quinta-feira, 31 de maio de 2012

Crítica da Semana -- MIB³ - Homens de Preto 3


  
  Retorno de outro mundo
  
  Desde quando essa série começou em 1997 é difícil ter alguém que quando vê um homem de terno preto com óculos escuros, ou fala-se em algum assunto sobre seres extraterrestres, não fale, ou pelo menos se lembre deles. Muito se discutiu sobre eles serem reais ou ficção, se o fato de fazerem um filme bem leve sobre o assunto não seria uma forma de esconder a real existência desses agentes especiais, mas nada de fato foi conclusivo. Fato é que hoje, 15 anos após sua primeira aparição nos cinemas, os agentes K e J estão de volta para sua 3ª missão para salvar o planeta Terra. É claro que vc sabe quem eles são... Eles são a MIB³ - Homens de Preto 3.

  Estando à frente da produção pela terceira vez seguida o diretor Barry Sonnenfeld (Férias no Trailer) teve seu trabalho bastante contestado depois do último filme que não agradou muito, houve inclusive uma especulação de que Michael Bay (Transformers: O Lado Oculto da Lua) estaria interessado em assumir esse novo projeto, mas no final Sonnenfeld manteve-se na direção. Porém pela primeira vez a série contou com Etan Cohen (Trovão Tropical) para escrever o roteiro do longa e parece que a parceria entre ambos deu um resultado melhor e que agradou mais a todos de uma forma geral, pois mesmo que não gosta da série, tem dito que esse é o melhor dos três.
  
  Pessoalmente gosto da franquia, tudo bem não é nenhuma obra prima, mas como um filme que não tem a intenção de ser Cult e sim de ser um “blockbuster” pelo menos faz isso de forma interessante, com uma temática agradável e irreverente. Sem falar na dupla de protagonistas Will Smith (Sete Vidas) e Tommy Lee Jones (Capitão América: O Primeiro Vingador) que têm uma boa química e ficam muito a vontade fazendo seus personagens. Entre os três filmes, gosto muito do texto e do argumento do primeiro (claro que o fator novidade, na época, conta), mas certamente esse é bem melhor que o segundo que ficou bem abaixo dos outros, até porque tomou uma abordagem muito banal e tentou apelar mais para o humor barato. Mas nesse novo o roteiro bem trabalhado voltou a agradar bastante.
  
  Na história, um temido vilão do espaço da raça dos bogloditas, Boris “O Animal”, que K havia prendido há muito anos, foge da cadeia e volta ao passado, através de um dispositivo de viagem temporal, para matar K antes que ele pudesse prendê-lo. E isso muda seu destino, o destino dos bogloditas e principalmente da vida na Terra. Ao perceber o que houve, o Agente J voltará também ao passado para salvar a vida de seu parceiro e juntos, mais uma vez impedir a destruição da Terra.
  
  Como disse uma coisa que sempre gostei em MIB é a interação da dupla Smith e Jones, com boa parte desse filme acontece no passado, Josh Brolin (Bravura Indômita) é quem vive a versão mais nova do personagem K e me preocupava que talvez eles pudessem não ter o mesmo desempenho juntos. Porém, Brolin se saiu muito bem, não só manteve a boa química com Smith como também deu seu toque pessoal ao personagem de forma muito boa e soube manter os aspectos criados por Jones que são importantes para a história.
  
  Falando em voltar ao passado esse período do filme se passa na década de 60 e a reprodução do visual de época, seja pelos lugares, roupas, hábitos ou estilos foram muito bem recriados e conseguem trazer para a tela uma nostalgia ainda que caricata dos hábitos da época. E o personagem do unicórnio que eles encontram opor lá, interpretado por Michael Stuhlbarg (A Invenção de Hugo Cabret) é ótimo, com frases de efeito e um texto muito doido que envolve prever várias versões diferentes de futuro a cada segundo, de acordo com as ações tomadas. Talvez uma das melhores ideias do filme.
  
  Todos os filmes da franquia sempre forma cheios de efeitos, como alienígenas estranhos coisas explodindo e cabeças sendo estouradas e a projeção 3D ressalta bastante esse aspecto do filme deixado os visuais bem legais e valorizando os efeitos principalmente os de explosões de coisa gosmentas e outras coisas. Tudo isso unido a uma boa história com reviravoltas temporais bem inteligentes e um final nada enfadonho e ainda com um ar leve e divertido, com piadas que voltaram a usar um humor inteligente e não piadas de humor pastelão (apesar de ainda te momentos de piadas meio fracas), sobrando até uma piadinha para o presidente Barack Obama.
  
  Pode não ser nenhuma obra prima do cinema, mas para o que se propõe e para uma série que eu acreditava que não tinha mais nada pra mostrar até que o resultado foi positivo. Tenho certeza que vai agradar alguns menos exigentes que gostem desse estilo de filme e é um bom programa para se divertir com  família no final de semana. Quanto a futuros projetos para os vigilantes do universo ainda não se sabe muito, se não fosse bem de novo poderia ser o fim da série, mas do jeito que foi, e tendo estreado em primeiro lugar, sendo o primeiro a conseguir bater Os Vingadores depois de 4 semanas, me arrisco a dizer que ainda veremos mais Homens de Preto por aí.
  
