quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Crítica da Semana - Meu Pé de Laranja Lima (Especial FestRio)



  Uma nova visão de um clássico
  
  Praticamente toda criança que nasceu na década de 70 ou 80, leu ou pelo menos ouviu falar do livro Me Pé de Laranja Lima do escritor José Mauro de Vasconcellos. Em 1970, o livro ganhou uma versão cinematográfica dirigida por Aurélio Teixeira. Depois disso ainda tiveram 3 versões, só no Brasil, trazidas para a TV no formato de novelas, uma ainda em 70, exibida pela Rede Tupi, uma em 1980 na Rede Bandeirantes e 18 anos depois (em 1998), a própria Bandeirantes exibiu um remake da novela que tinham feito em 80. Agora, 42 anos depois de sua estreia nas telonas, o clássico sucesso dos livros infantis está de volta às telas dos cinemas, sob a direção de Marcos Bernstein (O Outro Lado da Rua) e estreia em grande estilo, sendo um dos concorrentes da Première Brasil no Festival do Rio. Nós estivemos na sessão de estreia do filme no Cine Odeon (mais sobre oevento aqui) e essa será nossa crítica de hoje.
  
  Apesar da temática se passar em um âmbito bem infantil, as nuances da história passam por contextos muito mais adultos, como a violência infantil e as dificuldades de famílias que vivem no interior. Zezé é um menino muito bagunceiro, assim como muitos na sua idade, porém sua família passa por muitas dificuldades, principalmente por seu pai estar sem emprego e a mãe ter que ir trabalhar longe de casa e ele passa a maior parte do tempo com seus muitos irmãos e irmãs, mas no seu mundo de criança e ele não desanima e vive de travessura em travessura. Até que plantam no fundo da casa, um pézinnho de laranja lima, que por ser pequeno igual ao menino, acaba ganhando o apelido de Minguinho. A pequena árvore então passa a ser o refúgio do menino da realidade e também seu amigo e confidente, e juntos eles vão descobrir um mundo muito melhor. Porém Zezé ainda vai descobrir que as maiores amizades, às vezes nascem de onde menos se espera.
  
  O elenco é estrelado pelo jovem ator João Guilherme Ávila, que faz sua estreia no cinema de forma maravilhosa, com atuação de gente grande e uma presença de cena de impressionar. Grande parte do andamento da história fica sobre ele, que tem uma interpretação à altura da responsabilidade que o personagem tem sendo o centro do filme. José de Abreu (E Aí... Comeu?) faz o famigerado Portuga - que é o terror das crianças da cidade, mas que também tem um lado que poucos conhecem - também tem uma ótima atuação e encara as duas faces do personagem bem naturalmente e com toda sua experiência, dá vida a um clássico personagem da literatura, de forma muito bonita e cativante. Ainda nas atuações Caco Ciocler (2 Coelhos) mostra que, algumas vezes, não é necessário dar nem uma palavra para ter uma boa atuação em sua participação mais do que especial e através de boas expressões, passa todo sentimento que o personagem precisa.
  
  Como muita coisa no filme acontece no limiar entre imaginação e realidade, o diretor se utiliza da fotografia e da montagem, que são bem trabalhadas, para criar uma linguagem subjetiva e muito bonita, como por exemplo, um pequeno tronco de árvore que poder se transformar em um lindo cavalo branco para levar o menino para passear e esquecer suas tristezas ou um avião, construído com folhas de bananeira, pedaços de troco, latas e madeiras colocados na terra onde, graças à imaginação das crianças, um buraco se torna a cabine do avião, onde eles podem voar para terras distantes e fascinantes.
  
  Esse é um filme que fala essencialmente sobre amizade nas suas mais diferentes formas e que com sua forma de abordar temas universais, vai agradar diferentes tipos de público. Resta saber se vai conseguir espaço em cinemas do grande circuito ou se vai ficar apenas nas salas mais artísticas. Espero que ganhe espaço, pois seria uma pena uma história tão bonita não chegar ao grande público e essa é uma história para várias idades e diferentes gerações. Para quem não conseguiu ir ao festival, o longa tem estreia prevista no circuito brasileiro para 14 de dezembro deste ano.
  
  Feito com Efeito: Não é um filme onde os efeitos predominam, nem é essa a ideia. A história não pede esse tipo de interferência visual, mas eles estão por ali em algumas partes, principalmente nas imaginações do Zezé, alguns cenários receberam um tratamento no visual para ganhar um ar mais místico e fantasioso, enquanto em outras cenas, brilhos de luzes e neblina, certamente foram inseridos digitalmente. O sonho dele com cavalgando, quando encontra o trem é uma boa junção de alguns efeitos e montagem de cenas, uma das melhores cenas do filme, visualmente falando.  Mas como não se aprofunda muito mais que isso, vou ficando por aqui.
  
: Na verdade, não esperava muito do filme, foi uma boa surpresa, teve bem mais pra mostrar do que eu esperava. Sendo uma história que já foi contada de diversas formas diferentes, cinema livro, novela, achei que só seria mais do mesmo, mas o Marcos conseguiu dar uma visão diferenciada pra história e principalmente, usar toda a emoção contida nela de um jeito interessante, sem deixar ficar um dramalhão exagerado, o que poderia ter acontecido facilmente.
  
  Mas ainda que a direção tenha feito um bom trabalho, tem alguém que realmente brilha durante, praticamente toda, a 1:4oh de filme, que é o pequeno João Guilherme. Para quem está fazendo seu primeiro filme, ele mostra uma segurança em cena que alguns adultos não conseguem passar, inclusive nas cenas mais pesadas, ele sustenta muito bem e dá ao filme, o jeito moleque que esperamos ver na história. Por isso, esse promissor ator mirim fica com meu destaque de hoje! E me arrisco a dizer que será uma das indicações para Melhor Ator no festival, tem outros bons trabalhos, mas com um pingo de bom senso ele estará, pelo menos, entre os indicados.
  
Ed: Chegou a pior época do ano pra mim, Festival do Rio... Meu trabalho dobra nessa época do ano, é pior que Natal pro Papai Noel, ou Páscoa pro Coelhinho!!! Principalmente nesses filmes da Première Brasil, até porque convenhamos né, se o filme foi escolhido entre muitos outros pra estar ali, não dá pra ser tão ruim como uns que encontramos por aí nos cinemas. Só de estar na programação do festival, já sei que vem encrenca pra mim.
  
  Esse eu até estava um pouco esperançoso, história meio antiga, tudo meio já reutilizado... até o douradinho concordou comigo que podia ser mais ou menos, mas pelo jeito não foi bem assim... então vamos parar de enrolação. Vou aproveitar que não tenho muito pra falar e poupar o ouvido de vcs, até porque algumas coisas que pensei em falar, fui vetado porque seria spoiller. Já não tá fácil, ainda querem dificultar mais!!!
  
  Posso dizer que teve algumas mudanças na história do livro, alguns pedaços são deixados de lado e quem é bastante fã da história original pode se incomodar um pouco. E quando ouvi dizer que o Ciocler passava o filme mudo, achei que era forma de falar, mas é literalmente!!! O personagem dele não tem nem uma palavra de fala... pelo menos ele não teve problemas para decorar o texto xD
  
  Enfim, vou terminando minha participação por hoje e torcendo pra essas semanas passarem logo, porque FestRio é sempre sinônimo de hora extra pra mim... até a próxima!!!
  
  
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