terça-feira, 7 de agosto de 2012

Crítica da Semana -- Na Estrada (Atrasada)


  
  Pessoal, essas última semanas foram bem enroladas e por isso as críticas atrasaram um pouco como vcs devem ter notado. Essa por exemplo já era pra ter saído há um tempo, mas estou acertando as coisas e acho que em breve vão voltar a sair na época certa. Peço desculpa pelo atrasos e vamos a crítica
  
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Trilhando o caminho


  Cerca de 20 anos depois da tentativa de Francis Ford Coppola (Tetro) de levar o livro On the Road de Jack Kerouac para as telas dos cinemas, o diretor brasileiro Walter Salles (Diários de Motocicleta) aceita os desafio de concretizar esse projeto que mostra um pouco do retrato do movimento Beat que teve grande influência sobre os jovens americanos nas décadas de 40 e 50, e que foi fonte de inspiração para muitos jovens escritores que estavam surgindo naquele momento dentro do movimento. É nesse contexto que acompanhamos a trajetória de Sal Paradise, um jovem escritor, que embarca na maior viagem de sua vida, ao conhecer Dean Moriarty, que muda sua forma de ver o mundo e influencia diretamente na criação de seu livro. Isso é o que nos conta nosso filme de hoje, Na Estrada.
  
  Um filme que levanta questões muito profundas e controversas, se na época o que norteava os jovens era um desejo de liberdade e de quebrar tabus e proibições, ainda hoje em dia pode-se dizer que alguns desses assuntos geram certos tabus e divergências de opiniões, se as proibições não são mais tão rígidas quanto antigamente, muitas dessas coisas ainda são contestadas do ponto de vista da moral e dos bons costumes. O que dá uma contemporaneidade ao filme e certamente vai fazer com que algumas pessoas não gostem da forma como a história se passa. Já que nem todos concordam com essa difusão da ideologia sexo, drogas e rock n’ roll (que nesse caso dá lugar ao Jazz e ao Blues).
  
  Mas no geral achei um bom filme, com uma história interessante e que retrata uma época, representada por 3 jovens de uma maneira direta e até descontraída em alguns momentos. Além da viagem pelos conceitos desse forte movimento cultural, também passeamos durante as quase 2 horas e meia de filme por diferentes paisagens dentro dos Estados Unidos, indo até o Novo México, e a boa fotografia acompanha e se utiliza dessas paisagens para realçar os cenários e as cores do filme ao mesmo tempo em que norteiam o rumo da história. Walter Salles se utiliza de bons posicionamentos de câmera que em muitos momentos colocam o espectador dentro da ação da cena, conseguindo passar os momentos de euforia, tristezas e frustrações de forma bem próxima para quem está assisitindo.
  
  O elenco gira principalmente em torno das figuras de Sam Riley (Pior dos Pecados), Garrett Hedlund (Tron: O Legado) e Kristen Stewart (Branca de Neve e o Caçador) que fazem os errantes Sal, Dean e Marilou, respectivamente. Riley e Hedlun mostram uma química muito boa nas suas atuações que fazem seus personagens se entenderem da maneira que a história pede e faz as aventuras dos dois amigos passarem de forma fluida e instigante, ainda que sinta falta de alguns aspectos do movimento beat em suas apresentações.
  
  Stewart foi uma boa surpresa, quem leu outras críticas minhas de filmes dela, sempre achei ela meio sem sal em cena e com atuações pouco convincentes e sem muita expressão. Porém ela dá vida a uma Marilou bem mais completa que seus personagens anteriores, com bastante vida, diferentes sentimentos na personagem (e não aquela cara de sofrimento que parecia ser padrão da atriz) e com certa ousadia em muitas cenas, algumas mais até do que eu esperava.
  
  Apesar da falta de tempo para trabalhar bem todos os coadjuvantes, temos participações de peso nesse setor. Nomes como Kirsten Dunst (Melancolia) talvez a que tem mais espaço entre os coadjuvantes e faz a esposa de Dean com quem tem uma filha que tem uma atuação boa, mas burocrática. Outros que podem ser destacados são Terrence Howard (Red Tails), a brasileira Alice Braga (O Ritual), Steve Buscemi (Rebelde com Causa) que tem uma participação pequena, mas muito boa e engraçada no seu estilo, Viggo Mortensen (Um Método Perigoso) talvez uma das participações que mais poderiam ser mais aproveitadas e que quando está em cena entrega um ótimo personagem do poeta Old Bull Lee. Reza a lenda que Lee representa na verdade William S. Burroughs escritor e amigo pessoal de Jack Kerouac. Amy Adams (O Vencedor) que faz a descontrolada e viciada mulher de Lee, tem uma participação curta, mas convincente.
  
