sexta-feira, 27 de abril de 2012

Crítica da Semana -- À Toda Prova

  
  Galera, essa crítica, como vcs vão ver, é de um filme que estreou semana passada e não essa, minha semana foi indescritivelmente enrolada e não teve a menor condição de eu ir ao cinema ver uma estréia dessa semana, então coloquei a desse filme que eu estava devendo da semana passada no ar hoje, desculpem, mas foi tudo muito mais complicado do que eu previa, prometo tentar compensar na semana que vem fazendo duas críticas ok?!? =D
  
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  Ela desce a porrada
  
  Filmes de espionagem não são nenhuma novidade em Hollywood, mas ter Steven Soderbergh (Onze Homens e um Segredo), um diretor que tem um estilo muito próprio e gosta de inovar, já dá credibilidade ao filme de hoje, mas outra coisa que Soderbergh já mostrou que gosta de fazer é reunir um elenco estelar em seus filmes, como fez em Contágio e na trilogia Onze, Doze e Treze Homens. Dessa vez ele repete a dose de estrelas, mas trás também uma grande novidade tendo uma iniciante no cinema com protagonista de sua história e ela é, na verdade, a grande novidade da história, já que se trata de Gina Carano lutadora americana de MMA. E quem poderia ser melhor para representar uma espiã linha dura e que bate pakas, do que uma lutadora profissional??? Esse Soderbergh sempre tira uns coelhos da cartola... À Toda Prova é nosso filme de hoje.

  Ter uma lutadora no elenco é o grande trunfo do filme e o diretor faz questão de deixar isso claro nos primeiros 10 minutos com uma cena de pancadaria que já mostra todo poder de luta da personagem e por consequência a capacidade da atriz. A personagem vivida por Carano, a espiã Mallory Kane que além de ser um terror batendo e atirando, também é linda e sensual quando quer, caiu como uma luva para Carano que se saiu muito bem nesse papel, a lutadora já era considerada, por suas habilidades e beleza, a cara do MMA feminino nos Estados Unidos, já tendo inclusive feito um ensaio sensual para uma revista, então o que poderia ficar a desejar seria a atuação, por ser sua estréia no cinema, apensar de já ter tido participações em seriados norte americanos.
  
  Mas parece que ela contornou qualquer tipo de problema desse tipo, talvez tenha sido ajudada pelo grande elenco que esteve ao seu lado, nada melhor do que começar uma carreira cinematográfica com padrinhos como Channing Tatum (G.I. Joe - A Origem de Cobra), Ewan McGregor (Amor Impossível), Michael Fassbender (X-Men: Primeira Classe), Antônio Bandeiras (A Pele que Habito) e Michael Douglas (Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme). Com isso ela pareceu absorver bem a personagem e consegue ter boas variações, passando seriedade, força, feminilidade, além de um constante ar de deboche que combina perfeitamente com uma personagem que, por ser mulher, tende a não ser levada a sério, mas que como é dito pelo personagem de McGregor que é chefe da espiã “vê-la apenas como uma mulher, isso sim seria um grande erro”.
  
  A história é focada em uma missão para qual Mallory é especialmente requisitada e que depois de concluí-la a espiã se vê sendo perseguida por pessoas que deveriam estar do lado dela e começa a pensar que pode ter se envolvido em uma cilada. Soderbergh gosta de sequências rápidas e clipadas, com poucas falas e muito movimento, sempre com uma boa trilha de fundo para dar o clima nas cenas, como por exemplo, a cena da missão em questão quando os agentes vão resgatar um jornalista chinês e toda a operação é mostrada em poucos minutos, de forma muito dinâmica envolvendo até algumas cenas em preto e branco para valorizar os detalhes.
  
  Outra fama do diretor muito comentada em Hollywood é de gravar muito rápido, sem repetir muito as sequências e nesse quesito a gravação opera em grande parceria com a fotografia que é realizada pelo próprio Soderbergh que se utiliza de várias câmeras em diversas posições para explorara os diversos ângulos e para ressaltar as habilidades atléticas e principalmente de luta da atriz. Muitos movimentos característicos do MMA são utilizados e as cenas de luta têm poucos cortes para mostrar a veracidade dos movimentos, seja durante os combates ou em momentos de fuga como uma que acontece por cima de vários telhados que é muito boa.
  
  Outra coisa que chama muita atenção na fotografia é a utilização dos elementos naturais para valorizar a cena, como um anoitecer na casa do pai de Mallory, ou um por do sol em uma praia em um momento decisivo da trama, dentre muitos outros. Isso se enquadra bem ao estilo rápido de gravação comentado, porque é necessário não enrolar para poder fazer toda a sequência de cenas se utilizando de ambientes naturais. Inclusive, a cena na casa do pai da Mallory parece ter sido boa parte filmada apenas com iluminação natural.
  
  As atuações como não poderiam deixar de ser com um elenco desses, estão muito boas, apesar de algumas terem pouco destaque, como Bandeiras, por exemplo, que apesar de aparecer pouco, faz bem o papel de político sério, mas corrupto. Principalmente nas cenas que divide com Michael Douglas que também fica muito bem sempre que aparece.
  
