quarta-feira, 11 de julho de 2012

Crítica da Semana -- O Espetacular Homem-Aranha


  
Tecendo uma nova teia
  
  Tendo seu primeiro filme lançado em uma época que a Marvel tentava emplacar algum grande sucesso com seus heróis no cinema e tendo sido a primeira explosão de bilheteria da Marvel Studios, que abriu as portas, definitivamente, para a chegada dos heróis dos quadrinhos ao cinema, o aracnídeo tem uma história de sucesso nas telonas, que foi dirigida por Sam Raimi (Arraste-me para o Inferno) e encarnado na pele de Tobey Maguire (Entre Irmãos). Agora, dez anos depois, com as telonas literalmente sendo invadidas por vários super heróis (inclusive um time deles em Os Vingadores - The Avengers) e com Raimi tendo encerrado sua sequência de filmes em 2007 com Homem-Aranha 3, a Marvel decidi recontar a história de um de seus super heróis mais famosos do zero, com novo elenco, nova direção e uma abordagem diferente da que os fãs se acostumaram. Inovar é sempre uma boa ideia, mas para fazer isso com um personagem de tanto prestígio é preciso certos cuidados. Como será essa nova fase do escalador de paredes nos cinemas? É o que vamos descobrir nesse novo começo com estreia de O Espetacular Homem-Aranha.
  
  Quem assume as rédeas dessa nova empreitada é Marc Webb ((500) Dias com Ela) e quem passa a vestir a máscara é Andrew Garfield (A Rede Social) e alguns dias antes de sua estreia nos cinemas a Sony Pictures, produtora do filme, já confirmou que se trata de uma nova trilogia que vem por aí. Meu primeiro pensamento desde que o filme foi anunciado foi: É cedo demais. Fazem apenas 5 anos que vimos pela última vez a outra versão e agora já teremos que nos acostumar com uma roupagem diferente, isso já me preocupava antecipadamente, até porque sou um fã do atirador de teias desde os quadrinhos.
  
  Porém minha impressão ao sair da sala de cinema foi dividida, ao mesmo tempo que mantive minha sensação de ser muito precoce, o que faz ficar impossível ver sem comparar ao anterior, ainda mais pelas modificações que acontecem na história como a conhecemos desde os gibis, também fiquei com a impressão, pelo menos inicial, de ter gostado mais do personagem em si nessa nova versão. Achei o Aranha muito mais parecido com o do desenho e dos quadrinhos, com um jeito mais jovial (ainda que em alguns momentos seja moleque demais), mais irreverente e sarcástico, com piadas mais inteligentes, naturais e dentro do estilo do personagem, e menos do humor bobo que às vezes acontecia nos filmes anteriores. E gostei da atuação de Garfield achei que ele entendeu bem o espírito do personagem e conseguiu trazer um Aranha bem diferente (pode ter até que prefira o anterior, mas não dá pra negar que está bem diferente).
  
  Outro ponto que gostei bastante foi a criação do super herói, achei que a forma com ele vai aprendendo os movimentos, aprendendo a se pendurar nas coisas e vendo o que sabe fazer (ao som de Coldplay em uma cena específica), bem mais interessante do que a forma mais simples e direta como foi feita no de Raimi. Sem falar é claro na criação do atirador de teias com fluído do mesmo jeito que é nas histórias (aquela teia saindo do braço dele, tenho que confessar, foi uma coisa que sempre detestei nos primeiros filmes).
  
  Por outro lado, a forte tendência em tratar das responsabilidades de ser um super herói e das dificuldades que isso acarreta para quem tem de suportar o peso da máscara foram minimizados, em alguns momentos podemos ainda sentir a presença dessas pequenas lições de moral, mas o ambiente mais juvenil da história parece ter feito com que o diretor optasse por deixar tudo isso em segundo plano, pelo menos a princípio. Até mesmo a fala característica das histórias do herói, “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades” fica apenas subentendida.  Porém a preocupação em humanizar e ligar o herói a algo mais real, principalmente mostrando um herói que chega em casa no fim do dia todo quebrado e passa por crises pessoais, é muito bem utilizada.
  
  No restante do elenco, conhecemos a primeira paixão de Peter Parker, Gwen Stacy, vivida por Emma Stone (Histórias Cruzadas) com quem Peter tem uma relação muito diferente da com M.G Watson, já que não leva muito tempo pra ela ficar sabendo dos poderes do rapaz e ela acaba sendo mais próxima a ele já de início, mas fica a cargo dela também a maior carga, de mostrar o peso da responsabilidade, apesar de menos falada, tem nela seu principal foco. Além de Rhys Ifans que empresta sua ótima atuação ao Dr. Curt Connors que será responsável também por criar a primeira grande ameaça com que o herói terá que lidar.
   
  No final das contas é um filme razoável que muda a estética do personagem e certamente vai dividir opiniões, pois tem seus pontos fortes, mas também tem pontos ruins, mas uma coisa que posso dizer é que tem potencial e um bom material, por isso se for bem trabalhado poder ter sequências bem melhores do que esse primeiro e estão cogitando até uma aparição do herói no próximo Vingadores, será que chamarão Garfield para o papel ou teremos uma 3ª versão do aranha? Muitos caminhos e não sabemos se algum vai trazer melhorias, mas acho que devemos esperar que sim, pois seria uma pena ver um herói como o Homem-Aranha ser mal aproveitado nos cinemas. Mas pelo menos na primeira impressão vale pelo menos algumas horas de diversão e ação para o publico que for ao cinema buscando isso. E não saiam assim que acabar, para não perder a cena extra depois dos créditos.
  