  Como alguém que não leu o livro e que não vivenciou a época do movimento beat, ou seja, tendo uma visão externa da situação apresentada na tela, gostei do resultado e achei que para um filme que diziam ser complicado de trazer para as telas, tem uma boa história e pode não ser a representação do período e do movimento social no fundo de sua essência, mas dentro do possível faz um retrato dá época que me agradou de ver e acho que Salles tem alguns méritos nisso.
  
  Feito com Efeito: Os efeitos aqui se resumem a pequenos retoques de imagem e pequenas inserções e acertos nos cenários para fazer com que os locais parecessem como era o visual na época (sendo que muitos hoje mudaram bastante e são bem mais povoados) com destaque para a ponte ainda sendo construída, nada muito chamativo, até porque não combinaria com o estilo da história, por isso nem vou comentar muito por aqui, mas fiquem atentos nos detalhe da paisagem que dá pra ver uma coisa ou outra.
  
: Walter cada vez mais vem diversificando e ganhando destaque no cenário cinematográfico, e nesse filme teve a coragem de tirar da gaveta um projeto que estava deixado lá por muitos anos, só por isso já acho que o trabalho dele merece um reconhecimento, poderia ser mais fácil fazer um filme vendável sem correr riscos, mas ele mais uma vez colocou a cara pra bater e gosto dessa ousadia. Por isso independente de algumas coisas que possam não ter saído exatamente como era o esperado, até porque muitos colocavam muita expectativa nesse filme, foi um trabalho bem desenvolvido.
  
  Outro desafio que foi superado foi a dificuldade de filmar em várias locações diferentes e ainda assim manter o estilo e captar a essência de cada um separadamente e com uma pequena exceção aos momentos que se passam no México, que foram um pouco corridos, os outros cenários são muito bem utilizados. E olha que não foi fácil porque muitos não tinham condição de serem usados por estarem com um visual muito diferente do da época retratada, tiveram até que fazer umas filmagens no Canadá.
  
  E para encerrar com meu destaque, feita a menção à direção que acho justa, deixo como parte principal a fotografia que é um espetáculo a parte, todos os diferentes cenários participam de cada momento do filme como um personagem e são parte importante da história já que acompanham e moldam os personagens principais.
  
  Acho que Walter está no caminho para entrar para a família, mas sinceramente não acredito ainda que vá ser dessa vez.

Ed: Finalmente essa crítica saiu hein!!! Já tava dando teia de aranha, já dava pra ter feito uma continuação do filme......tá bom, chefe tá bom... É melhor eu falar do filme antes que sobre pra mim aqui. =P
  
  Quando se tenta representar uma época existem muitos detalhes que às vezes acabam sendo deixados de lado e não adianta reclamar, porque não dá pra colocar tudo em um filme, mas tem coisas que precisam estar presentes de alguma forma.
  
  Por exemplo, falta um pouco de marginalidade nos personagens principais, em muitos momentos parecem mais dois playboys que tentam ser revolucionários por estarem revoltados com suas vidas, do que o estilo poeta marginal e errante que existia no movimento beat. Até seus atos contraventores, como os pequenos furtos são justificados em cima do contexto político e não pela simples liberdade do movimento. Acho que em certo momento os personagens se tornam mais poéticos do que representantes do movimento.
  
  E como novidade em um filme que essa menina participa, não vou falar da atuação da Stewart, mas como o nome dela sempre aparece por aqui (e pra falar a verdade não acho que vá faltar oportunidades pra falar dela de novo), vou pelo menos comentar uma coisa que eu já tinha falado na crítica de Branca de Neve e o Caçador, ele está DENOVO metida (sem trocadilho) em um triangulo amoroso!!! Isso é pré-requisito pra ela aceitar um personagem?!?? E com toda essa confusão que deu entre ela e aquele ex-namorado dela que brilha no sol...sei não hein, tem que ver isso aí!
  
  

Um comentário:

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