sexta-feira, 2 de março de 2012

Crítica da Semana -- A Dama de Ferro


  
A mulher por trás da Ministra
  
  Para começar uma explicação: Minha semana passada foi bastante enrolada em função das festividades do carnaval (que foram muito boas, obrigado) e a premiação do Oscar no final de semana passado. Por isso como vcs devem ter percebido, não teve crítica na semana passada. Isso porque não deu tempo de escrever, mas eu assisti aos filmes e como estava perto do Oscar aconteceram alguns lançamentos de peso. E por isso essa semana terá as críticas da semana passada como destaque, a começar por essa que está saindo hoje e que não é uma estreia dessa semana e sim da semana passada e ainda teremos mais uma até o final da semana, mais uma estreia da semana passada. A estreia dessa semana sairá semana que vem e acertaremos nosso calendário.
  
  Tendo explicado isso, vamos a crítica de hoje que falaremos sobre este filme que levou duas estatuetas do Oscar (se vc ainda não viu a lista de premiados está aqui), é dirigido por Phyllida Lloyd (Mamma Mia! – O Filme) e garantiu a Meryl Streep (Julie & Julia) o 3º Oscar de sua carreira, ao trazer para o cinema a história da primeira mulher a assumir o parlamento britânico e que se tornou uma das Ministras mais conhecidas e respeitadas por todo o mundo, Margaret Thatcher é o seu nome, mas ela sempre foi conhecida como A Dama de Ferro, esse é o nosso filme de hoje.
  
  O filme é contado em formato de documentário dramático, onde a vida de Margaret é repassada em suas memórias, a ex-ministra no momento presente do filme, já se encontra com certa idade e em uma casa de repouso onde ela passa seus dias, enquanto revivemos com ela os grandes momentos de sua vida, como o ingresso na universidade de Oxford, onde conheceu seu marido, sua entrada na política e sua escalada até o cargo mais alto do parlamento.
  
  Nas lembranças imagens encenadas, se misturam com imagens reais de eventos do passado, deixando ainda mais forte o ar de documentário da trama, mas apesar disso, o lado dramático tem sua força no papel representado por Meryl Streep que graças a um ótimo trabalho de maquiagem realizado pela equipe, ficou idêntica à primeira-ministra e sua atuação primorosa, nos faz reviver os maiores momentos da vida desta mulher, através de uma montagem de cenas ágil e não linear que intercala diversas épocas e situações, e que se mistura com alguns dos maiores eventos políticos de seu governo.,
  
  Em meio a isso é mostrado também as dificuldades sofridas por ela, seja nas discriminações por seu pai, apesar de ativo na política, ser dono de uma mercearia ou ainda por ser uma mulher tentando crescer em um meio onde os homens são a maioria esmagadora e têm enorme dificuldade de aceitar o grande talento para liderança que ela possui.
  
  E esses problemas pessoais são uma parte importante do enredo já que uma das ideias principais é mostrar esse lado pessoal, por trás dessa figura politica que apesar de sempre ter mantido uma postura firme e impassível, ainda era uma mulher como todas as outras que tinha sua família para cuidar, apesar dela mesma esquecer-se disso às vezes e que apesar de sua força, não pode driblar os efeitos do tempo e principalmente os desvios neurológicos depois da morte de seu marido e sua deposição do cargo.
  
  Marido esse que é parte importante da história, já que apesar de estar morto, é mantido vivo pela mente dela que imagina ver o marido todo o tempo por perto, ela passa por essa dualidade de apesar de saber que ele não existe, necessita de sua presença. Ele é exatamente a representação desse lado mais leve, engraçado e descontraído que ainda existe nela e a boa atuação de Jim Broadbent (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) nesse papel deixa o filme mais leve e quebra o clima formal de documentário histórico que inevitavelmente acompanha a história.
  
  Um filme que conta de forma interessante uma fase mundialmente famosa da política no Reino Unido, focado-se principalmente na crise econômica e posteriormente na Guerra das Malvinas. Consegue manter um bom ritmo e apesar de em alguns momentos ser um pouco cansativo devido ao contexto histórico, algumas das cenas que tomam uma abordagem engraçada e mais descontraídas servem para dar uma respirada desse contexto formal e ainda a trilha sonora que tem sua maior força nos momentos em que são mostrdas as imagens reais, em forma de registros jornalísticos e que variam do clássico ao rock,  fazem a história fluir de forma a conseguir contar o que se propõe sobre a Dama de ferro e agradar o publico que não sai do cinema, com aquela sensação de “não quero ouvir falar disso nunca mais” que às vezes as histórias documentais causam. É um filme para o público que sabe o que está indo ver e se interessa (nem que seja um pouco) por política, se não pode ficar um tanto quanto desinteressante.   
  
