Simples, porém bem estruturado
E se um belo dia a pessoa que
vc ama e escolheu para ficar do seu lado, não se lembra mais de você? Para ser
sincero esse não é um tema que dê para chamar de novo no cinema. Basta parar
pra pensar um pouquinho que com certeza vem à cabeça um filme que envolva perda
de memória (sem trocadilho, é claro). Nesse caso, a história escrita pelo
estreante roteirista Stuart Sender é baseada em fatos reais e retrata a vida de
um casal que após sofrerem um acidente de carro, a esposa não se lembra mais do
marido. O filme foi roteirizado pelo também estreante nos cinemas Jason Katims
(já escreveu roteiros para algumas séries americanas), em parceria com a dupla
que trabalhou junta em Idas e Vindas do
Amor e Nunca Fui Beijada, Marc
Silverstein e Abby Kohn. Rachael McAdams (SherlockHolmes: O Jogo de Sombras) e Channin Tatum (À Toda Prova) vivem esse casal
que terá que reencontrar o caminho de volta para seu amor em Para Sempre.
Dirigido por Michael Sucsy que faz sua
estreia nos cinemas, o filme, nas primeiras cenas, nos apresenta um casal que
aparenta ser muito feliz na vida que levam juntos, mas logo de cara vemos que
um terrível acidente acontece e aos poucos vamos vendo como as coisas
aconteceram até chegar no fatídico momento. Leo e Paige se conheceram de forma
bastante casual em uma fila, o rapaz toma coragem e convida a linda jovem para
sair. Daí pra frente as afinidades dos dois fazem as coisas caminharem
naturalmente para uma grande paixão. Ela artista plástica leva um estilo de
vida bem alternativo que combina muito com o do rapaz que tem uma gravadora e
tem pequenos clientes, como músicos iniciantes, e antes que se perceba, eles se
casam. Mais tudo muda quando, o forte trauma na cabeça que ela sofre com o
acidente, faz com que esqueça seu marido, assim como todos os últimos anos da
sua vida.
Perda de memória é sempre um bom tema
porque gera conflitos complicados de serem resolvidos durante a história, mas
justamente por isso o tema já foi vastamente utilizado e não é simples inovar
quando se trata desse estilo. Porém, o ponto forte da trama aqui acontece por
ela ter um estilo duplo de vida. Se quando o casal se conheceu ela era do tipo
alternativa, inclusive vegetariana, o inicio de sua vida foi bem diferente, já
que sua família é de origem rica e levam um estilo de vida elitizado que não combina nada com o tipo de vida que
ela tinha quando o casal se conheceu. E é justamente para essa vida antiga que
sua memória retorna, na suas novas lembranças ela inclusive ainda cursa a
faculdade de direito que havia abandonado e era noiva de outra pessoa – e é
claro come carne. Essa completa inversão de valores de uma hora para outra é
que dá um ar diferenciado na trama.
O conflito
geral consegue ser bem estruturado e ter força em determinados momentos, apesar
de disso, a história em alguns momentos cai em coisas um pouco repetitivas e
clichês pelo estilo já bastante explorado do texto. Algumas piadas boas com a
perda de memória dela, que acontecem de forma bem natural, deixam o clima da
história mais interessante de assistir.
No elenco,
McAdams está bem. Suas expressões chocadas e sem entender o que está
acontecendo passa muita verdade. Channing Tatum tem bons momentos, mas achei
ele meio sem expressão às vezes. Ao contrário dela, ele não convece na hora de
passar verdade, falta um pouco de preocupação para alguém que esta vendo que
vai perder a mulher que ama, leva tudo muito tranquilamente na maior parte do
tempo. Outro que merece destaque pela atuação solida é o veterano Sam Neill (Jurassic Park III),
que faz o pai arrogante e pretensioso da menina, apesar de seu personagem ter
pouco destaque, quando aparece tem bastante força em cena.
A história
mantém um clima cíclico de retorno as mesma situações, essa ideia já fica
marcada nas falas em off de Leo (Tatum) quando diz que: Nossa vida e nossas lembranças
são construídas por momentos-chave que nos marcam, e definem o que você é e
como sua vida vai ser. E se repararmos esses momentos marcantes, tende a se
repetir seja em cenários ou situações. E se não dá para dizer que o final é
imprevisível, pelo menos os caminhos que levam até ele são bem trabalhados e a
virada principal do filme acontece de forma bastante natural. No final das
contas, tem um lado bem positivo e o resultado final acabou sendo melhor do que
eu esperava, acho que para o público certo - sem muitas expectativas - pode ter
um impacto positvo.
