quarta-feira, 4 de abril de 2012

Crítica Extra -- Raul - O Início, o Fim e o Meio


  
  Essa metamorfose ambulante
  

  No dia 28 de Junho de 1945 nascia um baiano que alguns anos depois se tornaria o maior símbolo do rock brasileiro, esse maluco beleza que viveu em uma metamorfose ambulante conquistou fãs pelo mundo todo e por várias gerações mesmo depois de sua morte. Eu mesmo sou um exemplo vivo do poder do legado desse carpinteiro do universo, já que tendo morrido em 1989 (eu tinha apenas 2 anos de idade), não vivi os momentos de sua carreira, mas sou um fã incondicional de suas músicas e de toda sua obra. Esse é Raul dos Santos Seixas, Raul Seixas como ficou conhecido mundialmente ou apenas Raulzito e hoje falaremos sobre o documentário Raul - O Início, o Fim e o Meio que tenta desvendar um pouco da vida desse homem, que virou mito, que se tornou lenda. Toca Raul!!!

  Sob a direção de Walter Carvalho (Budapeste) o documentário tem mais 90 entrevistados entre eles, todas as ex-mulheres de Raúl, assim como seus parceiros de música e de criação Paulo Coelho, Claudio Roberto, Marcelo Nova, além de menções a Sergio Sampaio que também já faleceu em 1994. O filme é conduzido mostrando a trajetória desse artista brasileiro desde sua infância, mostrando suas influências tanto musicais quanto culturais, seus amigos, principalmente o grande amigo de infância, Waldir Serrão que junto com Raul fundou o primeiro fã clube de Elvis Presley no Brasil o Elvis Rock Clube, cantor que foi uma das principais influências da infância de Raul e um ditador das tendências jovens da época.

  
  De seu início com o grupo onde ainda era apenas Raulzito e os Panteras, passando por sua vinda pro Rio de Janeiro onde se tornou produtor musical e onde perto do fim passou por um período difícil sem conseguir espaço para gravar nem para fazer shows por causa de seus problemas com a bebida e drogas, até que se juntou a Marcelo Nova com quem fez uma turnê de 50 shows, até  sua morte um pouco depois disso, Raul viveu para a música, dela fez sua vida e dedicou seus melhores momentos. Mas esse grande músico tinha uma vida pessoal levada ao limite é esse outro lado do ídolo que o filme procura desenterrar um pouco mais, apesar de dele nunca ter escondido seus vícios, muitas vezes só quem esteve próximo a ele é que tinha a real dimensão de como ele vivia com seus excessos, sempre levando o corpo ao limite e muitas vezes, indo além do que ele mesmo aguentava.
  
  Uma coisa que fica claro no decorrer do filme é que Raul viveu como queria e se sua vida de excessos foi a principal causa de sua morte precosse, ele sabia o que estava fazendo e escolheu viver assim, como ele disse em suas músicas, como pessoa viveu tudo que queria pois é tudo da lei e para a morte disse, vem mas demora a chegar e sempre mostrou que não tinha medo dela e que vivendo do jeito que fosse estava pronto para o momneto de partir. Esses outros aspectos pessoais que muitas vezes são deixados de lado são muito bem mostrados no filme e representados, na maior parte, por suas mulheres que mais do que ninguém conheciam esse lado dele, já que era pra elas que ele sempre voltava no final do dia, mas mesmo assim ele teve muitas, mostrando mais uma vez o aspecto de viver da forma que a vida o levava e cada uma dessas mulheres serviu de inspiração e influenciaram de alguma forma suas músicas, inclusive sua segunda mulher menciona que “medo da chuva”, teria sido feita para sua mulher anterior Edith com quem teve um fim de relacinamento conturbado.
  
  Além das mulheres, os parceiros diferentes pelos anos que teve de carreira também moldaram bastante as suas obras e influenciaram suas criações e seus estilos musicais, o que nos mostra que o momento da vida dele era sua principal inspiração, na verdade o que acabamos percebendo é que Raul cantava o que sentia e isso talvez fosse a maior força e maior virtude de sua música. Isso também fazia dele um músico que cantava para todas as classes sociais, não havia distinções, talvez dessa forma tenha se difundido tanto e sido perpetuada na história. O documentário nos lembra ainda que muitas de suas obras foram criada e cantadas sob o período de repressão da ditadura e que por seu estilo diferente de ser e sua suposta falta de interesse em ser ativista, suas músicas quase nunca sofreram censura e ainda segundo o jornalista Nelson Motta “as musicas de Raul não era censuradas porque eram inteligentes demais para a ditadura entender o que ele queria dizer”.
  
