terça-feira, 27 de março de 2012

Crítica da Semana -- Anderson Silva: Como água


  
Cine-Merchan
  
  Quando vamos assistir a um documentário, geralmente sabemos que estaremos vendo um filme que nos mostrará fatos sobre alguém ou alguma coisa e quando se trata de alguém, geralmente temos foco na pessoa em forma de reportagem ou homenagem. No caso do filme de hoje estamos dentro de um tema altamente comentado e que está muito na moda no mundo todo e no momento ganha cada vez mais espaço no Brasil, o MMA e o principal divulgador das lutas de artes marciais mistas no mundo é o UFC (Ultimate Fight Championship), onde os melhores lutadores do mundo se enfrentam e o Brasil tem representantes em várias categorias e em muitas delas somos donos do cinturão de campeão. E é sobre um dos maiores campeões brasileiros nesse esporte, atual campeão dos pesos médios com sete defesas de cinturão, que trata esse documentário Anderson Silva – Como Água nos leva para conhecer uma parte da carreira desse grande lutador.

  
  O início do filme com uma participação de um dos grandes mestres das artes marcias de todos os tempos Bruce Lee, explicando como o lutador deve ser multiforme como a água, pois ela se adapta a qualquer recipiente no qual é colocado, da a entender que talvez as artes marciais sejam o foco do documentário, mas aos poucos vamos percebendo que na verdade a luta aparece como elemento, mas não é o tema principal. E não demora a demostrar isso, quando mostra em flashes de pouco mais de 10 minutos, a luta que deu o título de campeão a Anderson e todas as 6 primeiras defesas de cinturão, somente na 7a defesa, quando enfrentou o também brasileiro Demian Maia, é que o filme começa a dar importancia de fato as lutas. 
  
  Essa sétima defesa tem certo destaque pela polêmica que causou por Anderson ter passado os dois ultimos rounds da luta praticamente sem lutar o que deixou o público em Abu dhabi (local onde ocorreu a luta) muito insatisfeito, assim com Dana White, presidente do UFC, que declarou publicamente toda sua insatisfação com atitude do brasileiro. A partir daí criou-se toda uma espectativa para quem seria o próximo adversário do Spider (como Anderson é conhecido) e se cenas como aquelas vistas em Abu dhabi aconteceriam de novo.
  
  Aí é que chega o foco principal do filme, já que Chael Sonnen aparece como novo desafiante e se diz aquele com capacidade de derrotar o campeão e não só isso,  passa a usar a mídia para atacar o brasileiro com palavras e provocações chegando a dizer até que depois da luta ele aposentaria de vez Anderson Silva. A partir daí a história do documentário foca no treinamento de ambos para a grande luta e em todo o circo de provocações e falatório que se armou em torno desse combate. E podemos perceber que apesar de mostrar bastante o lado pessoal do lutador, com sua família, seus amigos e sua forma de vida, o foco é a luta com Sonnen (fica claro inclusive pela contagem regressiva para o dia da luta que aparece a todo o momento).
  
  Com isso, tudo ficou com uma cara muito comercial, já que uma revanche dessa grande luta está para acontecer em breve. Não posso garantir com 100% de certeza que essa foi a ideia, mas se não foi, o iniciante diretor Pablo Croce escolheu uma época muito ruim para lançar o filme ainda mais com esse foco imenso na luta dos dois. E com isso fica inevitável pensar que o documentário é uma forma de promover a luta que está por vir, mostrando todos os detalhes dos bastidores, desavenças e preparação que aconteceram no primeiro encontro dos dois lutadores.
  
  A parte boa é que pra quem gosta do esporte tem ótimos momentos dos treinos do Spider Silva, durante os 3 meses que passou se preparando no Estados Unidos para enfrentar o oponente. Não só por mostrar esse lado que as pessoas as vezes não conhecem, assim como as dificuldades sofridas pelo lutador para estar preparado para uma luta, como também por mostrar seu treinamento com outros grandes nomes do esporte como Lyoto Machida, Antônio Minotauro e Rogério Minotouro, além de uma participação do ator Steven Seagal (Machete) que tem experiência em artes marciais e aparece como uma espécie de conselheiro de Anderson.

  
  O lado familiar também recebe certo foco mostrando um pouco o tempo que a família Silva está reunida, como eles passam o tempo que podem juntos e a importancia que o suporte familiar tem na vida de um lutador, a quantidade de vezes que ele diz ter saudade da família enquanto está longe é prova disso.
  
  Para os amantes de MMA e principalmente de Anderson Silva provavelmente vai ter alguns atrativos e para quem não conhece muito bem, pode ser uma forma de entender um pouco da história (ainda que não profundamente) desse novo ídolo do esporte brasileiro. Mas nem de longe é um excelente documetário daqueles que é imortalizado como uma homenagem a carreira e ao trabalho de alguém. Ainda há muito sobre o Anderson e até mesmo sobre o próprio esporte que ficou de lado. Não há uma intenção de explicar o esporte e apresenta-lo ao público e nem de dissecar a fundo a carreira e a vida de Anderson Silva. Por isso quem não conhece ou não gosta do esporte pode achar bastante entediante.
  
