quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Crítica da Semana -- Os Estagiários

  
Nunca é tarde para buscar o sucesso
   
  Não são poucos os casos de pessoas que após anos trabalhando em uma empresa, de repente se vêm perdidas porque a empresa acaba ou são mandados embora. Essa é exatamente a situação que se encontram os vendedores Billy e Nick. Eles eram os melhores vendedores de uma empresa de relógios  que acaba de ser fechada porque seu mercado está sendo tomado pelas novas tecnologias e assim como eles dois, está se tornando obsoleta.
  
  Porém, Billy vê uma oportunidade em uma tentativa de estágio que pode se tornar um grande emprego. Mas vale a pena se arriscar na tentativa de um estágio quando se está perto dos 40 anos? Muitos diriam que não. Mas e se esse estágio for em umas das maiores empresas da atualidade, a poderosa Google?!? Os amigos resolvem encarar esse desafio e tentar uma das tão disputadas vagas que serão dadas à alguns dos estagiários, que conseguirem passar das entrevistas, sendo que tem um pequeno detalhe... eles não entende nada de tecnologia e computadores. Os Estagiários é nossa crítica de hoje.
  
  O filme remonta a parceria de sucesso de Penetras Bons de Bico, entre Vince Vaughn (Billy) e Owen Wilson (Nick), oito anos depois e a química entre os dois atores se mostra ainda afiada. Porém, o nível de humor subiu um pouco, da comédia romântica, para uma comédia que trata de valores interpessoais, filosofia de vida e mergulha no ambiente corporativo da Google, que até hoje é um dos mais comentados e referencia de modelo de trabalho no mundo.
  
  O roteiro foi escrito pelo próprio Vince Vaughn, o que faz esse filme se juntar à outros dois nos quais ele também escreveu e atuou, Encontro de CasaisSeparados pelo Casamento. Função que dividiu com Jared Stern. Os dois já trabalharam junto no recente Vizinhos Imediatos de 3º Grau, ainda que nesse Vaughn tenha só atuado. A direção é do experiente em comédias Shawn Levy, que recentemente emplacou um bom filme de aventura com Gigantes de Aço.
  
  Como de costume em comédias americanas o arco dramático do roteiro não é grandes coisa, mas o fato de tratar do ambiente de trabalho da Google, da alguns pontos para a história fazendo ela se tornar interessante. Em muitos momentos também, é possível ver um esforço (ainda que não completamente alcançado) de fugir da comédia pastelão exagerada. Dando ênfase as piadas naturais que surgem do choque de relacionamento que acontece quando se coloca dois quarentões apaixonados pelos anos 80, no meio de um monte de jovens nerds, geeks, super inteligentes e viciados em tecnologia.
  
  As modernidades tecnológicas e avanços do mundo que vivemos atualmente, que muitas vezes assusta os mais antigos, é o que move o centro da trama. Dentro desse contexto, as sátiras literalmente voam desde uma disputa baseada no jogo de Quadribol, do mundo de Harry Potter, passando entre os mais diversos tipos de esteriótipos nerds e geeks (sim, existe uma variação enorme de tipos) e piadas sobre o mundo corporativo, aplicativos de celulares e chegando até o inevitável humor inteligentemente nerd, em uma cena que envolve um suposto professor Xavier e os X-men.
  
  Na essência, o filme procura mostrar como, no modelo de trabalho que se vive em algumas empresas atualmente, o conhecimento não é tudo que importa. Em muitos momentos, a vontade de fazer acontecer, a dedicação e o trabalho em equipe acabam sobrepondo certas carências ou necessidades que um ou outro funcionário possa ter.
  
  Para quem não nunca ouviu falar em como é a estrutura de trabalho e as instalações da Google, é uma ótima chance de conhecer, pra quem já conhece, vai se divertir um pouco com as sátiras internas principalmente se vc entender um pouco de tecnologia e do mundo geek. Mas não vá esperando uma enxurradas de piadas pra te fazer chorar de rir, porque essa não é a proposta. De certa forma, ele nos passa um alerta, que muitas vezes o mundo corporativo esquece, de que grandes mentes podem estar aonde menos se espera.
   
