sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Crítica Extra: Intocáveis

   
  Quando escolhi Intocáveis, dentre os outros filmes que estavam em cartaz no Espaço Itaú de Cinema, lá na Rua Augusta, antigo Unibanco, foi o fato do gênero do filme ser comédia. Eu não estava num dia pra lágrimas, dramas ou até mesmo terror, apesar de ser o estilo que eu mais prefiro.
  
  Intocáveis quer nos mostrar como Driss e Philippe sabem das suas classes sociais e estão cansados delas. O roteiro se preocupa com as semelhanças entre duas pessoas de classes tão distintas, como o gosto pela música, a preocupação com a família, a paixão por esportes, etc.

Philippe é um milionário, tem vários carros, empregados para todos os tipos de assuntos e um detalhe: é tetraplégico. Driss, em contrapartida é um jovem negro, de origem senegalesa, do subúrbio, com físico de atleta, pobre, que comparece em entrevistas de emprego apenas para conseguir um tipo de seguro do governo que lhe proporciona alguns meses de sobrevivência.
  
  François Cluzet (A Arte de Amar), que interpreta Philippe é super conhecido na França, mas o que mais me chamou a atenção, aliás, me deixou embasbacada foi como ele é a cara do Dustin Hoffman, A CARA mesmo!!! E Omar Sy (Micmacs - Um Plano Complicado), o Driss? Que interpretação maravilhosa, espontânea, perfeita eu diria. O filme prende a nossa atenção, justamente por não saber qual vai ser a próxima que o Driss vai aprontar, rs.
  
  A produção musical do filme ficou a cargo de Ludovico Einaudi (Aprile), conhecido pianista italiano e compositor de música clássica, gênero que eu “somente” amo. Fora as músicas das décadas de 70, 80 que fazem parte da minha história, como: September e Boogie Wonderland, do inesquecível Earth, Wind & Fire; dá vontade de dançar só de lembrar.
  
  O filme me tocou tanto, que eu não consigo esquecer de nenhum personagem sequer. Todos eles foram bem colocados no roteiro, tem sua participação de forma que você fica com eles na sua mente. Mas eu não vou falar de todos pra vocês porque aí perde a graça ver o filme, né? Quero destacar também a interpretação da fabulosa atriz Anne Le Ny (A Guerra Está Declarada), Yvonne no filme. Ela é tipo uma governanta que fica muito amiga de Driss e os dois juntos cuidam de Philippe.
  
  Li muito por aí, pessoal falando sobre a história do filme ser clichê. Tá, pode ser que seja. Um cara pobre, que não tem nada a ver com o milionário, vira seu assistente e amigo. O filme me arrancou lágrimas. Não, não de tristeza, pelo contrário. Por mais que esteja tudo uma loucura, ele faz você acreditar que há esperança de encontrar pessoas ao seu redor que façam o mundo ser um lugar melhor. Por mais improvável que seja, isso nunca será clichê. Juro, estou tentando achar um defeito no filme. Ou eu não sou boa com isso ou me contento com pouco, pois para mim, o filme é perfeito!!!
  
  Em Portugal, o nome do filme, traduzido, virou Amigos Improváveis. Acho que faz mais sentido que “Intocáveis”, mas mesmo assim não tira o merecimento. Somos intocáveis ao seu preconceito, quem sabe? Um filme que vale a pena ser visto em qualquer ocasião.
O filme, que foi apresentado no Rio de Janeiro, na abertura do Festival Varilux de Cinema, é baseado no livro autobiográfico de Philippe Pozzo di Borgo, que se chama Uma Segunda Vida.
  

: É um filme que apesar de sua estrutura bem simples conseguiu alcançar um grande destaque e receber ótimas críticas. Isso porque conseguiram pegar um filme que nada mais é do que uma comédia de estereótipos, porém souberam utiliza-la da maneira correta, sem exageros e cenas desnecessárias. Ou seja, a realização do filme é muito boa e esse é um mérito que podemos atribuir principalmente a direção que foi bem feita e sabia exatamente o que fazer com o roteiro que tinha na mão. Por isso, meu destaque de hoje fica para a dupla de diretores que fez a diferença entre um filme comum e o sucesso que o filme está alcançando.
  