  Feito com efeito: Completamente filmado nos estúdios da Universal, o Universal Studios Hollywood backlot, um enorme complexo de estúdios que se concentram em um parque temático da Universal na Califórnia nos Estados Unidos, muitas coisas nesse filme foram recriadas em computador. Já que imaginem como foi reproduzir todas aquelas cenas que acontecem em vários pontos da cidade, apenas dentro de estúdios e cidades cenográficas.  Inclusive vale dizer que esse complexo de estúdios é aberto a visitação do público e oferece um por treze blocos de cenários usados em superproduções do cinema. Caso alguém esteja, ou vá estar pela Califórnia é um ótimo lugar para se conhecer.
  
  Voltando o filme, cenas feitas com fundo chroma key é o que não falta, algumas chega até a ficar digitalizadas demais, como uma das sequências finais que envolve prédios e guindastes. Por outro lado existem coisas muito boas, os movimentos do Aranha estão fluidos e naturais, em muitos momentos lembram cenas do desenho animado o que acho muito interessante.
  
  O Lagarto por sua vez, ganhou um ar mais grotesco e menos animal, o a modelagem 3D usada para criar sua pele, cauda e escamas ficaram bem feitos, mas para por aí. Os movimentos ficaram muito humanos, ele anda a maior parte do tempo em pé, sobre as duas pernas mesmo quando está lutando, enquanto, se mover nas quatro patas e saltar como um lagarto de verdade é uma característica do personagem nos quadrinhos. Além do rosto que não lembrou em nada o personagem original. Ficou mais brucutu do que uma mutação genética.
  
  E finalizando com algo bom, os efeitos de ambiente como partículas, fumaça, destroços e outros detalhes que ficam no ar, são bem legais, dão uma ambientação bem maneira a varias cenas e ainda trabalham em boa harmonia com a projeção 3D que valoriza bastante esses momentos. Foram os efeitos que me chamaram mais atenção durante o filme e olha que nesse caso não tinham poucos.
  
: Mais uma vez temos o clássico Homem-Aranha de volta as telas, mas dessa vez totalmente modificado em sua estrutura de staff, então nada mais óbvio do que esses novos integrantes estarem na berlinda. E se pensarmos no elenco, acho que todos tiveram uma resposta bem positiva. Andrew soube vestir bem o uniforme e dar seu próprio visual ao personagem, Emma mostra uma Gwen leve e bem inspirada nas histórias em quadrinhos e Rhys nos apresenta um personagem inteligente e com força para ser as duas faces do Lagarto, tanto a que sempre atrapalhou a vida do Aranha, quanto a que se torna muitas vezes um aliado. E também o novo Tio Ben vivido por Martin Sheen (Codinome Cassius 7) que dá um ar mais jovial ao personagem, assim com o a Tia May de Sally Field (Duas Semanas) que apesar de boa tem menos destaque, já que o foco é a relação do sobrinho com o Tio.
  
  Quem se saiu bem na sua primeira grande produção de ação, foi Marc Webb que nos apresenta um filme dinâmico e com bastante aventura e claro sem esquecer o lado romântico que o diretor mostrou conhecer bem em (500) Dias com Ela, as cenas entre o casal Peter e Gwen são boas e conseguem fazer o público se envolver na história do casal e a cena do primeiro beijo é inteligente, divertida e muito bem executada.
  
  Quem decepciona um pouco é o trio de experientes roteiristas liderados por James Vanderbilt (Zodíaco), onde um deles (Alvin Sargent) inclusive participou do roteiro dos filmes anteriores do herói e o outro (Steve Kloves) foi o roteirista da aclamada série Harry Potter, entregam um roteiro ralo, com muitas conveniências para ajudar o andamento da história e deixam algumas brechas e forçadas desnecessárias. Sei que falar mal é a área do mão de pedra aí em baixo, mas esperava mais deles. Espero que isso melhore nos próximos que vêm por aí.
  
  E por essa capacidade de mesmo sem muita experiência ter conseguido um bom desempenho, além de extrair o melhor de seu elenco, meu destaca de hoje fica para o Marc que teve mais uma boa estreia na sua carreira.
  
Ed: Reboots, e mais reboots...será que o pessoal lá em Hollywood agora acha que só isso funciona?!? E quando tem muito tempo do filme anterior até entendo, mas esse não deixou nem a cadeira de diretor do Raimi esfriar.
  
  E já que teve gente trabalhando por mim hoje aqui em cima ¬¬, vou ver o que mais tenho pra falar. Não é muito comum isso por sinal, mas tenho que concordar com o douradinho...tem umas forçadas nesse roteiro bem pesadas. Como a entrada do Parker nas Oscorp, um prédio com alta tecnologia e estudos científicos de ponte e um estudante invade as instalações do prédio com a facilidade que uma criança entra no parquinho, senhores não abusem da nossa inteligência!
  
  Muitas pessoas comentando sobre nesse terem colocado o atirado de teias mecânico igual ao dos quadrinhos, mas até onde me lembro uma das coisas que sempre acontecia era ele ficar sem fluído de teia às vezes, o que gerava até situações engraçadas em alguns momentos das histórias. Nesse o moleque atira a vontade e nada de acabar...estão lançando uma novidade no cinema, além das armas que não acabam as balas e flechas que são atiradas eternamente, também teremos as teias infinitas?!?
  
  E o Lagarto...o que fizeram naquele rosto do bicho?!? Queria saber quem foi que olho pra cara daquele troço e falou: “Ahh ficou parecendo um lagarto” O cara parece uma mistura bizarra do Hulk com o Coisa do Quarteto Fantástico!!! Enfim...vou indo nessa, até a próxima.
  
  
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