quinta-feira, 27 de junho de 2013

Crítica da Semana -- Universidade Monstros

  
A monstruosa vida universitária
  
  A doze anos atrás a equipe da Pixar, chefiada por Andrew Stanton (WALL·E), apresentava ao mundo, a dupla de monstros mais simpática do cinema, Mike Wazowski e James Sullivan; e com eles, passamos a ver o mundo dos monstros de uma forma como nunca antes imaginada, na animação Monstros S.A.  E como todo grande astro tem um começo, voltamos agora ao tempo da universidade para conhecer a trajetória de Mike e Sulley até se tornarem a maior dupla de assustadores de todos os tempos da Monstros S.A. e para isso vamos conhecer o local onde todo grande monstro começa a Universidade Monstros.
  
  O roteiro dessa nova empreitada ficou a cargo da dupla Daniel Gerson e Robert L. Baird - ambos tendo participado da equipe do primeiro filme (sendo que Gerson assinou o roteiro em dupla com Andrew Stanton, enquanto Baird foi responsável apenas por materiais adicionais do roteiro) – e também do, praticamente estreante, Dan Scanlon que além do roteiro, foi o diretor do prólogo que chegou aos cinemas brasileiros na última sexta feira.
  
  Como é de costume da Pixar, o filme tem um curta antes do início do filme principal e nesse caso é o fofo, O Guarda-chuva Azul, onde um simpático Guarda-chuva que encontra sua cara metade em meia a uma multidão de outros, vai precisar de certo esforço para chegar a ela. A ambientação do curta é linda e serve como ótimo aperitivo pra história que está por vir.
  
  O fio condutor da história nesse, não é a dupla de monstros e sim o jovem Mike que vai para Universidade Monstros afim de realizar seu sonho de se tornar um grande assustador, lá ele vai encontrar algumas caras conhecidas do primeiro filme, inclusive o grandalhão Sulley (ou “Gatinho!!!” como diria a Boo, que por acaso não está nesse filme – por motivos óbvios). Um dos pontos mais divertidos da história é encontrar os pontos de ligações que são feitos com o primeiro filme e que por esse se passar antes, podemos reconhecer elementos que remetem a história vista no primeiro. Por isso se vc não viu Monstros S.A., aconselho que assistam antes. Não que influencie no entendimento da história (na verdade são bem independentes), mas certamente vai lhe proporcionar algumas risadas a mais e um melhor aproveitamento do conteúdo.
  
  Fora isso, a história em si é bem interessante, a criação do ambiente universitário é muito bem aproveitada, no melhor estilo dos filmes universitários americanos, porém com a sutil diferença de ser povoado por Monstros dos mais diversos tipos, realçando os diferentes tipos de esteriótipos que são facilmente encontrados entre os jovens universitários pelo mundo, desde os marrentos esportistas, até os excluídos, passando pelas lideres de torcida e os alternativos. A trama é bem estruturada e com certeza vai proporcionar um bom divertimento para todas as idades, principalmente no que diz respeito as matérias e técnicas estudadas pelos monstros, que são sempre uma piada à parte e também nos Jogos do Susto, competição para eleger os melhores assutadores do campus, com provas perigosas, escolhidas a dedo (ou garras), que chegaram a me lembrar, de uma forma doida, um tipo de torneio tri-bruxo de Harry Potter e o Cálice de Fogo
  
  Vale tocar, na sutileza e simplicidade da resolução  o diretor encontra para duas representações de passagem de tempo, uma nos créditos iniciais para demostrar a aprovação de Mike na Universidade e uma nos finais para demostrar o sucesso alcançado por alguns monstros, com animações que podem facilmente passar despercebidas, mais ainda sim têm um significado muito grande. Ahhh e não saiam do cinema antes dos créditos finais acabarem, porque tem uma cena pós créditos.
  
  É bom ver uma história interessante como a de Monstros S.A. gerando novos frutos e apesar de  considerar o primeiro ainda bem melhor que o segundo (pelo menos, eu ri muito mais com o primeiro filme) uma coisa é certa,  encontraram uma boa perspectiva a ser explorada nesse universo, mas na possibilidade de um próximo, é preciso ser muito bem pensado, e ter um motivo real e empolgante para existir, se não a Pixar corre o sério risco transformar um bom acerto, em mais um caça-níquel sem sentido.
  
