quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Crítica da Semana -- Primeiro Dia de um Ano Qualquer (Especial FestRio)


  
  Um filme entre amigos
  
  Mais uma crítica de um filme que fez sua estreia no Festival do Rio desse ano. Dirigido por Domingos de Oliveira (Todo Mundo Tem Problemas Sexuais) o filme se passa em uma casa da serra carioca, que é de propriedade da atriz Maitê Proença (Elvis e Madona), e mostra o primeiro dia do ano nessa casa onde estão reunidos a família e os amigos da proprietária da casa, vivida pela própria Maitê. Qualquer coincidência com a realidade é mera semelhança! E nesse clima entre amigos e para amigos é que se desenvolve a história do filme que será nossa crítica de hoje, Primeiro Dia de Um Ano Qualquer.
  
  A história é divertida e surgiu da vontade de Domingos de fazer algo mais sobre aquele lugar do que apenas uma fotografia, pois segundo ele apenas uma imagem não representa bem a beleza do lugar, precisaria de movimento. Então o filme tem esse ar intimista e bem simples, sem nenhuma pompa de grandes produções, mas seu roteiro com situações inusitadas, porém cotidianas fazem com que o público se identifique com os personagens e ainda com seus textos inteligentes, bem trabalhados e muito bem humorados, temos um filme gostoso de assistir que consegue proporcionar bons momentos de diversão e reflexão.
  
  No elenco, além de Maitê, temos nomes como Priscilla Rozenbaum (Todo Mundo Tem Problemas Sexuais), Ricardo Kosovski (Zuzu Angel), Alexandre Nero (A Novela das 8), Guilherme Fiúza (Autor de Meu Nome Não é Johnny), Orã Figueiredo (Heleno), Tammy Di Calafiori (Meu Nome Não É Johnny), entre outros, inclusive o próprio Domingos de Oliveira. Ney Matogrosso (Diário de Um Novo Mundo) também faz participação especial em uma das sequências mais engraçadas do longa.
  
  A fotografia é muito boa, como era de se esperar com a intenção do diretor de ressaltar o local, e os cenários da casa, muito bem utilizados, conseguindo realmente atingir o objetivo de mostrar toda beleza do lugar e o visual retribui valorizando a estética de cada cena.
  
  Como resultado, vemos a interessante capacidade de Domingos de criar um roteiro e fazer um filme que basicamente é sobre uma casa, um local em específico e que se passa lá dentro o tempo todo e ainda assim, ter um texto sensacional, com críticas e sátiras aos estereótipos sociais, contando uma história que muitas vezes parece que não vai pra lado nenhum, mas esse emaranhando de boas crônicas que envolvem cada personagem é que se torna o melhor da história.
  
  Sobra crítica pra todos os tipos e todas as classes, sem perder a naturalidade, nem a pose. Um filme no melhor estilo Woody Allen de cinema e um tipo de humor que praticamente não se vê no cinema nacional, onde as comédias tendem muito mais ao humor mais direto e espalhafatoso, por assim dizer. Certamente pode causar um pouco de estranheza por sua simplicidade e talvez não ganhe facilmente a aceitação do grande público, mas deveria, pois é um tipo de cinema muito bom que poucos valorizam. Mas se até o próprio Woody Allen (Para Roma, com Amor) às vezes enfrenta problemas de aceitação...
  
  Feito com Efeito: Bem, tenho que dizer que essa sessão da crítica hoje vai ficar bem vazia, porque efeitos é uma coisa que não acontece nesse filme. Pode até ter acontecido um retoque aqui ou ali em algum momento, mas nada que seja realmente efeito visual. Até a abertura é o mais simples possível, cartela de uma cor só com título por cima em outra cor. Claramente não é um tipo de filme pensado para ter efeitos. Por isso mais uma vez fico por aqui.
  
: Não é nenhum primor cinematográfico, mas realmente tem semelhanças com os filmes do Woody e isso dá um charme ao filme. Gostei da forma como a história é contada, sem se preocupar muito com detalhes. Domingos é um diretor diferenciado e o Brasil é carente desse tipo de direção. Mesmo assim, ainda vejo como um filme que deve ganhar destaque apenas em festivais e esse tipo de eventos, tenho que concordar que vai ser difícil conseguir muito sucesso popular, mas não sei bem se nesse caso o problema é do filme ou do povo.  
  O que me chamou mais atenção e merece meu destaque de hoje é o roteiro, que foi muito bem montado para servir ao propósito e criar situações inusitadas, mas principalmente para o texto que é fundamental na história, para fazer o papel de crítico e de palhaço nos momentos certos e se não fosse tão bem realizado, talvez o filme não tivesse agradado metade do que agradou. Toda a produção (vale dizer que o filme foi filmado em 10 dias) mostra que é possível fazer cinema em um formato simples, de forma inteligente e criativa.
  
Ed: Mais um do Festival do Rio... e segue essa canseira... Enfim, esse me deu menos trabalho que o anterior, mas ainda sim é bastante trabalho.
  
  Fazer um filme em estilo Woody Alleano não é uma tarefa fácil, o próprio Allen, às vezes não se acerta com esse estilo. Então a linha entre um filme artisticamente simples e uma história sobre nada, é muito pequena e o que vai pesar são os olhos de quem está vendo. E digo com certeza que o público que vai enxergar a primeira opção é bem menor. Por isso não vejo um futuro muito promissor para o longa no circuito aberto.
  
  Outro detalhe que incomoda um pouco depois de certo momento é a narração... ok em alguns momentos ela tem sua função e serve ao propósito, mas depois não é mais necessário ter alguém comentando o filme. Depois de certo ponto, é melhor deixar o público enxergar do seu jeito e tirar suas conclusões.
  
  E fechando minha participação de hoje, para uma história com muitos personagens, alguns são subaproveitados. Algumas pessoas se perdem no meio das muitas histórias e ficam apagados no resultado final da narrativa. Com isso encerro, porque pra um filme de festival, até que falei bastante!!!
  
  Ficha técnica ainda não disponível
  
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