sexta-feira, 13 de abril de 2012

Crítica da Semana -- Heleno


  
A estrela solitária do glorioso
  
  Pessoal essa crítica era pra ter saído na semana passada, mas não consegui colocar no ar por causa do feriado e como essa semana fiquei muito enrolado com meu trabalho e não consegui ir assistir um filme, juntei as duas coisas e postei essa semana a crítica que estava atrasada. Em breve endireitarei as coisas por aqui ok?
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  Hoje em dia dizer que um jogador de futebol teem problemas com álcool ou que está envolvido em algum tipo de problema pessoal por causa de excessos não é mais muita novidade, mas na década de 40, isso era quase impossível. Digo quase porque houve um homem chamado Heleno de Freitas e que foi por muitos considerado o primeiro craque problema do futebol brasileiro. Botafoguense inveterado defendeu durante muito tempo as cores do alvinegro carioca, mas os problemas com álcool, drogas e a sífilis encurtaram a carreira daquele que julgavam que seria o maior jogador brasileiro de todos os tempos e o hoje 53 anos depois de sua morte o diretor José Henrique Fonseca (O Homem do Ano) conta a história desse artista da bola em Heleno.

  A ideia nesse filme - que vale deixar claro para quem não viu que não é um documentário e sim uma história sobre a vida de alguém real, inspirado no livro Nunca Houve um Homem como Heleno de Marcos Eduardo Novaes - não é contar só sobre o grande craque que foi Heleno que com sua genialidade com a bola nos pés muitas vezes levou sozinho o time do Botafogo, o foco é na vida pessoal dele e não no tempo que passou em campo. Os momentos no gramado são resumidos a pequenos takes de lances específicos de partidas e na maioria focados no próprio Heleno, como quem relembra seus momentos gloriosos, sem se preocupar em mostrar muito mais que isso. Uns podem até ver isso como um problema, mas acho que essa é a abordagem escolhida, já que apesar de craque nos gramados, sua vida fora dos gramados teve muitas nuances que valem a pena serem contadas.
  
  Nuances essas que são retratadas no estilo mais nostálgico possível, relembrando os velhos tempos do Rio de Janeiro nas décadas de 40 e 50. A decisão do diretor de fazer o filme em preto e branco foi acertadíssima, o que melhor para retratar a antiguidade da história do que vê-la quase como recortes de jornais que se movem, já que os jornais são praticamente os únicos registros que se tem da Era Heleno de Freitas. Além do preto e branco (que também lembra as cores do time que ele amou), as músicas de época e o visual com elementos de cena muito bem pesquisados para compor o período como carros, casas e modos de se vestir completam o sentimento nostálgico em que é envolto todo o ambiente, como se assistíssemos um filme clássico, inclusive na maneira de filmar e nos posicionamentos de câmera, a estética de época foi levada em consideração. Sem falar no majestoso salão de eventos do Copacabana Palace, onde acontecem muitas cenas do filme, com todo o glamour no qual era envolto naquele tempo e que foi um dos locais preferidos para passar as noites do jogador.
  

  Com a fotografia de Walter Carvalho (Sonhos Roubados) – de quem tivemos recentemente uma comprovação de seu grande talento também como diretor em Raul – O Início, o Fim e o Meio – que ajuda muito na estética do filme, a história é contada mostrando o jogador já nos últimos anos de sua vida, na casa de repouso onde veio a falecer e paralelamente mostra os tempos do auge de sua carreira, quando viveu extravagâncias, relações amorosas e seus envolvimentos cada vez maiores com as drogas como o álcool, o tabaco e até mesmo lança-perfume e éter. Não é como se fosse visto em flashbacks, na verdade vemos os dois momentos da vida dele simultaneamente, até vermos o grande Heleno “perder o jogo mais importante da sua vida” contra a Sífilis, doença da qual ele nunca aceitou ser tratado e que acabou levando-o, juntamente com seus vícios, ao fim de sua carreira precoce. Aqui vemos os dois momentos se encontrarem e diante de nossos olhos o galanteador à moda antiga, o craque brigão e cheio de juventude e vontade de ser o melhor do mundo, se tornar o Heleno frágil e doente da casa de repouso. Seu último momento de glória acontece com a camisa do América Futebol Clube, quando finalmente Heleno de Freitas joga pela primeira vez no grande palco do futebol mundial, o Maracanã, partida que foi a última de sua carreira.

  

  Mas a apesar de todo o bom contexto em que está imerso, a alma do filme fica por conta da ótima atuação de Rodrigo Santoro (O Golpista do Ano), o ator que interpreta o jogador botafoguense, incorporou o personagem de forma perfeita, nas duas fases da vida do atleta, mas principalmente no final da vida quando Rodrigo emagreceu absurdamente para retratar o estrago causado pela doença. A maquiagem que foi trabalhada nele, com feridas pelo rosto que é uma característica da sífilis, e os dentes tortos e quebrados completam o quadro que deixam já na parte final do filme, Rodrigo quase irreconhecível. Mas ele também vive bem a parte do galã e paquerador inveterado, assim como o comportamento explosivo o atleta.
  
  Além dele, Aline Moraes (O Homem do Futuro) mais uma vez mostra seu potencial, acompanha bem o ritmo do filme e tem presença para ser a mulher que ganhou o coração do astro, Silvia esposa de Heleno. Erom Cordeiro (O Palhaço) que faz Alberto, o melhor amigo do jogador, capitão do time do Botafogo na época e que diziam ser o único capaz de controlar o gênio explosivo do amigo, também consegue dar vida muito bem ao personagem e está impressionantemente parecido com o jogador real. Othon Bastos (Nosso Lar) como o cartola presidente do alvinegro, também é um bom personagem. Destaque para a participação do elenco do ZÉ - Zenas Emprovisadas na narração das partidas.
  