  Feito com Efeito: Nos efeitos, os cenários são algo que se destaca, com sempre acontece em filmes da Pixar, o ambiente da Universidade é muito bem criado e com todo colorido que uma cidade onde o normal é os habitantes terem cores diferentes, precisa pra convencer, a visão aérea do local nos dá dimensão de como o local foi todo pensado para realmente retratar, a sua maneira, um campus universitário e é exatamente essa a sensação que temos ao ver a vista aérea do lugar. Apesar de eu esperar mais do interior da casa do curso de susto, por todo o clima que foi criado em torno dela.
  
  A diretora Hardscrabble, é um dos personagens que mais gostei, com suas expressões impassíveis e suas varias garras/patas que se movimentam freneticamente e fazem aquele barulhinho irritante e aflitivo, com tudo que uma assustadora lendária tem que ter.
  
  Nota também, para o detalhe do Mike, usando aparelho nos dentes, algo que parece apensa um preciosismo, mas que é uma bela forma de aproximar o personagem do universo das crianças/adolescentes.
  
  Outro ponto, é que o fato de ser em 3D contribui mais para essa ambientação dos cenários, para deixá-los com mais profundidade, mas no que diz respeito a interatividade com a platéia (leia-se coisas vindo na direção da tela) é praticamente nulo. Ou seja, se vc não é alguém que gosta de apreciar a beleza dos cenários e detalhes da modelagem 3D e da criação de efeitos, pode ser que ver em 3D não acrescente em nada.
  
: Tá ai uma animação que gosto bastante, Monstros S.A., faz parte da coleção oficial da família!!! Levaram o prêmio da Academia de melhor canção original, com a música If I Didn't Have You, do meu amigo Randy Newman. Fico feliz de vê-la volntando com uma nova roupagem as telas dos cinemas. Apesar de eu ter fica preocupado de deixarem a direção na mão de um semi-desconhecido, mas até que o novato se saiu bem e conseguiu entregar um bom resultado.
  
  Apesar de eu sentir falta da presença do Andrew no roteiro, o pessoal que escreveu fez um bom trabalho e a história ficou boa. Ainda que não consiga fugir da linha de roteiros simples da Pixar, por serem filmes essencialmente feitos para os mais novos, consegue fugir do óbvio em vários momentos, dando tonalidades muito mais interessantes a história e tendo uma lição final, que foge muito do estilo politicamente correto da Disney/Pixar, o que é algo surpreendente e um grande feito. Por tudo isso, meu destaque desse filme, não poderia ser para ninguém diferente da equipe de roteiristas Robert, Daniel e Dan!
  
  Mas não posso deixar de comentar, ainda que sutilmente para não estragar, a beleza orquestrada pelo diretor na cena do grande susto de Sulley, que conta com toda preparação de Mike, onde o pequeno mostro verde se utiliza inclusive de técnicas cinematográficas clássicas de filmes de suspense para potencializar o susto e facilitar a vida do amigo peludo.
  
Ed: Acho essas animações algo cansativo de se avaliar, são feitas para crianças ranhentas, onde tudo é muito colorido e blá blá blá, e por causa disso as pessoas tende achar tudo muito legal... bem não é!!! E por maior que seja o esforço da equipe, esse também não conseguem fugir dos clichês mais básicos de filmes desse tipo, por isso vamos em frente com as marretadas, porque essas coisas muito coloridas me deixam de mau humor.
  
  Achei alguns monstros meio perdidos na história, no que diz respeito a ligação com o primeiro filme, por exemplo, o líder da fraternidade esportiva que é o bosão do susto, não foi nem mencionado no primeiro filme, o que houve com ele depois da universidade, morreu?
  
  Além disso a história foca o tempo todo, no fato do Wazowski querer ser um assustador profissional, e como todos sabem (por causa do primeiro filme, logo não é spoiler) ele não trabalha bem como assustador, ele é uma espécie de ajudante, ou treinador, do Sulley que é de fato o monstro assustador... essa função que ele executa, no primeiro filme é uma função importante para o trabalho de assustador, mas na universidade o assunto é muito pouco explorado e não se dão nem ao trabalho de explicar qual é realmente a função dele na empresa, isso poderia ser algo mais bem explicado e explorado, já que ganha destaque no primeiro filme e se torna a função futura do personagem central da trama.
  

  E é isso ai que tem pra hoje, até a próxima!
  
  Ficha técnica do Filme
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