sexta-feira, 15 de junho de 2012

Crítica da Semana -- Para Sempre



Simples, porém bem estruturado
   
  E se um belo dia a pessoa que vc ama e escolheu para ficar do seu lado, não se lembra mais de você? Para ser sincero esse não é um tema que dê para chamar de novo no cinema. Basta parar pra pensar um pouquinho que com certeza vem à cabeça um filme que envolva perda de memória (sem trocadilho, é claro). Nesse caso, a história escrita pelo estreante roteirista Stuart Sender é baseada em fatos reais e retrata a vida de um casal que após sofrerem um acidente de carro, a esposa não se lembra mais do marido. O filme foi roteirizado pelo também estreante nos cinemas Jason Katims (já escreveu roteiros para algumas séries americanas), em parceria com a dupla que trabalhou junta em Idas e Vindas do Amor e Nunca Fui Beijada, Marc Silverstein e Abby Kohn. Rachael McAdams (SherlockHolmes: O Jogo de Sombras) e Channin Tatum (À Toda Prova) vivem esse casal que terá que reencontrar o caminho de volta para seu amor em Para Sempre.

  Dirigido por Michael Sucsy que faz sua estreia nos cinemas, o filme, nas primeiras cenas, nos apresenta um casal que aparenta ser muito feliz na vida que levam juntos, mas logo de cara vemos que um terrível acidente acontece e aos poucos vamos vendo como as coisas aconteceram até chegar no fatídico momento. Leo e Paige se conheceram de forma bastante casual em uma fila, o rapaz toma coragem e convida a linda jovem para sair. Daí pra frente as afinidades dos dois fazem as coisas caminharem naturalmente para uma grande paixão. Ela artista plástica leva um estilo de vida bem alternativo que combina muito com o do rapaz que tem uma gravadora e tem pequenos clientes, como músicos iniciantes, e antes que se perceba, eles se casam. Mais tudo muda quando, o forte trauma na cabeça que ela sofre com o acidente, faz com que esqueça seu marido, assim como todos os últimos anos da sua vida.
  
  Perda de memória é sempre um bom tema porque gera conflitos complicados de serem resolvidos durante a história, mas justamente por isso o tema já foi vastamente utilizado e não é simples inovar quando se trata desse estilo. Porém, o ponto forte da trama aqui acontece por ela ter um estilo duplo de vida. Se quando o casal se conheceu ela era do tipo alternativa, inclusive vegetariana, o inicio de sua vida foi bem diferente, já que sua família é de origem rica e levam um estilo de vida elitizado  que não combina nada com o tipo de vida que ela tinha quando o casal se conheceu. E é justamente para essa vida antiga que sua memória retorna, na suas novas lembranças ela inclusive ainda cursa a faculdade de direito que havia abandonado e era noiva de outra pessoa – e é claro come carne. Essa completa inversão de valores de uma hora para outra é que dá um ar diferenciado na trama.
  
  O conflito geral consegue ser bem estruturado e ter força em determinados momentos, apesar de disso, a história em alguns momentos cai em coisas um pouco repetitivas e clichês pelo estilo já bastante explorado do texto. Algumas piadas boas com a perda de memória dela, que acontecem de forma bem natural, deixam o clima da história mais interessante de assistir.
  
  No elenco, McAdams está bem. Suas expressões chocadas e sem entender o que está acontecendo passa muita verdade. Channing Tatum tem bons momentos, mas achei ele meio sem expressão às vezes. Ao contrário dela, ele não convece na hora de passar verdade, falta um pouco de preocupação para alguém que esta vendo que vai perder a mulher que ama, leva tudo muito tranquilamente na maior parte do tempo. Outro que merece destaque pela atuação solida é o veterano Sam Neill (Jurassic Park III), que faz o pai arrogante e pretensioso da menina, apesar de seu personagem ter pouco destaque, quando aparece tem bastante força em cena.
  
  A história mantém um clima cíclico de retorno as mesma situações, essa ideia já fica marcada nas falas em off de Leo (Tatum) quando diz que: Nossa vida e nossas lembranças são construídas por momentos-chave que nos marcam, e definem o que você é e como sua vida vai ser. E se repararmos esses momentos marcantes, tende a se repetir seja em cenários ou situações. E se não dá para dizer que o final é imprevisível, pelo menos os caminhos que levam até ele são bem trabalhados e a virada principal do filme acontece de forma bastante natural. No final das contas, tem um lado bem positivo e o resultado final acabou sendo melhor do que eu esperava, acho que para o público certo - sem muitas expectativas - pode ter um impacto positvo.
  