  Quando saímos do cinema a sensação que fica é que Heleno de Freitas foi um jogador de muitas formas e realmente se rendeu aos excessos, mas que um desses excessos era o amor que tinha pelo time do coração, amava o clube do qual ele defendia as cores e mesmo tendo jogado em outros lugares, foi à contra gosto, pois como ele mesmo diz, pelo Botafogo teria jogado até de graça. E enquanto os créditos subiam me veio um pensamento: Não tive o prazer de ver Heleno jogar, mas se ele era metade do jogar apaixonado pelo seu clube como retratam ali, está faltando um pouco de “Helenismo” no futebol atualmente.
  
  Feito com Efeito: Em um filme com esse tema, sobre a vida de alguém, normalmente os efeitos ficam de lado, mas esse não é um filme que “normalmente”se aplica com muita facilidade. Os efeitos não estão presentes como estamos habituados a ver com cenas de impacto visual, mas ainda sim estão presentes em alguns momentos. Na composição dos lances que aparecem do jogador em campo, com se estivesse no meio de uma partida, em alguns visuais antigos para compor melhor com a cena e não darem um aspecto envelhecido, já que na época eram novos e na cena da última partida de heleno no maracanã onde a cena é toda feita com ele envolto em um turbilhão de luzes e sons, para simbolizar sua perplexidade diante de um local tão majestoso. A cena tem um ótimo visual e ficou bem bonita.
  
  Ainda vemos uma participação dos efeitos nos grafismos no inicio dos créditos que encerram o filme, quando são mostradas algumas fotos do verdadeiro Heleno com seus companheiros, imagens que junto com reportagens de jornais, formam as únicas lembranças visuais que temos desse ídolo de uma geração. Nesse momento temos uma pequena visão de quem era Heleno de Freiras.
  
: Olha…temos engrenado uma sequencia de filmes bons hein, o mãos de chumbo, deve tá cheio de problemas para resolver ahuahuahauah.
  
  Mais um filme brasileiro que consegue não só contar uma boa história sobre um ídolo nacional, mas consegue também ter uma boa estética de cena, uma qualidade de filmagem, além da inovação de fazer o filme em preto e branco. O cinema nacional está cada vez se permitindo ousar mais e isso é um grande passo para crescer no mundo cinematográfico e dessa vez conseguiram aliar essas qualidades com um bom elenco e um texto muito bom, com frases fortes e de efeito ditas o tempo todo pelo personagem principal.
  
  E como não poderia deixar de ser, meu destaque para esse filme vai para o Rodrigo Santoro que esteve muito bem no papel principal e soube segurar a responsabilidade de trazer de volta a vida um jogador que foi amado por muitos e odiado por outros tantos. essa não é uma tarefa nada fácil. As expressões vazias do Heleno doente são excelentes e as mudanças repentinas de humor dele durante a juventude é mais um dos muitos destaques do personagem. A cena inicial é uma das melhores do filme todo e já mostra o que podemos esperar do restante, sendo impactante e surpreendente, mas essa deixo pra vcs verem no cinema. 

  
E para Rodrigo que já está bastante envolvido com o cinema internacional, pode ter sido um bom passo para conseguir mais destaque em Hollywood. O que por sinal, pode ser um bom trunfo para o Brasil, caso resolvam colocar o filme para uma possível indicação para o prêmio da Academia e tentarem mais uma vez entrar pra família, já que é estrelado por um ator que já realizou trabalhos na capital do cinema. Levando em conta que o ultimo que mandaram para representar o país foi sobre um ex-presidente que não teve a menor chance de entrar na disputa, quem sabe com futebol (que é pelo que o Brasil já é mais conhecido), um bom ator e um filme com qualidade estética de cinema clássico, não tem uma chance maior de termos um brasileiro na família. 
  
Ed: Tão querendo me complicar mesmo né? Cada vez estão dificultando mais, chefe assim eu vou querer um aumento!!! Hum hum......Pronto, me recompus. Vamos a minha parte.

Para começar, acho que os jogadores de futebol de antigamente deveriam receber muito mais que os de hoje, ou pelo menos receberem hoje uma indenização, por terem tido que jogar com aquele shortinho ridículo. Chega a ser insalubre ter que trabalhar com aquele negocinho minúsculo se vc não é dançarina de axé ou de funk, ainda bem que mudaram isso hein!

Outra coisa, só eu fiquei com pena daquele velhinho da casa de repouso que tem que cuidar do Heleno? Que paciência que ele tinha que ter hein, sofreu na mão do maluco.

Na parte técnica em alguns momentos a história dá a sensação de ser corrida demais, os acontecimentos parecem saltar alguns anos de repente e quem não estiver ligado pode se sentir as vezes meio perdido, ainda mais com a narrativa não linear que em certos momentos deixa na dúvida qual época do jogador estamos vendo naquele momento.

E para finalizar (incrível como eu tiro leite de pedra não?), achei um pouco estranho ninguém comentar mais abertamente do vício dele em éter, não é possível alguém usando tanto essa substancia quanto ele, ninguém (mulheres, família, amigos) comentar ou reclamar com ele, já que vale lembrar que o cheiro da substancia é forte, fica no corpo e principalmente no hálito de quem utiliza.

Viu, eu sou bom nisso douradinho.... 
  
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