  Aconselho o filme apenas para quem gosta muito desse esporte e/ou quer ter uma visão diferenciada dos eventos antes da próxima luta. Por isso como eu disse, a sensação é que não passa de uma propaganda bem trabalhada e que se utilizou do recente sucesso do esporte no país para fazer uma divulgação, de forma grandioza, nas telonas do mundo.
  
  Feito com efeito: Na maioria dos documentário os efeitos são deixados em segundo plano em função de ser algo mais real, sem muita interferencia de elementos digitais, como sempre é necessário alguns pouco do tipo para ajustar cor, para deixar algumas cenas mais limpas e melhorar a ambientação, mas mesmo esse parecem ter tido pouca utilização nesse filme, nada que chame atenção a ponto de merecer um destaque por aqui, por isso vou deixar espaço para o resto e encerrar esta parte por aqui, já que não tem muito o que comentar.
   
: Sinceramente esse é o tipo de filme que eu acho bem pouco interessante, além de não ter quase nenhum conceito artístico envolvido, ainda fica bem superficial quando trata do assunto que se propõe, não tem prunfundidade e nem intenção de mostrar aquele algo mais que faz com que alguns documentários sejam interessannte e consigam ganhar destaques. Nesse caso poucos são ou momentos que são especialmente interessantes. Ainda que tenha um detalhe pouco comum em documentário, roteiristas. A história foi escrita pelos lutadores Ramon Lemos, Lyoto Machida e Damaso Pereira, além de Ed Soares (empresário de Anderson).
  
  Uma das participações que mais gostei foi a do “Uncle Dana” como é conhecido pelos lutadores o dono do UFC. Nos momentos em que fala passa sinceridade e desmostra os dois lados, tanto sua decepção com o protagonista, quando ele preferiu segurar a luta com Demian Maia, onde inclusive revela que pela primeira vez não colocou o cinturão no campeão no final da luta, quanto na hora de dizer com claras palavras que não importa o tipo de luta “Anderson é o lutador mais habilidoso do mundo, Ponto final.”
  
  Além disso, a trilha sonora tem bons momentos, principalmente na hora das lutas e com guitarras, arranjos e até uma participação do cantor brasileiro Seu Jorge. E para fechar (já que não me animou muito vou falar pouco), o momento da luta com Sonnen pode ser bem interessante pra quem ainda não viu, mas se vc já é um viciado em UFC e (provavelmente) já viu a luta várias vezes, o final fica bem desinteressante. E se não ficou claro, meu destaque foi para a trilha sonora.
  
Ed: Pois é, de vez em quando Hollywood solta dessas pérolas, esses filmes encomendados com um propósito comercial tão claro que chega a ofuscar a vista, mas nesse caso é provável que ainda assim consiga vender bastante, já que não entraram pra perder. O UFC é um dos assuntos mais comentados e mais na moda no momento, principalmente no Brasil, onde ganha cada vez mais força e se alguém duvida é só ver a atenção que estão dando ao país depois dos dois últimos eventos que tiveram aqui e deram um publico excelente. 
  
  Trataram de fazer até uma versão do TUF (The Ultimate Fighter), reality show que visa descobrir novos talentos entre os lutadores, aqui no Brasil que está sendo televisionado pela TV Globo. E junto com isso tem o fato de Anderson ser um dos mais populares lutadores do mundo, isso por si só já trás público aos cinemas. Assim não precisaram nem de muito esforço pra vender o filme que no fundo não tem nada de mais.
  
  Alguns problema são descaradamente deixados de lado como por exemplo, a falta de qualidade em algumas imagens registradas, assim com o áudio em português que muitas vezes fica baixo demais, provavelmente porque na versão norte americana tem legenda, mas aqui fica horrível de ouvir.
  
  Vemos no produto final um filme que se preocupa pouco com o todo e dá muito atenção ao que querem vender, no caso a luta com Sonnen, e nem bem o filme estreou na sexta passada, o UFC já confirmou essa semana a revanche entre os lutadores aqui no Brasil...e no Engenhão!!! Alguém ainda tem dúvida de que o filme foi pra promover isso?? Se tem é melhor comprar um óculos urgente meu amigo.
  
  Enfim, é um documentário sem muito a acrescentar sobre quem ele fala, só isso já mostra que o filme não se preocupou muito em se aprofundar, pensem só... Após o filme passamos a conhecer melhor a marca UFC e os entremeios do que acontece antes das lutas e alguns objetivos quanto a divulgação e imprensa, assim como o funcionamento dos preparativos para uma grande luta, mas o que realmente sabemos a mais de interessante sobre Anderson “The Spider” Silva?? Quase nada... O nome do filme poderia facilmente ser mudado para “A Maquina do UFC”, já que falam muito mais sobre isso, do que sobre o personagem do título.
  

  E para fechar... Sempre ouço falar que Steven Seagal ajuda nos treinamento do Anderson, mas será que alguém viu ele em algum outro momento dos treinos antes da luta?!? Eu pelo menos só enxerguei ele lá no dia do evento fazendo o marketing. Ahhh essa industria dos comerciais por debaixo dos panos...e se tem uma coisa que Seagal faz bem é propaganda!!! A promotoria encerra o caso...

  
  

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