quinta-feira, 29 de março de 2012

Crítica da Semana -- Jogos Vorazes


  
Que a sorte esteja sempre a seu favor

  Depois de duas séries de livros infanto-juvenis de sucesso terem explodido no cinema, dando milhões em bilheterias com Harry Potter e a saga Crepúsculo, mais uma série de sucesso nas livrarias nos Estados Unidos (no Brasil teve um sucesso menor), escrito por Suzanne Collins, chega aos cinemas para buscar se tornar a nova franquia de sucesso entre o público adolescente e adulto. Jogos Vorazes é baseado no primeiro livro da trilogia que ainda tem os livros “Em chamas” e “A Esperança”, o filme é dirigido por Gary Ross (Seabiscuit - Alma de Herói) e escrito por ele mesmo, juntamente com Suzanne Collins, sob a supervisão e revisão de Billy Ray (Intrigas do Estado). Preparem-se porque os jogos vão começar.
  
  Dessa vez os protagonistas não são bruxos, vampiros nem lobisomens, são apenas jovens que vivem em um mundo pós-apocalíptico, em um país chamado Panem (onde antes era a América do Norte). O local, que é dividido em doze distritos e é governado por uma poderosa cidade central chamada Capital, em quanto nos distritos as pessoas vivem a beira da miséria tendo que caçar e darem o jeito que puderem para sobreviver (até um pedaço de pão é tratado como uma relíquia rara), na Capital ostenta-se a riqueza e todo tipo de requinte que o dinheiro pode comprar. Esse já é um grande diferencial dessa história, estar imersa em um forte contexto social e mostrar o tempo todo isso como uma sátira/crítica de que os problemas da sociedade atual podem refletir no nosso futuro.
  
  Dentro desse contexto de submissão à Capital, surgem os Jogos Vorazes (Hunger Games no original) como uma forma de punir os distritos pela tentativa de rebelião que aconteceu certa vez, cada um deles anualmente tem que ceder um menino e uma menina entre 12 e 18 anos para competirem nos Jogos, uma espécie de reality show transmitido para todo o país onde esses 24 jovens competem entre si em uma caçada onde apenas um poderá sair vitorioso e com vida. Quando a pequena Primrose Everdeen, de apenas 12 anos, é sorteada para ir como tributo, sua irmã mais velha Katniss, para salvar sua irmã, se oferece como voluntária para ir no lugar dela. E assim os caminhos de Katniss Everdeen e Peeta Mellark se cruzam quando são o casal escolhido para representar o distrito 12.
  
  Essas disparidades e segregações sociais levadas ao extremo ao confrontar o estilo de vida dos dois lugares (Capital e distritos) criam um contexto de contradição que está presente em vários momentos da história. Principalmente quando passamos a ver que o evento dos Jogos Vorazes é um sucesso entre o publico da Capital e tratado com um clima de enorme glamour e festa pelas pessoas da “alta sociedade” e que contradição pode ser maior do que uma festa enorme para ver crianças e adolescentes se matarem? Isso cria um ambiente muito interessante e que gera uma reflexão para todos nós. É quase como se nos perguntasse até onde a sociedade é capaz de ir com seus conceitos deturpados e reality shows para entreter a massa, manter o povo controlado e dominado aos seus moldes. A forma como as pessoas são retratadas com um jeito de se vestir e de se pintar que lembram um circo ou um show de horrores, para ser mais exato, também pode ser visto como uma crítica aos moldes e ao modismo da alta sociedade atual.
  
  A forma como os responsáveis pelo programa manipulam as coisas de dentro de suas salas computadorizadas para alcançar os resultados desejados durante os jogos, mantendo os participantes sob controle de suas vontades para alcançar os resultados desejados e quase um tapa na cara das produções de reality que estão tomando as programações das televisões pelo mundo. E talvez por isso em algumas circunstancias, o filme não agrade, porque meche na ferida de alguns poderosos e também de algumas pessoas normais que se sentem atingidas quando percebem a comparação e entendem que gostam desse tipo de programa, às vezes a reflexão da verdade pode não agradar.
  
