quinta-feira, 22 de março de 2012

Crítica da Semana -- John Carter: Entre Dois Mundos


  
Vida inteligente em outro planeta?
  

  A crítica de hoje está saindo com certo atraso, era pra ter saído na quinta passada, mas como fiquei sem internet e no fim de semana não tive tempo nem de respirar, está saindo hoje. 
  
  No filme de hoje visitamos mais um dos mundos mágicos criados pela Walt Disney que tenta com esse filme emplacar mais uma franquia de sucesso e talvez repetir o sucesso de Piratas do Caribe que arrecadou milhões em seus 4 filmes lançados até agora. Nessa nova empreita, apesar de ser mantido o clima de fantasia, nos afastamos anos luz das belezas e das águas cristalinas do caribe para aterrissarmos no desértico e rochoso solo de Marte, ou Barsoom como os nativos chamam. Sim nativos, apesar de à beira da destruição e de um colapso social Marte, ao contrário do que imaginávamos, é habitado por seres de diferentes espécies, inclusive alguns muito próximos dos humanos. E é nessa viagem ao planeta vermelho e desconhecido que embarcamos em John Carter: Entre dois Mundos
  
  A história é baseada na série de livros chamada Barsoom de Edgar Rice Burroughs que é composta originalmente por 11 títulos, sendo que este filme foi inspirado no primeiro livro da série A Princess of Mars, então vcs podem ver que a Disney ainda tem bastante material nas mãos para fazer muitas continuações para essa nova franquia basta saber até quando o retorno nas bilheterias será satisfatório para fazer novas continuações.
  
  Na primeira aventura do veterano de guerra que acaba indo para em Marte, a condução dos trabalhos coube ao diretor Andrew Stanton responsável por animações de sucesso com a Pixar e que ainda levou dois Oscars de Melhor Animação por Procurando Nemo e Wall-E. Com esse cartel de sucesso a Disney resolveu dar a ele sua chance de estrear em um filme live action (com atores), ainda que uma parte dos personagens sejam digitais.
  

  Como é costume em filmes da Disney, apesar do clima de ação e aventura e a história se tratar de uma guerra civil nesse planeta desconhecido, sempre é mantido certo tom de comédia para manter a cara infantil que acompanha as produções da empresa. E no meio dessa universo novo com criaturas de 4 braços e barcos que navegam na luz a história não ganha a força que tenta passar e fica mais em uma série de imagens bonitas e efeitos especiais bem feitos, mas sem uma boa história para suportar o visual.

  
  As atuações não são muito diversificadas, ficam dentro do estilo clássico do herói que vai salvar a princesa, por quem ele está apaixonado, de ter que se casar com o líder inimigo. Taylor Kitsch (X-Men Origens: Wolverine) é o responsável por dar vida ao herói de guerra que dá nome ao filme e tem uma atuação regular, não complica, mas também não tem grande brilhantismo. A mocinha e princesa em perigo é vivida por Lynn Collins (Número 23) que também trabalhou no filme X-Men Origens: Wolverine (fez a esposa de Logan, a Raposa Prateada) faz bem o papel de princesa guerreira, a mulher forte apesar de sensível que também sempre é apresentada desde os desenho mais clássicos como Aladin ou A Bela e a Fera. A equipe de vilões fica a cargo de Mark Strong (Sherlock Holmes) e Dominic West (O Despertar) que são o mentor maligno e o Rei que é usado de fantoche para atingir os objetivos maléficos do mentor. Destaque ainda para Willem Dafoe (4:44 Last Day on Earth) que faz a voz do personagem digital Tars Tarkas, se reparar bem o personagem até parece com ele.
  

