quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Crítica da Semana -- 360



  Encontros e desencontros
  
  Nossas vidas são feitas de escolhas; escolhas essas que nos levam por um determinado caminho que, na maioria das vezes, não sabemos onde vão dar e como isso vai afetar nossas vidas e a dos que estão a nossa volta. Com certeza, todos que estão lendo essa crítica já tiveram alguma vez um momento na sua vida em que precisou tomar uma decisão de qual caminho seguir, muitas vezes nos vemos nessa situação sem nem ao menos perceber, se pensarmos em uma escala menor. E são essas decisões, grande ou pequenas, que vão construindo nossas vidas. Porém, geralmente nos atemos as consequências que o resultado dessas decisões tem em nossas vidas, mas raramente paramos para pensar em como o que fazemos pode influenciar os que estão a nossa volta, ainda que seja alguém que nem conhecemos. É sobre esses momentos e situações da vida que trata o filme de hoje 360, novo projeto do diretor brasileiro Fernando Meirelles (Ensaio Sobre a Cegueira), que reúne um grande elenco de estrelas.  

  O filme trata de um aglomerado de situações que estão de algumas formas conectadas, geralmente através de pessoas e sentimentos, elas vão acontecendo de forma sutil no desenrolar da história e são interessantes e bem construídas. O roteiro escrito por Peter Morgan tem seus méritos na boa capacidade de construir situações de forma envolvente e conseguindo levar o espectador de uma cena à outra através dos pequenos detalhes que a história fornece para ligar essas pessoas.
  
  O elenco formado de grandes estrelas de vários países como Jude Law (Sherlock Holmes: OJogo de Sombras), Rachel Weiz (A Casa dos Sonhos), Ben Foster (Assassino à Preço Fixo), Anthony Hopkins (Thor), Lucia Siposová (Dark Spirits) e Gabriela Marcinkova (estreando em longas no cinema) da antiga Tchecoslováquia, Jamel Debbouze (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) da França e Dinara Drukarova (Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres) e Vladimir Vdovichenkov (Paragraf 78) da Rússia, além dos brasileiros Maria Flor (Xingu) e Juliano Cazarré (Assalto ao Banco Central). Com tantos personagens o filme se passa em 4 países e é falado em 6 línguas, reunindo ao todo 9 história diferentes.
  
  Além de Anthony Hopkins que está ótimo como sempre em seu personagem, Maria Flor que mostra muita segurança no papel que está desempenhando, mostrando desenvoltura nas várias situações diferentes que sua personagem passa. Ben Foster também tem uma atuação de muito destaque como um ex-agressor de mulheres que tenta se recolocar na sociedade. Suas expressões e comportamentos são muito bons em cada mínimo detalhe e o personagem (e o ator também) tem seu auge no filme em uma cena que faz com Maria Flor, cheia de intensidade por parte dos dois e que demonstra bem a qualidade de ambos.
  
  Apesar do bom trabalho no roteiro, o filme dá a sensação de depois de algum tempo ficar um pouco cansativo com tantas histórias e idas e vindas diferentes, apesar de ter apenas 1:5oh de filme, o a história cheia de personagens e caminhos diferentes dá a sensação de ser maior do que realmente é. Talvez por muitas vezes ficarmos na expectativa de que vai evoluir pra um desfecho de alguma forma o que não acontece.
  
  A trilha sonora é um verdadeiro deleite e ajuda a embalar cada situação e cada personagem em perfeita harmonia com o andamento da história, acho que essa sensação de ficar um pouco cansativo, não acontece antes porque a trilha segura o ritmo da história tanto quanto é possível.
  
  Apesar da sensação de que não é um filme muito direto e que deixa como já foi dito uma sensação de que não vai pra lugar nenhum, o que pode não agradar muitos tipos de público, podemos perceber se entrarmos no clima da história e nos deixarmos levar por ela que o importante na verdade não é para onde caminha tudo aquilo e sim as mensagens que são passadas por cada um dos personagens através das decisões que tomam e que muitas vezes se assemelham com situações que enfrentamos no nosso dia a dia. Existem momentos que precisamos escolher e são esses momentos que constroem a nossa vida. E no final acho que Fernando Meirelles fez a escolha certa mais uma vez.
  
  Feito com Efeito: A primeira curiosidade sobre os efeitos desse filme logo de cara é que apesar de a produção dele ser praticamente toda estrangeira, os efeitos foram feitos no Brasil pela O2 Filmes, produtora de Fernando Meirelles. Um filme internacional que tem a pós-produção feita no Brasil é uma novidade e muito boa pro nosso cinema.
  
