quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Crítica da Extra -- O Vingador do Futuro


  
Valorizaram a ação e esqueceram a ficção
  
  Em1990 Arnold Schwarzenegger (Os Mercenários 2) estrelava um misto de ficção científica e ação dirigido por Paul Verhoeven (Tropas Estelares), que trazia muitas inovações tecnológicas de efeitos visuais e maquiagem, e se tornou um dos grandes sucessos da década de 90 O Vingador do Futuro.  22 anos depois Len Wiseman (Duro de Matar 4.0) trás para as telas o remake desse antigo sucesso, com roteiro escrito por Kurt Wimmer (Código de Conduta) e Mark Bomback (Duro de Matar 4.0) e que tem no lugar do ex-governador brutamonte, Colin Farrell (Miami Vice), qual foi o resultado dessas mudanças no filme, é o que saberemos na nossa crítica de hoje, O Vingador do Futuro.

  Logo nos primeiros minutos do filme fica bem claro que o filme tratará de um conflito social e principalmente o problema da segregação dos menos favorecidos. O filme original tem esse conceito, mas trata de forma menos direta. Nesse com a criação da “The Fall” (não faço ideia de como ficou traduzido para o português, porque vi o filme só em inglês, mas imagino que seja “A Queda”, pelo menos era pra ser) essa segregação toma uma proporção bem maior e se torna o motor gerador de todo conflito da história.
  
  Apesar de ficar claro que a intenção não foi reproduzir o primeiro filme e sim dar uma abordagem diferente. Algumas referências estão lá para agradar os fãs do antigo. Apesar de serem tão pontuais que ficaram com jeito de que foram mais para não ter reclamação do que pra agradar. Por exemplo, a famosa mulher de 3 peitos, ou o personagem principal ter que retirar um rastreador de dentro da pele enquanto foge (apesar de eu achar que aquela tirada do rastreador pelo nariz do Schwarzenegger é épica e ficou bem melhor). O humor também está presente em vários momentos de forma sutil, com tiradas inteligentes dos personagens ou em referencias visuais como o rosto do presidente Obama nas cédulas do dinheiro vigente.
  
  A história segue a linha já conhecida no primeiro filme, Douglas Quaid (Farrell) um trabalhador comum que vive em um planeta Terra que sofre a ação de desastres nucleares e se encontra praticamente toda destruída, tem uma esposa que ele ama, mas é constantemente perturbado pelos mesmos pesadelos e tem sempre a sensação que sua vida está no caminho errado de alguma maneira. Até que ele resolve ir à Recall, uma empresa que promete realizar seus maiores sonhos através do implante de lembranças maravilhosas na sua memória. Depois disso a vida dele nunca mais será do mesmo jeito.
  
  Kate Beckinsale (Anjos da Noite: O Despertar) está no papel da mulher de Quaid e faz parte de algo muito maior (quem viu a primeira versão sabe o que é, mas vou deixar em off pra quem não viu), ela faz bem esse papel da sedutora explosiva e mostrou na série Anjos da Noite que dar tiros e fazer cenas de luta ela sabe. O outro par feminino fica com Jessica Biel (Esquadrão Classe A) que também desempenha bem o papel, mas tem bem menos presença de cena que Beckinsale.
  
  Inegavelmente o visual futurístico é excelente, a criação das cidades em que eles vivem, assim como da parte do mundo que foi destruída é muito bem trabalhada e os efeitos visuais ajudam muito a fazer coisas que não eram possíveis na década de 90. Com carros voadores e prédios enormes nos quais as pessoas se movimentam através de muitas dezenas de elevadores, os cenários ganham um ar de Minority Report e pra quem gosta de cenas visualmente bonitas, certamente terá o que apreciar.
  
  Já em um contexto geral, não impressiona muito e fica a sensação que apesar de ter sido feito mais de 20 anos atrás, o primeiro filme tem muito mais a apresentar do que esse. A parte da ficção científica da história é deixada bastante de lado a partir de certo momento, para valorizara mais as sequências de ação. Porém, mesmo elas não são nada demais, as trocas de tiro não dão aquela adrenalina que deveriam e chega a dar a sensação que o andamento das cenas é quase o mesmo o tempo todo e só se modificam os cenários. O resultado acaba não ficando muito melhor do que qualquer filme de ação desses que se faz hoje em dia, com cenas forçadas, muita correria, um pouco de tiros e nada muito profundo para apresentar. Ainda mais porque quando se faz um remake é necessário ter em mente que muitos dos que vão assistir já conhecem a história porque viram o filme anterior, então esperasse que tenha algo a mais para apresentar o que não é o caso.
  
