sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Crítica da Semana Rush: No Limite da Emoção


  
  A Rivalidade de Niki Lauda e James Hunt
  
  O automobilismo e principalmente a Fórmula 1  é um esporte de alto risco, mas houve uma época em que cada vez que se entrava em uma corrida, não se tinha certeza se chegaria vivo ao final, tamanhos eram os riscos e a falta de segurança das provas. Hoje as altas tecnologias e estudos rigorosos de segurança diminuíram muito esses riscos e as taxas de fatalidades. Porém, já houve um tempo em que de todos os pilotos que começavam uma temporada, pelo menos dois deles, morriam antes do fim do ano.
  
  Nessa época de doidos apaixonados por carros, velocidade e adrenalina apareceu um corredor, que se você se interessa peoa menos um pouco pela história da F1 já ouviu falar em seu nome. Ele é o austríaco Niki Lauda, que esteve nas pistas ao mesmo tempo que o inglês James Hunt, que já havia corrido contra Lauda na época em que ambos estavam na F3. A competitividade entre os dois só fez crescer quando voltaram a ser rivais nas pistas da categoria principal do automobilismo, essa rivalidade tomou grande proporção dentro e fora das pistas, ficando famosa no mundo todo e transformando Lauda e Hunt nos principais pilotos e rivais da época. É sobre a vida desses dois nomes lendários da F1 e sua rivalidade que conduziu a carreira de ambos, que é baseado o filme Rush – No Limite da Emoção, que chega hoje (13/09) aos cinemas brasileiros, é o tema da nossa crítica de hoje.
  
  O filme acompanha as carreiras de Hunt e Lauda desde seu início na Fórmula 3, sua subida para a Fórmula 1 desacreditados, até as glórias do campeonato mundial alcançada por ambos, passando é claro pelo terrível acidente de Lauda que quase lhe tirou a vida e lhe deixou com queimaduras no corpo todo.
  
  Pouco do que se fale sobre esse filme pode ser considerado spoiler, pois basta googlar o nome Niki Lauda, para ter acesso a toda a história da carreira do piloto, ainda assim, não vou me aprofundar muito nos fatos da história, para quem não a conhece ainda, decidir se quer saber antes ou durante o filme. Porém, o desfecho da história é o menos importante em um filme como esse, até porque muita gente ja sabe como termina, então fica sempre a sensação de “já vi esse filme”.
  
  Então o que o diretor Ron Howard (Anjos e Demônios), precisou buscar para realizar essa produção, é o lado que poucos viram: Os bastidores, como era a relação e a vida de cada um dos pilotos fora das pistas, a seriedade quase fria de Lauda em contra partida as extravagâncias muitas vezes negligentes de Hunt, o tratamento pelo qual Lauda passou e muitos outros detalhes que atraem o interesse principalmente daqueles que gostam do esporte, mas que com certeza é uma história de superação, garra, vontade de vencer e amor pelo que faz, que fará qualquer um se envolver com a história.
  
  O diretor não poupou no impacto das cenas, principalmente com relação aos acidentes, todos com ótimas sequencias de filmagem e edição e algumas até mais fortes do que eu esperava, inclusive no tratamento sofrido por Lauda. O clima frenético da edição, com cortes que acompanham muitas vezes o ritmo e a velocidade dos carros durante as corridas, é quebrado para sequencias mais calmas e trabalhadas quando estão fora das pistas, valorizando os diálogos, principalmente entre os dois pilotos. Tudo harmonizado por uma fotografia bem pensada e detalhista que complementa o contexto, fazendo do visual do filme algo à se apreciar. Howard também se preocupou em colocar algumas toques de humor em momentos chave para quebrar a tensão e dar um clima mais leve ao momento.
  
  O elenco é bem escolhido, Chris Hemsworth (Branca de Neve e o Caçador) encarna bem o playboy que era James Hunt, enquanto a frieza austríaca e o comportamento recatado de Lauda cai bem ao ator Daniel Brühl (Bastardos Inglórios) que apesar de espanhol, é descendente direto de alemão pelo pai. A linda Olivia Wild (O Preço do Amanhã) interpreta Suzy Miller, primeira mulher de Hunt, enquanto Alexandra Maria Lara (O Grupo Baader Meinhof) vive os sofrimentos e alegrias da apaixonada mulher de Lauda.
  
