundários (para não dizer terciários) e se limitam a pequenas correções, ajustes de cor e etc. Sendo assim não vou me estender e talvez na próxima semana tenhamos alguma coisa a mais para comentar por aqui. E só para não passar em branco, nos créditos finais tem uns pequenos videografismos com flores coloridas passando entre as letras. Talvez seja a única coisa pode ser comentada por aqui e nem é nada muito grandioso.
  
: Essa semana mais uma vez temos um filme que estará na cerimônia da Academia que acontece domingo dia 26 e como já foi dito, inclusive já recebeu algumas premiações, mas os principais destaques por aqui estão nos detalhes e não no todo. Sendo assim, acho que de cara o ponto forte é atuação de George Clooney e por isso vejo a indicação dele como justa, visto que é ele quem sustenta o filme do início ao fim, e é inclusive bem provável que ele leve a estatueta esse ano.

  Mas hoje não vou com o provável ganhador do Academy Award desse ano para o meu destaque, mais do que a atuação dele, a fotografia é algo que valoriza muito os detalhes do filme e dá inclusive força ao personagem central e intensidade em suas cenas. Por isso, esse trabalho desenvolvido por Phedon Papamichael (Tudo pelo Poder) ganha meu destaque e apesar de não terem sido indicados nessa categoria, acho que foi um grande trabalho que não recebeu o devido reconhecimento (talvez pela qualidade dos outros filmes que estão concorrendo que também são ótimos nesse quesito).
  
  E mais uma coisa para encerrar, apesar de ter uma história bastante comovente e ficar claro que é um trabalho bem feito, tanto da produção quanto do elenco, acho que não tem a grandiosidade necessária para ser um forte concorrente à melhor filme do ano, principalmente tendo em vista os filmes contra os quais está concorrendo, tudo bem, foi indicado pelo potencial que tem e pelo trabalho que foi desenvolvido, mas ganhar na categoria de Melhor Filme acho que seria um exagero.
  
Ed: Ahnn dexa eu ver, até que foi menos complicado do que eu esperava, quando o filme esteve no Globo de Ouro e vai estar no Oscar é sempre uma preocupação, mas na verdade não me impressionou muito.
  
  De uma forma geral a história é bem parada e quem não for fã de um tipo de filme que tenta te ensinar lições de vida o tempo todo vai achar booooring!!! O andamento do roteiro fica todo dentro do esperado, sem muitas novidades ou mudanças no rumo dos acontecimentos, tenta emocionar o publico o tempo todo e para aliviar o andamento melodramático (se não metade dormiria no cinema, e a outra metade sairia dali direto para se matar) procura usar a experiência com personagens sarcásticos de Clooney para dar tonalidades diferentes as situações. 
  
  Algumas inclusive criadas para serem engraçadas de forma beeem forçadas, por exemplo, o amigo chato que acompanha a família na história, rir da doença da avó (Alzheimer no caso) quando ela confunde o nome da filha – Elizabeth – com a rainha. Piada pronta e que forçam a barra pra ficar engraçada.
  
  Se vocês voltarem para reler a crítica vão ver que o nome de George Clooney é falados várias e várias vezes (acabo de falar mais uma). Isso reflete bem o que esperar no cinema, já que ele é o pilar central de tudo que acontece, chego a dizer que desafio alguém a encontrar uma cena em que ele não esteja presente, fica claro que tudo depende dele para acontecer, assim nem é tão surpresa ser a melhor atuação de sua carreira, porque se não fosse o filme seria mais um a entrar nas prateleiras com pouquíssimo destaque. E fora ele e as duas meninas, todos os outros personagens são muito vagos e pouco explorados, o avô até tenta ganhar certa força nas cenas que aparece, mas não vai muito além disso.
  
  E para encerrar, o clima de novela das 8 é forte e para quem é brasileiro mais ainda, já que nesse país se consome novela até involuntariamente, então tenho certeza que muitos vão perceber esse clima em cena. Teve horas que eu fique até esperando o Antonio Fagundes ou o José Wilker aparecer por ali em algum lugar, inclusive se parar pra pensar, qualquer um dos dois ficaria bem no papel do avô das meninas, não acham??
  
  Ficha técnica do filme
   
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