  E para tudo isso um bom elenco ajuda, Jennifer Lawrence (X-Men: Primeira Classe) no papel principal garante a força da personagem, a menina como de costume está muito bem e sua personagem passa verdade, medo, tensão e ternura quando necessário, mais uma vez mostra que tem condição de levar bem um protagonista de peso. E ao seu lado está Josh Hutcherson (Minhas Mães e Meu Pai) que é o outro representante do Distrito 12, o jovem está bem no papel, convence pouco nas cenas de ação, mas faz bem o papel de parceiro apaixonado da menina sem precisar daqueles trejeitos de galã teen que muitos protagonistas tem. Esse papel na verdade fica mais para Liam Hemsworth (A Última Música), o irmão mais novo de Chris Hemsworth (Thor), faz mais esse tipo e é o amigo de infância da personagem principal, mas que nesse filme tem pouco destaque.
  
  O filme fica praticamente o tempo todo sob um forte clima de tensão quebrado apenas em alguns momentos por cenas mais visuais, como o desfile dos tributos e as cenas nos salões luxuosos da capital e também por alguns momentos engraçados, piadas e personagens extravagantes. E boa parte desse teor de comédia fica por conta de Stanley Tucci (Capitão América: O Primeiro Vingador) e Woody Harrelson (Amizade Colorida) que fazem o apresentador do show e o tutor dos jovens protagonistas, respectivamente. Tucci como de costume está muito engraçado e suas cenas rendem momentos bem descontraídos e o estilo alcoólatra desinteressado encaixa perfeitamente com Harrelson, boas escolhas. Sem esquecer é claro do grande Donald Sutherland (Quero Matar Meu Chefe) que dá imponência ao poderoso presidente do país e que apesar do pouco destaque, quando está em cena é grandioso, tenho certeza que será melhor aproveitado nos próximos filmes. E ainda tem a atuação do cantor Lenny Kravitz (Preciosa - Uma História de Esperança) como o estilista dos jovens que até fica bem no papel, ninguém pode negar que estilo ele tem.
  
  É um filme com muitas contradições e muitas referências e que tem um pouco de tudo, aventura, ficção científica, romance e violência, sim tem algumas cenas bem violentas, apesar de algumas serem suavizadas com cortes de cena e movimentos de câmera, mas ainda assim tem umas muito boas. E dentro desse clima de tensão constante e ao mesmo tempo festivo, tem inclusive espaço para um romance que deixa brecha para um futuro triangulo amoroso, tem até nas entre linhas uma menção a Romeu e Julieta. É uma franquia com bastante potencial e que faz sua estréia muito bem e se bem trabalhada terá grande sucesso nas bilheterias. 
  
  Feito com Efeito: Fazer efeitos visuais às vezes requer certa dose de sutileza, dependendo do filme e nesse caso souberam usar isso muito bem. Apesar de grande qualidade dos efeitos, não se vê uma enxurrada deles na tela apenas para mostrar a capacidade e a beleza de objetos 3D e outras coisas do tipo. Só o fato de não ter sido gravado em 3D já mostra que o diretor teve a compreensão que o filme não pedia nenhuma extravagância desse gênero e em uma época que esse tipo de filme está na moda é necessário saber quando nadar contra a corrente e nesse caso foi uma decisão muito acertada.
  
  Apesar disso, muitos momentos chamam atenção, alguns mais sutis como os cenários e utilizações de close nas flechas que a menina atira. Ou em um tiro certeiro em um pássaro em pleno vôo. Além da viagem de trem a uma super velocidade, onde certamente o que passa na janela é inserido digitalmente. Também é boa a criação daquelas vespas venenosas e o tratamento de imagem todo borrado na cena que segue a das vespas.
  
  Mas sem prolongar muito, duas coisas me chamaram atenção mais que todo o resto, a sala de comando onde as pessoas monitoram e controlam o andamento dos Jogos que em sua grande parte é feita digitalmente, principalmente a mesa onde as coisas são inseridas. Toda funcionando a partir do toque e criando cenários holográficos e mostrando os detalhes do jogo. Um momento bem legal é quando mostram a criação daquele mostro que é inserido no jogo, a pré visualização dele na mesa quase como um objeto 3D ficou ótima. Uma pena que quando ele realmente aparece no jogo as cenas são meio escuras e quase não dá pra ver bem o trabalho 3D de criação dos bichos.
  