  Na verdade ficam até faltando coisas que eu acho que era o grande barato do primeiro filme. Que eram aqueles seres humanos, meio mutantes que sofreram anomalias pelos problemas do planeta e que durante o decorrer do filme, o personagem principal se depara com um mais estranho que o outro. Isso gerava até um contexto de crítica social e nesse novo essa parte é esquecida e se ressalta muito mais as capacidades tecnológicas, talvez pela época de enorme tecnologia em que vivemos hoje, ou ainda como uma forma de valorizar o que é possível fazer com os efeitos visuais. De uma forma ou de outra, fica provado que nem sempre o que é mais moderno, alcança um resultado melhor no final das contas.
  
  Feito com efeito: Apesar de certos exageros e de algumas repetições desnecessárias os efeitos são bem interessantes e pode se dizer que predominam, já que fica claro que o foco foi explorar mais essa parte que a tecnologia atual permite e que não era possível em 1990.
  
  A utilização de chroma key é explorada em praticamente todas as cenas, apesar de terem criado de forma real algumas partes dos cenários para facilitar a interação dos atores com o ambiente, os fundos de cena tem quase sempre a presença da famosa tela verde (ou azul dependendo da situação).
  
  Gostei da cena da queda do carro, quando ele desaba praticamente em cima do outro e amassa todo, sem nem encostar um carro no outro, o 3D ficou muito maneiro e o efeito do impacto foi muito bem trabalhado, acho que é uma das melhores cenas de efeito do filme todo.
  
  Fora isso nada que chame atenção fora do normal para um filme do tipo, a cena no piano tem uma projeção holográfica legal também, mas nada muito complexo. Acho que por hoje é isso.
  
: É... achei mais ou menos, tem remakes que não acertam muito a mão e esse acho que foi um pouco por aí, erraram principalmente em priorizar a ação e deixar de lado toda aquela ficção muito doida que teve no primeiro filme. Podiam ter explorado isso bem melhor e com os efeitos de hoje criar umas aberrações bem maneiras pra chamar atenção. Mas acharam que só colocar o Colin dando tiro pra tudo que é lado e duas atrizes lindas seria mais interessante, bem...não foi.
  
  O que mais gostei foi da utilização do conceito da dominação/exploração, dos mais desenvolvidos que eram os que viviam na Metrópole sobre os que tinham menos condições que era o pessoal da Colônia. O próprio nome já dá essa ideia de que são constantemente explorados e deixados de lado e isso trás para a história, de forma mais clara, essa questão da segregação gerada pela condição financeira com relação à classe proletariada, nesse caso chegando ao extremo de tentar acabar com os que consideram inferiores.
  
  Esse é um conceito bem atual e que gostei da forma como foi trabalhado, principalmente tendo a “The Fall” como símbolo desse poder, quase como a Bastilha foi para a França na época da repressão, um enorme símbolo do poder e da superioridade de alguns sobre muitos. Maaaas essa é outra história e como já dei meu destaque, vou ficando por aqui.
  
Ed: Ai ai, falar de filmes de ação é uma coisa que anima meu dia, Hollywood não sabe fazer eles sem estarem cheios dessas cenas esquisitas e esse considero com filme de ação, porque a parte de ficção com já disseram ficou beeem reduzida. Ficou mais por conta de carros voadores e um metrô gigante que passa pelo centro da Terra... Faltou uma cena histórica e clássica do filme original, que tenho certeza que muita gente vai chiar por terem deixado de lado
  
  As repetições nas cenas de ação chegam a cansar, sobe, pula... pula, sobe.... sobe mais, pula mais!!! Parece que só tem esse tipo de cena no filme e o que muda, é só o cenário onde acontecem pra poder ter mais coisas pro pessoal dos efeitos fazerem...
  
  Além disso, como não podia deixar de ser, umas cenas forçadas que só faltam chamar o espectador de burro. Notem que quando ele vai sair daquela cidade abandonada, esqueceram um avião lá pra ele fugir, todos foram embora, mas deixaram um avião lá de bobeira!!! E na cena final um clássico das forçadas nos filmes de ação, todo mundo armado, mas ninguém atira pra dar tempo do mocinho resolver os problemas.
  
  Com isso tudo, já era difícil fazer frente com o anterior, mas inda tem um detalhe que preciso mencionar, o Schwarzenegger chuta a bunda do Farrel varias e várias vezes!!! Vai ter que comer muito cereal no café da manhã pra ter a presença em filmes de ação que o velho governator teve!!! Concordam?!?? (Não que eu me importe com a opinião de vcs, mas o chefe disse que seria legal perguntar...)
  
  

Um comentário:

  1. Como filme de ação funciona muito bem, embora seja um pouco repetitivo neste sentido. Mas quando comparado ao original, se torna apenas mais uma refilmagem vazia e sem sentido pra existir.

    http://avozdocinefilo.blogspot.com.br/

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