  Outra coisa que contribui muito pra isso foi a montagem, enxuta e bem utilizada de Dorian Rigal-Ansous (Como Arrasar um Coração) que merece uma citação aqui também! 
  
  O grande acerto do filme é ser simples e aceitar isso da melhor forma, sabendo ficar assim de forma digna, essa simplicidade é que o transforma em um filme gostoso de assistir do início ao fim! Porque nos poucos momentos que tenta sair disso, não vai muito bem. 
  
  No final, o resultado é uma comédia inteligente, que flui muito bem e que alcança o que se propõe!
  
Ed: Um filme um tanto inusitado, tinha tudo pra ser mais uma comédia pastelão dessas que o cinema francês tem o dom de produzir (muito parecido com o brasileiro, por sinal) com piadas clichês e humor forçado, mas parece que acabou se safando no final das contas. 
  
  Mas apesar disso, meu trabalho não vai passar em branco e devo dizer que se essa estagiária não conseguiu falar mal do filme, não se preocupe..estou aqui pra isso, afinal esse é meu trabalho por aqui ;)
  
  O roteiro do filme não tem nada de especial, é uma utilização de diferenças estereotipadas exageradas para gerar um ambiente propício para situações engraçadas, é só olhar que vamos ver muitos outros por aí nos mesmos moldes. E aí vcs perguntam, "então porque está fazendo sucesso " Como o amarelinho aí em cima disse, ele pode ter sido bem realizado, mas aí já foge da minha função... mas querendo ou não o roteiro é clichê!
  
  O filme também tenta em alguns momentos se utilizar da ideia de passar conceitos morais, mas o roteiro, que não se preocupa em se aprofundar em nada sobre o assunto, deixa o filme na superficialidade não chegando nem perto de alcançar esses questionamentos sociais, o lance dele é fazer comédia, de uma forma menos pastelão do que provavelmente seria se tivesse sido feito em Hollywood, mas só isso...
  
  Ahh e só mais um detalhe que tenho de acrescentar.. esse papo da crítica norte americana chamar o filme de racista é vergonhoso! Eles não podem ver um filme de humor politicamente incorreto que não seja vindo deles mesmo... sério, às vezes o pessoal em Hollywood me irrita!
  
  Ficha técnica do filme / Imagens 

3 comentários:

  1. Oi Flávia, tudo bem? De onde veio o seu interesse por cinema se é que posso perguntar?

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    1. Oi, eu não sou a Flávia (como vc deve ter notado), mas a Flavinha anda meio enrolada com uns compromissos pessoais e nem sei se ela conseguiu ver seu comentário/pergunta. Por conta desse compromisso, ela não vai estar tão na ativa no blog nos próximos meses, mas acho que assim que ela tiver um tempo ela irá te responder! =) Abs!!!
      P.S.: Se puder coloca seu nome ai pra gente te conhecer!

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  2. Nossa, so hoje eu vi esse comentario hahaha gente, ainda por cima o meu teclado ta com problemas... mil perdoes pelas falhas, preciso trocar o teclado do note, mas e caro rs rs rs olha *anonimo*, eu acho que eu sempre gostei por conta de por muitos anos na minha cidade nao termos cinema. Lembro de ter visto um filme quando era bemmmm criancinha, no cinema antigo que tinha na cidade, era um em preto e branco, cof cof, como estou velha... lembro que era de bichinhos que se perdiam, ai caiam num rio e iam junto com a correnteza, enfim... eu era bemmmm pequena mesmo. E logo depois, esse cinema foi demolido e por muitooosss anos ficamos sem cinema na cidade... eu fiquei fascinada, claro. somente em 1999 com a inauguracao do shopping center aqui, que rolou a volta do cinema, apesar de serem 3 salas ridiculas de pequenas e tal... enfim, acho que e mais ou menos isso... o interesse veio por conta de nao ter acesso, creio eu... mas eu sou pessima critica rs beijos e responda, com seu nome, queremos saber quem e vc, sou curiosa rs rs rs

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