  Como vcs podem ver é a formula que fez sucesso durante anos nos desenho animados da Disney que foi aplicada em uma versão com atores utilizando diversos recursos em 3D para criar um mundo ficcional em um planeta que a ciência tenta entender há anos. Junta-se à esse tipo de história, um diretor acostumado a fazer desenho e voilá temos um filme café com leite que consegue entreter um pouco pela forma como o mundo é apresentado, mas que no meio, quando passamos a ver que já conhecemos a história se torna desinteressante. Tem até uma virada legal nas cenas finais do filme (que como de costume não comentarei), mas que já está tão sem ritmo e cansado de todo o restante que não dá pra salvar muito. Deixa espaço pra que algo melhor aconteça em uma possível continuação, mas que pelos resultados até agora nas bilheterias, pode não ser tão possível assim.

  
  Feito com Efeito: Dizer que os efeitos não são o ponto alto do filme, seria mentira, mas mesmo assim, apesar de tudo praticamente ser feito em computação, alguns detalhes acabam ficando de lado. O que achei mais legal nos efeitos foram as criaturas que são apresentadas como nativos de Barsoom. Como os Tarks, as criaturas verdes (por que todo alienígena é verde???) de quatro braços e que ainda tem aquela cara de mal e um chifre ao lado da boca para arrematar. É a criação que mais chama atenção principalmente pela quantidade deles que aparecem em algumas cenas de guerra, um bom trabalho com softwares de criação de multidão.
  
  Outra coisa que eu gostei é o monstrinho no estilo dino-dog (dinossauro com cachorro) que aparece e que passa a seguir o personagem principal, ele é de longe o personagem mais carismático da história. A árvore dos antepassados onde eles descobrem a funcionalidade do medalhão, assim com aquele rio sagrado que é o único local em marte que tem água são os cenários mais bonitos do filme. 
  
  Isso inclusive é uma coisa que me chamou muita atenção. O andamento da história, ajudado pela profundidade criada pela projeção 3D, procura em vários momentos valorizar o cenário do planeta, mas apesar da criação digital ser muito bem feita, não salta à vista porque a maior parte do local é deserto, então o belo cenário que tentam mostrar ficam sendo na maioria pedras, dunas e rochedos, coisas que na tela não são visualmente bonitas (ou não ficaram nesse caso), o que tira um pouco a beleza dos cenários do filme, por isso os melhores como falei são o caminho pelo rio sagrado e a árvore, principalmente o seu interior feito de ligações luminosas que parecem até terminações nervosas, quase como se estivessem vivos.
  
  O ponto mais alto, no entanto é a luta em um tipo de arena dos Tarks onde Carter enfrenta dois enormes monstros albinos que lembram um gigantesco gorila, sob o olhar de toda a tribo que acompanha a luta aos gritos, a cena é bem interessante e muito bem detalhada e a animação dos monstros lutando é ótima, o maior destaque em um filme que parecia ter muito mais a oferecer em seus efeitos visuais mais que acaba sendo um pouco prejudicado pelas próprias características da história.
  
  O poder usado pelas forças do mal para controlar ou destruir seus inimigos, um raio de luz azul (novidade o lado mal ser azul né?), também é bem feito, mas não chega a ser nada surpreendente nem inovador (exceto pela cor =P).
  
: É...se a Disney apostava em um grande sucesso para essa franquia pode ser que não dê certo como eles esperavam, o que poderia ter sido uma nova sequencia de sucessos se perdeu em meio a vários clichês do gênero de aventura e acabou sendo uma história sem muito pra mostrar...e acabou me deixando também sem muito o que comentar, porque a melhor parte de longe é a conclusão da historia. O filme se passa com o sobrinho de John Carter lendo o diário de seu tio recém falecido, em busca de respostas do porque dele ter deixado tudo que era seu para o garoto e ter dado ordens explicitas de apenas o sobrinho poder ler o seu diário. A conclusão do porque disso tudo, que é exatamente como o filme termina, mostra que o roteiro ainda tem muito a oferecer e que a história não é só um conto de fadas infantil, talvez até nos livros dê para perceber isso antes do final, mas na tela grande só da pra ter um pequeno vislumbre da profundidade e inteligencia que tem a história e se tratando de uma coleção de 11 livros poderia ter coisas boas para serem feitas.
  