  Feito com efeito: MIB sempre teve bastante de sua essência baseada nos efeitos visuais, inclusive algumas novidades trazidas no primeiro foram o que chamou a atenção para a série logo de cara. Nesse 3º filme pela primeira vez temos a utilização da tecnologia de projeção 3D e como já falei um pouco na crítica a equipe de efeitos soube muito bem como usar isso a seu favor, os efeitos ficaram bem mais interessantes e foram utilizados de forma inteligente, porque quando pensei em alienígenas explodindo em 3D achei que vinha aquela chuva de gosma verde e tiros lasers voando toda hora na direção da tela, e já está mais que provado que não precisa disso pra um bom 3D e nesse caso usaram muito bem e achei que valeu a pena ver em 3D.
  
  Fora isso as criaturas também ficaram bem legais, umas meio batidas já, como por exemplo, o peixe gigante que lembra o estilo do verme enorme que apareceu no segundo filme, mas o inimigo principal tem uns efeitos bem maneiros, com dedos que abrem na palma da mão de onde sai uma criaturinha que ande e atira espinhos, muito doido. E as criaturas do passado fazem referencia à como os aliens eram vistos naquela época, bela sacada.
  
  Mas as duas cenas que eu gostei mais são o momento da viagem no tempo quando o J salta do Empire State Building e a cena tem uma composição maneira com naves em um cenário muito legal. E quando ele vai caindo, a viagem no tempo é muito boa, tem até uma piada com a quebra da bolsa de valores americana, prestem atenção.
  
  E a outra cena que eu vou falar pouco para não estragar, mas os caras reconstroem o lançamento da Apollo 11, primeira nave a ir a Lua (tudo bem existem teorias contra isso, mas até o hoje é o mais aceitado), gostei muito da reconstrução e toda hora mostram as famílias em casa vendo o lançamento, já que foi um momento que parou o mundo todo e principalmente os Estados Unidos.
  
: Confesso que achei que essa franquia estava indo pra um caminho que não ia dar muito mais em nada e que esse tinha boas chances de ser o último esforço. Porém esse novo filme parece dar novo fôlego à série - não que eu queira dizer que deva ter outro, porque franquias precisam saber a hora de acabar – mas acho que se for para acabar acabou de forma digna (ainda que eu não ache que isso vá acontecer). O texto voltou a ser interessante e a história de uma forma geral se superou, a temática da viagem no tempo, com quebras de paradigmas temporais e distorções na linha do tempo criam um clima de descobertas constantes onde cada cena é ligada a próxima de forma a prender o espectador. E tudo isso leva a um final bem interessante, onde são trabalhados conceitos e dúvidas que existiam desde o primeiro filme. E talvez essa tenha sido a grande sacada de Cohen ao escrever o roteiro, se preocupar com o contexto geral da série como um todo, mantendo os fatos bem ligados aos filmes anteriores. Falando nisso, senti falta do Frank, o cachorro que trabalha na MIB e que chega a ser parceiro do J no segundo filme, ele não participa deste, mas se notarem tem sutis homenagens/referencias a ele.
  
  E por esse bom roteiro, principalmente pelas reviravoltas causadas por viagens no tempo e por usar a década de 60 muito bem como plano de fundo, que meu destaque de hoje fica para Etan Cohen que conseguiu melhor muito as expectativas e caso a série continue (o que como já disse é bem provável) que pelo menos ele continue escrevendo.
  
  E aproveito o momento para desfazer uma confusão que andei percebendo por aí. Este Etan Cohen que escreveu esse roteiro NÃO é a mesma pessoa que Ethan Coen que também é roteirista e escreveu filmes como Bravura Indômita, Queime depois de Ler e Onde os Fracos não Têm Vez, é irmão de Joel Coen (Bravura Indômita) e amigo íntimo da família já que tem 4 Oscars em casa. Sim é só um “h” que muda de posição, mas faz muita diferença, por isso cuidado para não sair por aí falando besteira.
  
Ed: Detesto quando tenho essas decepções, já tava achando que esse ia tá no papo, aliás, pelos comentários aí em cima, ninguém tava levando muito fé nessa continuação né? E eu que achei que ia ter um monte de coisa pra falar mal...enfim não adianta chorar o leite derramado, vamos em frente e falar do que tem pra falar.
  
  Apesar da já tão falada renovação, os antigos clichês continuam na área, um “blockbuster” e clichê é quase como internet com gente chata, por mais que vc evite tem sempre alguns que aparecem! E MIB gosta muito disso, quedas de metros de altura que fica tudo bem, bichos enormes com mandíbulas imensas que não quebram uma simples bandeja e coisas desse tipo acontecem algumas vezes.
  
  Teve também uma tentativa de piada que ficou no vazio, em uma das primeiras sequências de J na MIB do passado levam ele a um neuralizador gigante como se no passado ainda não tivessem inventado, o pequeno e portátil do presente. E depois vemos K usando um portátil na cintura, muito mais antigo sim, mas portátil. Então alguém pelos raios quer me explicar pra que aquele trambolho gigante?!?
  
  É e acho que já vou ficando por aqui, uma pena porque esse eu acreditava que teria bastante coisa ruim pra falar, principalmente pelos problemas que teve com elenco e roteiro, que geralmente dá uma atrapalhada nas produções, mas talvez ainda tenham chance de afundar a série, caso não tenha acabado nesse.
  
  





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