  O filme é levado dessa forma, nos mostrando alguns lados da vida de Rauzito que muitos ainda não conheciam, muitos detalhes e sutiliezas foram bem observados pela direção e pela montagem. Como por exemplo, mostrar que apesar das muitas esposas e famílias Raul sempre foi apegado as filhas, mesmo tendo pouco contato com todas elas e que apesar dos muitos relacionamentos nunca chegou a realizar a vontade de ter um filho, mas mostram Dakota Seixas, filho de sua filha do segundo casamento, com Sky Key, que é impressionamente a cara do avô. E outras ótimas sacadas como nos momentos em que vemos filmes antigos do acervo dos entrevistados, deixam o som do projetor em cena, aquele barulho característico que causa um gostosa nostalgia dos velhos tempos ou a ainda quando curiosamente aparece uma mosca durante a entrevista de Paulo Coelho rondando o escritor (e ele ressalta que nunca tem mosca em Genebra, onde acontece a entrevista e hoje aquela estava alí e devia ser Raul), quando ele  faz um gesto para tentar matar a mosca, entra a muscia “mosca na sopa” que fecha perfeitamente o contetxo da cena.
  
  Sem falar que conseguem tocar em todas as polêmicas que aconteceram durante a vida de Raul, sem transformar isso no centro do documentário, não usam as polêmicas como forma de vender o filme ou de interessar mais o publico, as polêmicas existem pois ele era uma pessoa polêmica, mas o objetivo aqui é o artista e não seus erros e acertos.
  
  A montagem nos leva de uma cena a outra, nos fazendo passar por todos os momentos da vida de Raul e com uma dinâmica que não permite ficar cansativo, cada momento embalado pelas múscias que fizeram sucesso na época correspondente de sua vida. Um filme onde podemos ver que teve-se um cuidado grande em ressaltar o artista na sua totalidade, como ele realmente era e não mostrar só os lados positivos. Um trabalho que Walter Carvalho executou muito bem e se ele mesmo não é fã da musica de Raul, se colocou no lugar de um para fazer o filme, porque o que vemos é um filme feito de um fã para todos os fãs. Impossível gostar de Raul e não cantar junto com as múscias e mais ainda, impossível ser fã e não se emocionar vendo a história de um ídolo sendo contada e eternizada dessa forma nos cinemas e percebemos que o Raulsexismo, como é classificada sua obra durante o filme, durará para sempre na memoria de todos e será passado às novas gerações, pois como é mencionado Raul é lenda e lendas não são explicadas e sim contadas.
  
  Feito com Efeito: Maaaaais uma semana estamos falando de um documentário e apesar da grande qualidade do filme, efeitos para comentarmos nessa parte da crítica não tem muitos como de costume, tem até alguns usos de pequenos videografismo quando aparecem algumas imagens e animações de fotos, imagens entrando e saindo, coisas desse tipo, também em alguns momentos ajudaram para melhorar imagens antigas e umas animações também nos créditos com os nomes dos entrevistados, mas no geral tem pouca coisa e nada que se destaque muito, por isso não vou me estender e encerro por aqui.
  
: Um documentário nem sempre é fácil de fazer, porque falar de alguém ou de alguma coisa é fácil, mas captar a essência disso e colocar na tela é muito mais difícil e é exatamente isso que vemos nesse filme de hoje, o documentário passa para quem tá vendo um pouco de quem era Raul, com se um pedaço dele tivesse sido trazido para os espectadores e pra isso é preciso muita dedicação. Por isso e eu me detivesse apenas em um destaque em especial estaria cometendo uma grande injustiça. Assim, vou ressaltar alguns pontos que achei muito bons antes de dar meu destaque principal.
  
  Para começar, um detalhe muito inusitado que foram descobrir nas pesquisas, que Raul sempre teve vontade de fazer cinema e mostram rascunhos de histórias desenhados por ele onde se coloca como o personagem principal e um texto que diz que um dia vai estar em Hollywood, mas em vida nunca realizou tal feito, quem sabem agora com um filme sobre sua vida, consegue chegar a ganhar os cinemas pelo mundo? Muito legal terem encontrado esse tipo de coisa e dado o devido valor.
  
  Outra cena que gostei muito foi um pequeno clipe dos Panteras, tocando juntos depois de muito tempo, em uma homenagem ao membro do grupo que se tornou mais famoso. Outra homenagem é a participação de Caetano Veloso, grande cantor da MPB falando da sua convivência com Raul e ainda falando que adora a letra da música “Ouro de tolo” e inclusive cantando um pedaço dela, a musica ficou engraçada na voz do baiano, com seu sotaque arretado, mas fica bonita e podemos notar sua emoção ao interpretar a música, um ótimo momento que foi muito bem executado e passa toda a intensidade da música de Raul.
  