  Apesar da qualidade do elenco, o roteiro não é muito complexo, nem bem trabalhado, a história é comum, sem muitas surpresas e com muitas inda e vindas no tempo. Podemos dizer que ela tem voltas, mas não reviravoltas, ou seja, é uma teia emaranhada de acontecimentos, mas que se dissolve facilmente, sem muitas puxadas de tapete. Para quem está esperando um filme cheio de surpresas no estilo Onze Homens e um Segredo pode se desapontar um pouco. Dessa vez foi priorizada a ação por conta das possibilidades que a atriz permitia e a história fica no básico, mas certamente é um bom filme pra quem curte sequências de ação, aliado a um bom elenco e principalmente gosta de lutas porque elas são o ponto alto do filme, até porque quando vc ver a Carano em ação, já vai ficar esperando quando virá a próxima cena de luta e quem ela vai desmontar na porrada dessa vez.
  
  Feito com Efeito: Atualmente quase não se faz um filme sem usar efeitos visuais, logo dizer que o filme não tem efeitos, principalmente se tratando e um filme de ação, não seria verdade, mas certamente os efeitos foram deixados totalmente em segundo plano, talvez pela vontade de Steve Sodenbergh de fazer um filme bem próximo da realidade, sem fakear muitas coisas, já que essa foi sua principal intenção quando pensou na lutadora para fazer o filme. Logo, se sua intenção é passar o máximo de realidade nas cenas, não faria sentido enche-las de efeitos visuais.
  
  Sendo assim, nossa participação nessa parte da crítica se resume a alguns momentos de cenas em preto e branco que certamente tiveram seu tratamento feito em computação e alguns outros poucos detalhes que não chegam a chamar atenção, como aqueles ajustes de cor e correções de imagem que já são de praxe. Por isso vou ficando por aqui...
  
: Nossa essa Gina é pauleira mesmo hein!!! A mulher bate mesmo e sem sombra de dúvida ela é que chama mais atenção e apesar a pouca experiência é o grande destaque dentro do contexto do filme, além da luta, mostra que tem outras habilidades e que é capaz de atuar muito bem, certamente tem um futuro promissor nas telonas.
  
  Mas apesar de tudo, meu destaque pessoal não vai pra ela. Se ela teve a chance de demonstrar todo esse potencial foi graças a Steve Sodenbergh que teve coragem para não só colocar uma iniciante para protagonizar um filme, mas também por colocar uma melhor como personagem principal em um estilo de filme praticamente dominado por homens. Parem pra pensar...são realmente muito poucos (eu diria nenhum, mas minha memória pode estar me traindo) os filmes de espionagem onde uma mulher é a principal agente de uma equipe, geralmente elas estão por ali, como aliadas, parte da equipe ou par romântico, mas não como a melhor matadora da equipe.
  
  Além disso, não só a colocou para fazer o papel, com deu todo o suporte necessário para prepará-la, como treinamentos com um especialista em espionagem e facilitando o contato dela com os outros atores (detalhe ela é a única mulher do time de espiões) que contribuíram e fizeram ela se desenvolver em cena de forma a fazer um grande trabalho, óbvio que como eu disse antes mérito dela também pelo trabalho, mas por tudo que cite agora meu destaque de hoje vai para a direção de Steve que ainda já faz parte da família e certamente quer ficar mais íntimo ainda, apesar de não achar que com esse filme vá conseguir algo mais, já que apesar dos bons momentos, peca em outros quesitos, mas isso é assunto pro mãos de chumbo aí em baixo.
  
Ed: Valeu estatueta!!! Como meu amigo aí de cima antecipou, Sodenbergh parece que entrou em uma série complicada de filmes, depois de não ter conseguido um bom resultado com Contágio, nesse tinha talvez até material para conseguir melhorar, mas caiu em um erro que para um diretor rodado como ele nem eu esperava, priorizou a ação (talvez por conta do material humano que tinha) e esqueceu a história, o roteiro fraco e sem força acaba deixando o conjunto da obra bem menos interessante do que poderia ser. A história tenta enrolar o público dando voltas, mas no fundo não foge clássico e manjado roteiro de filme de espiões. Alguns podem até chamar de inspiração ou referência, eu chamo de falta de criatividade.
  
  Também tem a sequência de coisas que vão acontecendo ao mesmo tempo, parece que precisam explicar muita coisa em pouco tempo e tudo parece que fica muito rápido, não tem muita preocupação em mostrar a estratégia da espionagem, mais uma vez prioriza a ação e a pancadaria. Inclusive “sequência de coisas” é maneira de dizer já que a história ficar indo e voltando enquanto ela conta o que aconteceu para um completo estranho, que tenta ser a parte bem humorada da história, sem muito sucesso.
  
  E para não deixar os clichês de lado, ainda que as lutas possam ficar mais reais pelas habilidades da Carano, vale lembrar que o restante do elenco não luta como ela, então algumas coreografias são bem forçadas, principalmente quando ela luta com o Fassbender, ele pelo jeito não brigou nem quando era criança com os coleguinhas de rua, porque ele não convence nem um pouco, parece que ele tá com medo dela machucar aquele rostinho almofadinha.
  
  E por falar em lutas forçadas, coreografia e movimentos de MMA à parte, repararam como quebra vidro pra tudo que é lado nesse filme ninguém se corta?!? Tem uma hora, na luta com o Fassbender inclusive, que ele joga a menina é uma estante toda de vidro e cheia de objetos de cristal... Ela quebra TODOS os vidros, mas sai sem UM curte, faça-me o favor né pessoal??? Até a próxima galera.
  
  

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