  Feito com Efeito: Os efeitos estão em segundo plano aqui, é o tipo de trabalho onde dizemos que a função maior do efeito é não ser visto, porque é utilizado em alguns momentos para ajudar a melhorar o tratamento da maquiagem e deixar Streep mais parecida com a primeira-ministra, para ajudar a compor alguns cenários e dar uma cara mais interessante as cenas documentais.
  
  É provável que não chame atenção em momento algum até porque essa é a ideia, mas tem um bom trabalho e que principalmente no envelhecimento da atriz com certeza foi muito bem utilizado, mas não vai além disso tendo em vista o contexto histórico que aborda, o que limita o uso de técnicas e não pede nenhum tipo de efeito mais enfático, mas certamente uma peça importante na encenação.
  
: Falar de um filme com Meryl significa certamente ter que fazer um comentário sobre a atuação que geralmente ela faz com genialidade, muita entrega e pesquisa, ainda mais se o filme lhe rendeu mais um prêmio da Academia, fazendo-a ficar tão íntima da família que já sinto quase com se fossemos irmãos. Então, falar da qualidade do trabalho dessa grande atriz é quase redundante e ter ganho o prêmio mesmo com fortes candidatas concorrendo, foi um grande feito. Se trabalho de estudo fica nítido na forma como conseguiu adquirir alguns dos trejeitos pessoas de Margaret, perfeccionismo já característico nos trabalhos dessa atriz.
  
  Mas apesar disso, a outra premiação conquistada pela produção chamou mais minha atenção e vai merecer meu destaque de hoje, a maquiagem usada para transformar a atriz na líder do parlamento ficou excelente e nas várias fases da vida, conseguindo uma grande diferença em cada uma delas e tendo um grande destaque quando ela está na fase mais velha, onde a atriz aparenta muitos anos a mais do que realmente tem. Exelente trabalho da equipe e prêmio mais que merecido
  
Ed: Filme sobre política é sempre uma coisa meio cansativa de se ver, principalmente se vc não está por dentro da situação do país e nem Streep poderia evitar que a história ganhasse tons de documentário do Discovery Channel, mas sei que existe um público pra esse tipo de filme, então não vou colocar isso com problema.
  
  Mas uma coisa que me incomoda é a velocidade com que é mostrada a escalada ao poder, de uma garotinha que era apenas a filha de um vendedor à primeira-ministra, principalmente nos momentos finais onde acontece uma sequência de eleições que se vc não estiver, pelo menos um pouco, por dentro de como funciona o sistema político naquele país, com certeza vai ficar perdido pra entender porque tantas eleições e como o que ela ganhou em cada momento. 
  
  E ainda que provavelmente exista uma parte do público que vai entender porque conhece o cenário político, um filme não pode se restringir a uma parte do público, por tanto, o trabalho ficou um pouco enrolado nessa parte. Isso se deve a preocupação maior em mostrar o lado pessoal de Margaret, mas se o filme é sobre a Ministra, precisa ter o lado político (que é a maior parte da vida dela) bem mostrado.
  
  A forma de apresentação do filme não tem grandes inovações, não é a primeira vez (nem a última) que se usa as lembranças da personagem para contar uma história e nesse caso isso às vezes, com tantas idas e vindas, fica um pouco cansativo.
  
  Fora isso o filme é focado no trabalho de Streep que é quem consegue segurar o filme pelo trabalho que desenvolve, sem ela o filme seria apenas mais um e não chamaria nem um pouco a atenção. Tanto que os prêmios que ganhou foram ambos baseados nela. 
  
  Quem tem pré disposição a gostar de política e/ou história pode até gostar, mas também pode se irritar com a tendência que é existe de colocar Thatcher como vítima e um pouco injustiçada ao ser deposta e não focar nas medidas radicas e muitas vezes impopulares tomadas pela Ministra em seu tempo de governo. 
  
  
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