  Feito com Efeito: Filmes de comédia por definição não são grandes fontes de efeitos visuais e esse não é nenhuma exceção. Por isso, essa sessão da crítica hoje, vai ser bem curta. Como sempre, tem aquela participação em um retoque aqui e outro ali e pronto. A única coisa que vale destacar são os crédito finais, onde foi feito um videografismo, se utilizando dos produtos da Google, para mostrar o casting. A animação ficou muito interessante e divertida, com a presença do famoso Youtube, o Picasa e até um dos divertidos Doodles que já viraram moda na internet. Vale a pena ficar sentado na poltrona durante os créditos pra ver.
  
: Comédias exageradas e extravagantes inundam todos os anos o cinema norte americano por todos os lados e na maioria das vezes elas tem pouco a oferecer além de algumas risadas, outras nem isso.
  
  Essa definitivamente não é apenas mais uma dessas, segue os moldes é verdade, mas tem mais a mostrar do que simplesmente um amontoado de baboseiras que se esforçam pra ser engraçadas. Certamente, se passar dentro da Google é de grande ajuda pra dar ares diferenciados a trama e isso consegue ser feito de forma a não passar como mera propaganda da empresa e sim como elemento integrante da história
  
  Para quem ficou na dúvida, sim, algumas cenas foram realmente filmadas nas instalações da Google na Califónia e a maioria dos lugares e instalações que se vê no complexo do filme, realmente existe na empresa. Então, é inevitável durante o filme ter aquela sensação de querer trabalhar lá... nem que seja servindo cafezinho.
  
  Quanto ao filme, o destaque vai pro elenco, que mais uma vez mostra boa química entre Vince e Owen, a interação dos dois é o que dá vida a história e faz com que as 2h de filme fiquem bem mais agradáveis. Os outros integrantes tem a função de mostrar a diversidade cultural e de estilos presente nas grande empresas, através dos esteriótipos. Tendo o típico jovem americano, metido a Hipster, uma indiana que tenta ser sexualmente descolada e o oriental que teve uma criação extremamente rígida, além é claro do gerente que é praticamente um adolescente ainda. Destaque para participação, ainda que pequena de Will Ferrell (Os Candidatos), que rouba a cena como sempre.
  
  Quanto a entrar no personagem, Owen e Vince não tiveram muitos problemas, porque ambos realmente não se dão bem com a tecnologia, como revelado pelo o próprio Owen em uma entrevista: “Eu não me dou muito bem com essas coisas de computadores e internet e Vince provavelmente foi uma das últimas pessoas no mundo a ter um celular”.
  
  O fato de os personagens dos dois ainda estarem presos aos anos 80, geram ótimas citações e referencias da época, muitas delas ligadas ao cinema. No mais é aproveitar é se deixar levar pelo ambiente contagiante e Welcome to Google.
  
Ed: Com ou sem Google a história é manjada... O poder da amizade, do trabalho de equipe e as pessoas mais diferentes que se tornam grandes amigos... o romance não correspondido, misturado à uma espécie de crise da meia idade. Enfim todos os tipos de clichês das comédias cotidianas, porém maquiados e escondidos embaixo do logo colorido e do ambinete de trabalho que todos um dia já sonharam na vida.
  
  O “vilão” da história, também não foge muito da rotina com o típico mauricinho arrogante, que já teve mais gente fazendo esse tipinho no cinema do que James Bonds e que invariavelmente acaba se dando mal (e isso não pode nem ser considerado spoiler... porque ahhhh vá!).
  

  O grande merchandising que acaba sendo a produção (talvez o maior já visto no cinema) acaba nem sendo o maior problema do filme -  apesar de com certeza ter sido um limitador de alguns diálogos e piadas mais adultas e/ou pesadas – o grande problema é que em tempos de crise e recessão, esse mundo ideal onde apenas força de vontade, trabalho equipe e a velha lábia te colocam em um grande empresa, está cada vez mais longe de ser possível. Talvez por isso o filme não tenha ido tão bem nas bilheteiras na terra do Tio Sam.
  
  
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