quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Crítica Extra - À Beira do Caminho

  
  Os caminhos do coração nem sempre são fáceis de trilhar...
  
  Fico pensando em tantas coisas que deixamos pra trás para seguirmos nossas vidas... Tantas mágoas e decepções, tantos tropeços e desenganos... E também quantas coisas boas que nos aconteceram, gostaríamos que todos os dias pudessem se repetir e,  infelizmente ou felizmente, todos esses episódios ficarão guardados em nossas memórias.
  
  À Beira do Caminho é um filme sobre amor, sobre amar, sobre ser amado. Com direção de Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco), o elenco conta com João Miguel (Xingu) , Dira Paes (E aí, comeu?), Vinícius Nascimento (Ó Paí, Ó), Ludmila Rosa (Seja o que Deus quiser), Ângelo Antônio (Dois Filhos de Francisco). Recebeu no Recife Cine Festival Audiovisual o Troféu Calunga nas categorias Melhor Ator para João Miguel, Melhor Filme para Breno Silveira, Melhor Roteiro para Patrícia Andrade (Besouro) e Melhor Ator Coadjuvante para Vinícius Nascimento.  

  João é um rapaz atormentado. Largou tudo, todos e virou caminhoneiro. O que ele não imaginava é que um menino, Duda, ia cruzar seu caminho e fazer João refletir sobre o seu passado. O filme fala sobre frustração, arrependimento, estreitamento de laços, renovação.  

  Duda é um garoto que está procurando seu pai. João, muito contrariado e rabugento, a princípio não quer ajudar o garoto, mas acaba lhe dando carona e dessa carona vai surgindo uma amizade entre os dois. João é introspectivo, não gosta de conversar, é turrão, ralha muito com Duda durante toda a viagem... Mas ao mesmo tempo a gente percebe que ele fica tocado com a história do garoto, que luta pra conhecer o pai.
  
  Gostei bastante do filme pelo fato de não ser apelativo. Você pode ir com o seu filho, não vai chegar nos primeiros 5 minutos de filme e dar de cara com um monte de bunda ou um monte de arma. É realmente um filme sobre o amor, sobre o arrependimento. João deixou muito de sua história no passado e a gente percebe que ele sofre demais por conta disso. E Duda, quando o conhece, vê nele um amigo e até um pai, coisa que ele nunca teve antes. São duas pessoas, de idades diferentes, cabeças diferentes, histórias diferentes, mas percebemos que buscam algo similar...
  
  A trilha sonora é um caso a parte. Quem gosta de Roberto Carlos aí? Pois é, nem consigo criticar de forma negativa a trilha, pois sou APAIXONADA pelo Roberto, desde que eu era assim ó, pititininha! Sim, faz muito tempo, não me perguntem ¬¬  Canções marcantes como: Outra Vez, O Portão, Amigo de Fé, Nossa Canção, Distância, Como Vai Você e uma das preferidas dessa que vos escreve: Esqueça. ~Esqueça se ele não tem ama~ . Quem não lembra de alguém quando escuta essa música? E mais: O nome do filme surgiu por conta da música Sentado à beira do caminho, que adivinhem de quem é? Roberto Carlos e Erasmo Carlos, claro! Muito amor mesmo!
  
  Eu odeio filmes previsíveis, mas À Beira do Caminho foi diferente, eu fiquei doida no cinema tentando descobrir o que aconteceu com aquele homem tão triste, tão fechado pro mundo e pras pessoas e não acertei nenhuma vez.
  
  Motoristas de caminhão irão se identificar com o filme, pois ele se passa praticamente todo na estrada. Passa muito pra gente a solidão que eles sentem, a necessidade de voltar pra casa, de ter laços com alguém . As gravações foram em 201o e mais de 3 mil kilometros de estrada foram percorridas durante esse tempo.  São belíssimas as cenas das rodovias, das paisagens que estão por todos os lados dessa caminhada que os dois amigos fazem juntos à procura de... Ará! Assiste que você vai descobrir também. =)
  
: Eu gosto muito desse menino Vinícius, que fez o Duda no filme. Achei a história do personagem dele bastante profunda e bonita, acho que ele é um jovem ator promissor e terá um grande futuro na carreira.
    
  Achei interessante também a ideia da Volvo de promover um concurso para escolher um motorista que participasse fazendo uma “ponta” no filme. Foi uma promoção cultural com mais de mil participantes, que teve como vencedor o motorista do Rio de Janeiro, Marcos Costa Leite.
  
  Apesar da história simples o roteiro foi bem construído em cima das músicas de Roberto Carlos e Patrícia Andrade realmente me fez ficar surpreendido no final do filme, coisa que eu gosto muito. Não tem coisa pior que você assistir um filme prevendo o que vai acontecer a cada cena... É bem melhor quando eu não acerto e o final vai sendo construído aos poucos, de forma diferente do que imaginei. Por isso acho que o roteiro tem grande mérito, ainda mais por conseguir usar as músicas para tocar o espectador de forma positiva, utilizando bem a memória afetiva presente nas músicas. É um grande feito pra um filme nacional ter um roteiro bem utilizado, e ainda mais com uma história sem muitas apelações sociais, como geralmente é o caso. Por isso meu destaque de hoje fica pra esse quesito do filme.
  
  Ahh e ainda vale lembrar que esse é um dos filmes que está sendo cotado pra representar o Brasil esse ano na premiação da Academia, não acredito que tenha força pra isso tudo, acho que seria melhor pensar em uma alternativa, mas vamos esperar pra ver...
  
Ed: Xiiiii!!! Esse filme aí é cheio dos problemas... Fiquei sabendo que rolou meio que umas coincidências trágicas. O ator João Miguel, teve de lidar com um sofrimento real, durante as filmagens, quando ficou sabendo que o amigo e ator Mali Sotigui Kouyaté, havia falecido. João Miguel o chamava de Mestre, pra vocês terem ideia.
  
  Outra coisa: O ator mirim Vinícius Nascimento, sabia que seu personagem estava em busca do pai, que é algo de que Vinícius entende, pois ele nunca conheceu o pai. Ele ainda disse que o filme o ajudou a encarar o passado. Olha isso, uma criança falando como gente grande.
    
  Mais um fato complicado do filme foi que das 12 músicas que Breno queria no filme, Roberto Carlos liberou só quatro. Esse Rei não é tão bonzinho assim... Não entendo isso, ele canta sempre as mesmas músicas a mais de 20 anos, qual o problema de usar elas em um filme?!?
  
  Achei o roteiro muito simples. Falar do menino que busca o pai que ainda não conhece, da solidão dos caminhoneiros. Dá pra dizer que não é uma história muito inovadora né? E juntar Roberto Carlos com uma história triste é a forma mais fácil de buscar tocar os espectadores, mais simples que somar 2+2!!! Um órfão + um solitário + o Rei = Mais da metade da platéia chorando no final do filme. Isso é colocar o público de frente com a emoção direta, apelar para o emocional simples.... Eu vejo isso como uma forma de manipular quem está assistindo e é necessário mais que isso para um ótimo filme.
  
  Principalmente se estão mesmo pensando em mandá-lo pra competir na Academia como informou meu amigo amarelado aí em cima, eles lá não são do tipo que se impressionam fácil, pra mim vão passar vergonha mais um ano. Mas no fim acredito que mandem outro...
  
  Ficha Técnica / Imagens

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