  Digo poderia, porque a Disney anunciou no decorrer dessa semana que o filme arrecadou muito abaixo do esperado e que vai gerar um prejuízo de quase $200 milhões à empresa no primeiro semestre. Com isso acho pouco provável que tentem uma continuação da série, a menos que alguém surja com uma ótima ideia do que fazer no próximo para atrair mais público e vale lembrar que falta de marketing não foi o problema, já que foram investidos cerca de 100 milhões de dólares nesse quesito. Resta ver se ainda existe alguma salvação, porque se não, conseguiram queimar uma série que bem trabalhada poderia dar bons frutos e que demorou anos para sair do papel (a primeira proposta para fazer algo com a história é de 1931) para ser jogada fora. Sem mais por hoje...
  


Ed: Excesso de confiança é uma coisa que derruba desde os menores até os gigantes como a Walt Disney, Stanton é um diretor que vinha de dois grandes sucessos com a Pixar e tendo um história que eles consideravam muito boa nas mão, com um grande potencial para utilização da tecnologia 3D que está na moda, acharam que não haveria como dar errado e investiram pesado nessa nova possível franquia, mas nem tudo são flores e as pessoas já não estão se deixando deslumbrar apenas por computação gráfica aliada a projeção 3D. E as vezes ter a ideia das continuações antes mesmo do primeiro chegar aos cinemas, pode ser a grande ruína de um filme. E nesse caso parecesse que foi justamente o que aconteceu.

  
  Como meu amigo folheado falou, deixaram o que poderia ser mais interessante para o final, para deixar aquele gostinho de quero mais, porém como o restante do filme se perdeu mergulhado em um turbilhão de clichês e exageros, o gostinho de quero mais acabou ficando amargo e com isso a divulgação boca a boca do filme (que todos sabem que é muito melhor que a maioria dos marketings) não foi nada positiva e deu nesse rombo para os cofres da Disney que já foi comentado.
  
  Além, dos clichês de contos de fadas, conseguem também estar presentes os de filmes de ação, como por exemplo, a luta de Carter contra um exército inteiro de Tarks, tudo bem que a diferença de gravidade entre os planetas dá a ele algumas habilidades a mais, mas daí pro maluco lutar com um exercito de monstros maiores e bem mais fortes que ele, sozinho (tá o dino-dog ajuda, mas nem tanto) e ainda matar a maioria, tenha paciência né??? O cara é praticamente o Rambo de Marte, só que o Rambo pelo menos tinha uma metralhadora...ele mata na espada mesmo!!! ¬¬
  
  E assim de cena esperada a outra mais esperada ainda, o filme vai se arrastando e tentando mostrar alguma coisa com o único recurso que parece que foi pensando, o visual, e que mesmo assim algumas vezes deixa bastante a desejar. A história não consegue empolgar e o personagem principal fica entre o galã e o guerreiro, mas no fundo não convence como nenhum dos dois. 
  
  Se esse filme fosse feito a alguns anos atrás o efeito certamente seria outro, já que a tecnologia 3D seria uma novidade e a criação de um mundo completamente novo em Marte seria por si só algo surpreendente, mas depois de James Cameron apresentar tudo isso ao mundo com perfeição e maestria em Avatar, o público não é mais tão impressionável facilmente e se repararmos bem John Carter tem muitos detalhes e aspectos, além do estilo da história, que lembram muito o sucesso criado com as criaturas azuis de Pandora e para refazer algo que já fez sucesso é preciso ter algo novo que chame atenção e não souberam fazer isso aqui.
  

  Quem se deu mal foi Lynn Collins que vinha com bons filmes no curriculum e esse, apesar de o problema não estar em sua personagem, não foi um acerto e principalmente um grande tropeço para Staton, o que será que fazem agora? Mandam ele de volta para fazer animações com a Pixar ou dão outra chance pra ele nesse estilo de filme, sinceramente não sei, mas se for insistir em live action precisa melhorar bastante a performance.

  
  
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