  Sobre essa música, também é citada em certo momento que pela forma que é cantada, com a letra totalmente fora do andamento da melodia, seria uma forma de precursor do rap que conhecemos hoje, é uma forma interessante de ver, uma outra face que mostra como o cantor estava a frente de seu tempo.
  
  Como falei um filme com muitas coisas boas, por isso me prolonguei um pouco, mas vale à pena e digo com certeza que esse é um documentário que foi feito na intenção de homenagear e eternizar um ídolo e em uma época que acabamos de comentar por aqui do filme sobre o lutador AndersonSilva, um dos documentários mais marketeiros que eu já vi, é bom ver que tem pessoas que ainda entendem o significado real de deixar um legado sobre alguém nas telas do cinema.
  
  Com tudo isso meu destaque de hoje não poderia ser para ninguém, além do capitão que comandou o barco para que as coisas saíssem desse jeito, Walter carvalho realizou um grande trabalho e parece que adquiriu grande conhecimento dos quase 20 documentários que trabalhou em sua carreira com fotografia e hoje sabe, como bom fotógrafo, captar muito bem a alma e a essência das coisas e pessoas através de imagens, até porque não é o primeiro grande trabalho que faz em homenagem a um musico brasileiro, apesar de não ser um documentário essencialmente, com Cazuza – O Tempo Não Para. Sem esquecer os apoiadores Evaldo Mocarzel (Quebradeiras) e Leonardo Gudel que foram seus co-diretores e certamente tiveram papel importante no resultado final da obra, sendo que o segundo também foi responsável pelo roteiro. Foram quase 20 anos para terem coragem de desvendar a complexidade de Raul nos cinemas, mas no final das contas, foi um trabalho bem feito.
  
  Vou encerrando que já me estendi bastante e deixo também uma menção para a ótima edição de Pablo Ribeiro (Budapeste) que fez um excelente trabalho deixando o filme dinâmico e interessante, mesmo para quem nem conhecia bem o trabalho do músico e para o pessoal da pesquisa Antonio Venâncio e Remier Lion já que sem ela, nada disso seria possível.
  
  Marretão se vira aí que essa vai ser tensa pra vc hein!!! xD
   
Ed: Ihhh senhor!!! O douradinho se empolgou...não pode dar mole que a pessoa quer logo contar vantagem! Mas não se preocupe amiguinho de pernas juntas, por mais que tenham tentado me complicar, um filme que tem o Paulo Coelho e Pedro Bial como entrevistados, sempre tem alguma coisa pra eu comentar.
  
  E já que mencionei vou começar pelo Paulo, é difícil prestar atenção no que ele fala o tempo todo com aquela voz esquisita, o cara fala parecendo que não quer abrir a boca toda pra falar e a voz sai o tempo todo entre os dentes, chega uma hora que só dele aparecer já dava nervoso, será que ele usa dentadura?? E o que foi aquele takezinho dele atirando com o arco e flecha, se isso foi ideia da direção tenho que avisar que não foi uma boa ideia, ficou muito sem sentido...achei até que tinha entrado na sessão de Jogos Vorazes de novo por engano.
  
  Aquele maluco também (maluco nesse documentário é redundância né? Melhor especificar), Toninho Buda, dando a entrevista vestindo uma máscara de demônio hahauahuha que foi aquilo??  Já não estava esquisito o suficiente aquele papo sobre seitas e coisa do tipo?? E alguém percebeu que o Paulo Coelho ficou meio assustado quando soube que ainda consideram ele parte do culto, acho que ele nem dormiu direito depois...
  
  E o Bial...ahh Bial, ultimamente não consegue falar nada sem querer filosofar sobre o assunto, consegue ser cansativo mesmo no documentário e apesar de ser rápido, se repararem dá pra ver de relance, durante a entrevista recuperada que ele fez com Raul ainda em vida, ele barbudo e cabeludo parecendo o Rufuz o lenhador!!! Hauhauahu bom demais!!!
  
  E fechando as participações engraçadas (e terminando a minha por hoje também que só de lembrar desses caras to morrendo de rir aqui), repararam na Kika Seixas viajando enquanto a filha fala sobre o pai que pouco conheceu, praticamente esquece da câmera e ficou divagando, dorgas mano!!! E o cover de Raul que perdeu a mulher, po irmão já não é bonito, ainda vai batizar o filho sem a mulher saber? Ai não dá né parceiro!!!
  
  
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