  Além dos efeitos rotineiros de correção de cor, retoques e ajustes de imagens, uma coisa que foi utilizada bastante foi dar uma ajudinha nas condições climáticas, como o filme demorou a ser gravado, acabou sendo rodado em uma época de verão em alguns países em que a cena deveria ter neve, e como não neva no verão, foi tudo feito nos efeitos visuais e em alguns momentos as cenas de chuva também precisaram de uma forcinha. Viu como é fácil enganar os espectadores com efeitos??
  
: Com certeza precisa ser dito que é um filme ambicioso, apesar de o Fernando ter dito que achou o filme bem mais intimista do que os outros que fez, gravar um filme em 3 Países diferentes e em várias línguas não é algo tão simples de se realizar. Além dessa parte, o trabalho do diretor merece ser ressaltado, pela habilidade que teve em comandar um elenco de tanta qualidade e com tantas pessoas talentosas, de países diferentes e que falam línguas diferentes. Nem sempre é fácil harmonizar tudo. Além disso, trabalhou com diversos cenários, em países diferentes e conseguiu deixar tudo bem balanceado. No final o resultado foi um bom trabalho.
  
  Mas meu destaque principal fica mesmo para a trilha sonora que é excelente e dita o ritmo do filme o tempo todo, não só a qualidade como a variação das músicas e dos estilos musicais no momento certo. Cada uma correspondendo a um local e ligando a alguma memória, dando um clima suave até as cenas mais agitadas. Ciça Meirelles (esposa de Fernando) em sua primeira experiência como responsável pela trilha sonora se saiu muito bem, pode pensar em continuar esse trabalho em outras produções.
  
  Abro também um parêntese para a excelente atuação de Ben Foster que vive muito bem a intensidade de seu personagem em cena e passa toda angústia que o personagem parecia sentir, através dos olhos e de movimentos sutis e bem trabalhados. Segundo o próprio diretor, Ben estará nos próximos anos no top 5 de melhores atores internacionais e eu acho que é bem por aí mesmo. Ele é realmente um grande ator e um forte candidato a tentar entrar para a família em breve. Tem algum outro ator que vcs gostaram mais?? (ou menos, sei lá né...)
  
Ed: Eu nem vou falar muito desse filme, porque já ouvi dizer que tem bastante gente falando mal dele e eu não sou de ficar repetindo o que os outros dizem...
  
  O próprio chefe mesmo já falou na crítica que ele fica um pouco cansativo, tem partes que pra mim fica até muito cansativo. E no meio de tanta gente e tanta história alguns personagens se perdem e acabam sendo subutilizados e dois deles, são atores de peso. A história dos personagens da Rachel Weisz e do Jude Law é pouquíssimo explorada e tem potencial pra desenvolver bem mais, achei até algumas situações que criam a trama da história deles forçadas, a situação com a garota de programa é uma delas. O cara tenta chantagear o outro sem ter nenhuma prova de nada contra o sujeito, quem aceita uma chantagem dessas?? 
  
  Com o talento de ambos, poderia ter uma trama bem melhor entre eles... Alguns vão dizer que não dá tempo, mas é necessário saber como extrair o melhor de cada um com o tempo disponível. Outros que fica meio de lado e podiam dar muito mais, são o Foster e a Marianne Jean-Baptiste (mais conhecida como a Vivian Johnson do seriado Without a Trace) que aparece em poucas cenas e é uma ótima atriz. O próprio Meirelles chegou a dizer que se pudesse voltar atrás tiraria alguns personagens para poder trabalhar melhor os outros.
  
  O que move o filme são os encontros e desencontros que acontecem e mexem de alguma forma com a vida das pessoas, mas tem tantas coisas que se encaixam no momento certo e na hora certa, que parecesse que a dona casualidade parou o que estava fazendo pra ajudar no andamento da história. E nesses momentos existe uma linha tênue entre gerar algumas casualidades que se encaixam com certa licença poética e a forçada de barra pra ajudar os acontecimentos da história e pra mim em certos momentos eles passam essa barreira. E vcs acharam isso também, não que me importe...mas enfim...se concordaram ou discordaram comentem aí em baixo, que eu respondo (ou não).
  
 Ficha técnica do filme / Galeria de imagens / Coletiva de imprensa
  
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