  Feito com Efeito: Geralmente esse tipo de filme – leia-se romance – não tem muito trabalho para a galera dos efeitos e isso é uma coisa que quem acompanha o blog, com ceteza já reparou que eu falo com frequência e de uma forma geral esse não foge ao protocolo, mas felizmente hoje temos pelo menos uma ótima cena para comentar.
  
  Como foi dito na crítica, a cena que começa toda a trama da história é um acidente de carro violentíssimo e a cena - que geralmente nesses casos é feita com um corte e o barulho da batida, o pelo menos só mostrando o carro sendo amassado de fora - nesse filme foi muito bem feita mostrando uma visão aproximada. E na sequência da batida, mostra todo o movimento do casal dentro do carro,  a cena tenta reproduzir como se tudo fosse tudo visto em super slow (para quem ainda não sabe, é uma camera que vem sendo muito usada que mostra detalhes em camera muito lenta e com muita precisão, tem sido bastante usada inclusive nos esportes). O resultado é uma cena muito bem trabalhada, com um realismo que chama a atenção e que é muito pouco comum nesse tipo de produção, confesso que fiquei impressionado quando vi.
  
  Infelizmente não vou detalhar muito o que acontece na cena, porque acho que tiraria um pouco do impacto de ver pela primeira vez, mas garanto que quem curte um bom efeito vai achar legal. E depois dessa cena que é logo nos primeiros minutos de filme, comentar qualquer outra (já que quase não tem nada) se torna desnecessário. Por isso fico por aqui.
  
: Depois do românce que tivemos aqui na última crítica, já fui até meio preocupado ver esse, achei que vinha outra pedreira pra cima de mim, mas apesar de não ser nada que vá conseguir alguma coisa além de uns supiros de meninas românticas e entreter casais apaxonados, pelo menos tem alguns pontos interessantes.
  
  E um deles é o que eu acho que merece meu destaque de hoje, já que é justamente isso que salva o filme. Porque com uma história dessa, tende sempre a um final previsível, mas sendo inspirada em fatos reais, pode deixar a gente na dúvida em alguns – poucos - momentos. E independente do final, a forma como a história é conduzida para ele é bem interessante, evitando – tanto quanto possível – os clichês e fugindo das viradas forçadas que geralmente acontecem à baldes. Essa forma de abordagem é que faz o filme ter um diferencial e não ser mais um filme de românce qualquer.
  
  Dessa vez não vou destacar nomes ou funções específicas porque esse tipo de escolha que destaquei, geralmente é um resultado de um esforço conjunto da direção e roteiro, e não seria justo falar de um só, por isso fico com o resultado como destaque. Ainda mais, por se tratar de uma equipe com bastante iniciantes. O diretor, que faz sua estreia na função para o cinema, e 2 dois 4 que participaram do roteiro também escrevem pela primeira vez. E quem leu a última crítica viu que começar a trabalhar com algo diferente não é tão simples.
  
Ed: Eu fui assistir esse com um pensamento diferente do amarelão aqui em cima, nem pensei que fosse ser fácil como o último, duas críticas seguidas nessa facilidade pra mim... é esperar de mais da minha boa sorte!!! Mas como filmes de romance são minha especialidade de esmagar, também não dá pra dizer que deu trabalho.
  
  Pelo menos o Sucsy e a equipe de roteiristas se esforçaram, mas fugir de mim não é tão fácil. Uma coisa que me incomoda, para começar, é esse amor incondicional que eles tentam colocar no personagem do Tatum. A mulher quebrou a cabeça, o cara tá atrás dela o tempo todo tentando ajudar e a mulher só esculhamba o cara. Ele demora uma eternidade pra explodir com ela – aí os mais românticos vão dizer: - Ahh Ed, mas a menina tava mal e doente. Queria ver se fosse com vcs, se iam ter aquela tranquilidade.
  
  Dos clinchês , eu vou até me abster de falar (aprendi a palavra abster ontem, e queria muito usar. Não sabe o que é? Vai ler um dicionário!!!), já que sempre têm e já até falaram neles antes de mim na crítica de tão comum que já são. Com excessão de um deles que é gritante demais para eu não falar. Pensem só...A mulher do cara acabou de perder toda a memória recente da vida dela. Aí a  mulher sai do hospital e o que o cara faz? Leva ela para uma festa supresa na casa dele!!! Ahh claro...a mulher não lembra nem de ter casado com ele, mas vai lembra de todos os amigos que eles tinham e adorar ver um monte de gente que ela não sabe quem é falando com ela!!! ¬¬
  
  Aí depois tentam amenizar fazendo ela reclamar justamente da idiotice que ele fez, mas faça me o favor né, claramente foi só pra criar um clima “bad”, porque quem, em sã consiencia, faria isso?!? E com essa eu me despeço de vcs, uma forte martelada para todos.
  
  
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