  O cenário da Capital, aquela visão da cidade que eles vêem pela janela do trem quando chegam, foi toda criada em computador e ficou ótimo também, um belo trabalho do pessoal das maquetes digitais que criaram uma cidade com a imponência que aquela cena pedia. O desfile dos tributos também é legal, aquelas chamas são bem feitas e bem inseridas no movimento, assim como a cena da saia dela. E se encaixam na categoria que eu falei de bons efeitos apesar de sutis.
  
: Tenho que confessar que desde que a série Harry Potter terminou sem chegar a ganhar nenhum prêmio da Academia e a Saga Crepúsculo não passou nem perto das grandes premiações perdi um pouco a fé em filme de fantasias adolescentes. Depois de assistir essa nova empreitada, não posso garantir que vai ter mais sucesso que as outras no mundo cinematográfico, mas pelo menos mais profundidade e mais chance pra isso tem.
  
  Todo o contexto social envolvido e toda a carga dramática do filme dão a ele um tom mais adulto do que seus antecessores, aí está seu grande trunfo, atingir um público que os outros dois tinham, muita dificuldade em alcançar. Se na aceitação do público em geral essa forma diferente de abordagem vai ser boa, ou se vão manter esse estilo nos próximos eu não sei, mas até agora estão no caminho certo.
  
  E por isso meu destaque de hoje vai ficar para o diretor Gary Ross, por ter conseguido pegar um filme que tende a sofrer pressão pública por causa do sucesso nas livrarias e dar a sua cara, principalmente não cedendo aos modismos e pretensões comercias. Não estou dizendo que o filme é filantropia e não se preocupou com lucros, claro que isso não existe, mas o que eu quero dizer é que o diretor não deixou isso influenciar diretamente no resultado de seu trabalho, por exemplo, não pensou em diminuir a violência para não ter rejeição do público mais infantil e principalmente não cedeu à ideia de gravar em 3D, o que conhecidamente tende a dar mais lucro pelos ingressos mais caros.
  
  Espero que mantenham assim...e ante de terminar vale citar também mais uma grande atuação de Jennifer Lawrence, a menina certamente vai longe e não sei se por esse filme, mas  prevejo que em breve estará fazendo parte da família!!!
  
Ed: Eita, quando todo mundo fala tanto assim é porque lá vem pedreira pra mim, ficou meio grande essa né gente? (Sem querer dizer que vc escreveu muito hein chefe, mas já disse =P).
Já vou chegando logo de sola hoje, o filme começa e uma das primeiras cenas é um cara com uma peruca azul que parece a Marge Simpson e o outro com a barba toda desenhada parecendo umas trepadeiras subindo o muro, WTF?!? Perdi os próximos 10 minutos de filme tentando parar de rir daquela cena ridícula.
  
  Aí começa a história, fiquei pensando, alguém usou drogas muito pesadas pra escrever isso e fui dar uma olhada no que falou a viciada escritora. Ela disse que se inspirou para escrever o livro quando estava zapeando a tv a cabo e viu e um canal cenas de um reality show e no outro cenas da guerra no Iraque. Aí passou a fazer muito sentido, já que o filme parece um tipo de BBB doentio (onde o Bial usa peruca azul xD). E as doideiras não param, aí aparecem os espectadores e os empresários que financiam o programa...tudo festa estranha com gente esquisita!!! Parecia um desfile trash da década de 70, misturado com pessoal colorido do Restart!!!
  
  Enfim deixando o visual maluco de lado, algumas mortes são muito rápidas e mal dá pra entender o que está acontecendo. Algumas se vc não prestar atenção passam despercebidas.
  
  E para fechar, já foi meio dito na parte de efeitos, mas também esperava mais daqueles bichos, quando apresentaram eles na mesa, pensei que seria de chutar bundas, mas deixaram eles no escuro e passaram despercebidos, deve ter sido porque ficou ruim, aí deram um camuflada. No mais é isso... Falar pouco que o mau humor começa a me atingir, fui!!!
  
  
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