Feito com Efeito: Geralmente
esse tipo de filme – leia-se romance – não tem muito trabalho para a galera dos
efeitos e isso é uma coisa que quem acompanha o blog, com ceteza já reparou que
eu falo com frequência e de uma forma geral esse não foge ao protocolo, mas
felizmente hoje temos pelo menos uma ótima cena para comentar.
Como foi dito
na crítica, a cena que começa toda a trama da história é um acidente de carro
violentíssimo e a cena - que geralmente nesses casos é feita com um corte e o
barulho da batida, o pelo menos só mostrando o carro sendo amassado de fora -
nesse filme foi muito bem feita mostrando uma visão aproximada. E na sequência
da batida, mostra todo o movimento do casal dentro do carro, a cena tenta reproduzir como se tudo fosse
tudo visto em super slow (para quem ainda não sabe, é uma camera que vem sendo
muito usada que mostra detalhes em camera muito lenta e com muita precisão, tem
sido bastante usada inclusive nos esportes). O resultado é uma cena muito bem
trabalhada, com um realismo que chama a atenção e que é muito pouco comum nesse
tipo de produção, confesso que fiquei impressionado quando vi.
Infelizmente
não vou detalhar muito o que acontece na cena, porque acho que tiraria um pouco
do impacto de ver pela primeira vez, mas garanto que quem curte um bom efeito
vai achar legal. E depois dessa cena que é logo nos primeiros minutos de filme,
comentar qualquer outra (já que quase não tem nada) se torna desnecessário. Por
isso fico por aqui.
Zé:
Depois do românce que tivemos aqui na última crítica, já fui até meio preocupado ver esse, achei que
vinha outra pedreira pra cima de mim, mas apesar de não ser nada que vá
conseguir alguma coisa além de uns supiros de meninas românticas e entreter
casais apaxonados, pelo menos tem alguns pontos interessantes.
E um deles é o
que eu acho que merece meu destaque de hoje, já que é justamente isso que salva
o filme. Porque com uma história dessa, tende sempre a um final previsível, mas
sendo inspirada em fatos reais, pode deixar a gente na dúvida em alguns –
poucos - momentos. E independente do final, a forma como a história é conduzida
para ele é bem interessante, evitando – tanto quanto possível – os clichês e
fugindo das viradas forçadas que geralmente acontecem à baldes. Essa forma de
abordagem é que faz o filme ter um diferencial e não ser mais um filme de
românce qualquer.
Dessa vez não
vou destacar nomes ou funções específicas porque esse tipo de escolha que
destaquei, geralmente é um resultado de um esforço conjunto da direção e
roteiro, e não seria justo falar de um só, por isso fico com o resultado como
destaque. Ainda mais, por se tratar de uma equipe com bastante iniciantes. O diretor,
que faz sua estreia na função para o cinema, e 2 dois 4 que participaram do
roteiro também escrevem pela primeira vez. E quem leu a última crítica viu que
começar a trabalhar com algo diferente não é tão simples.
Ed: Eu
fui assistir esse com um pensamento diferente do amarelão aqui em cima, nem
pensei que fosse ser fácil como o último, duas críticas seguidas nessa facilidade pra mim... é esperar
de mais da minha boa sorte!!! Mas como filmes de romance são minha
especialidade de esmagar, também não dá pra dizer que deu trabalho.
Pelo menos o Sucsy e a equipe de
roteiristas se esforçaram, mas fugir de mim não é tão fácil. Uma coisa que me
incomoda, para começar, é esse amor incondicional que eles tentam colocar no
personagem do Tatum. A mulher quebrou a cabeça, o cara tá atrás dela o tempo
todo tentando ajudar e a mulher só esculhamba o cara. Ele demora uma eternidade
pra explodir com ela – aí os mais românticos vão dizer: - Ahh Ed, mas a menina
tava mal e doente. Queria ver se fosse com vcs, se iam ter aquela
tranquilidade.
Dos
clinchês , eu vou até me abster de falar (aprendi a palavra abster ontem, e
queria muito usar. Não sabe o que é? Vai ler um dicionário!!!), já que sempre
têm e já até falaram neles antes de mim na crítica de tão comum que já são. Com
excessão de um deles que é gritante demais para eu não falar. Pensem só...A
mulher do cara acabou de perder toda a memória recente da vida dela. Aí a mulher sai do hospital e o que o cara faz?
Leva ela para uma festa supresa na casa dele!!! Ahh claro...a mulher não lembra
nem de ter casado com ele, mas vai lembra de todos os amigos que eles tinham e adorar
ver um monte de gente que ela não sabe quem é falando com ela!!! ¬¬
Aí depois tentam amenizar fazendo ela reclamar
justamente da idiotice que ele fez, mas faça me o favor né, claramente foi só
pra criar um clima “bad”, porque quem, em sã consiencia, faria isso?!? E com
essa eu me despeço de vcs, uma forte martelada para todos.