  A intenção é trazer o espectador para dentro do espetáculo, porém tendo as corridas como catalizador da história e não como seu foco, questões internas e politicas da F1 da época e bastidores das escuderias estão em segundo plano ou nem existem. O que está no centro, é a vida dos dois pilotos, a importância da rivalidade que os motivou durante toda a carreira e a dedicação deles para conquistar o que era preciso. No final, acho que dá pra dizer que a produção conseguiu eternizar uma história importante do esporte nas telas, com um poema aos anos dourados da Fórmula 1 e a essas duas lendas do esporte.
  
  Feito com efeito: Os efeitos visuais nesse filme, são interessantes pois a função deles diferentes de muitos filmes que vemos atualmente não é criar coisas fantásticas e incomuns como em ficções e filme de fantasia. Aqui a ideia é recriar algo antigo e que por isso, não pode parecer nada muito sofisticado, precisa ser o mais fiel ao verdadeiro possível.
  
  Então facilmente é possível passar despercebido por vários efeitos, mas ele são vistos em muitos lugares. Como em ajustes para melhorar a maquiagem do Niki Lauda após o acidente, em momentos de batidas muito fortes onde boa parte é feito digitalmente, nos momentos de visualização das partes internas dos carros e até no momento da explosão do carro do Lauda, onde na gravação original o fogo era bem menor e foram inseridas chamas digitais.
  
  Esse é um lado da computação gráfica que poucos prestam atenção, mas que muitas vezes faz o diferencial do filme, com cenas que seriam muito difíceis ou perigosas de reproduzir e por isso, são refeitas digitalmente.
  
  Agora quem já leu, pode prestar atenção no filme e tentar imaginar quais cenas podem ter sido criadas  digitalmente, ou quais foram realmente gravadas com dublês suicidas. Se verem alguma interessante deixem ai em baixo nos comentários.
  
:   Fórmula 1 nunca foi um dos meus esportes favoritos, mas ver um grande história como a de Niki contada nas telonas é mais grande grande momento do esporte.
  
  A recriação das corridas da década de 70 foram muito bem feitas, o das pistas, os carros antigos e até os bastidores estão bem ambientados para a época, que logicamente é muito diferente de como vemos hoje em dia nos eventos. Além disso, os cenários e caracterização dos personagens inseridos no contexto da época também chamou minha atenção,
  
  Porém o maior destaque fica para a fotografia de Anthony Dod Mantle, que já é conhecido da família há alguns anos, quando levou o prêmio da Academia por Quem Quer Ser um Milionário?, e não apenas pelo trabalho fotográfico em si, mas pela bela junção e harmonia com a montagem do filme onde uma completou a outra de forma e se tornarem um conjunto que mexe com os sentidos do espectador e deu um ar de adrenalina noir que valoriza a história. Dito isso vale também destacar o trabalho do editores Daniel P. Hanley (Jonah Hex - Caçador de Recompensas) e Mike Hill (Anjos e Demônios).
  
Ed: Tive certo trabalho com esse filme, faz um tempo que não me esforço, já estava ficando entediado. Mas já que temos trabalho a fazer, mão a obra ( – No seu caso literalmente mãos xD)
  
  Antes de qualquer coisa, é impressionante... todos os Grande Prêmios pelo mundo, a abertura é com barulho de motor, aí chega no GP de São Paulo, no Brasil. Abra com o que? Samba!!! E uma mulata (de fantasia!!) sambando no meio do corredor dos boxes durante a preparação pra corrida. Sério gente, por que o pessoal lá fora acha que tudo no Brasil tem que ter samba???
  
  Mas fora esse detalhe carnavalesco, o filme coloca o Hunt como o bad boy quase o tempo todo, eles colocam o cara numa posição de ser quase o antagonista da história e no caso esse história tem dois protagonistas, cada um à seu modo, ele era playboy e marrento, mas isso não faz dele alguém ruim, claro que é uma forma de fazer com que isso gere um impacto no personagem após o acidente do Lauda, mas às vezes essa situação parece um pouco forçada demais.
  
  Por exemplo, houve uma corrida, onde um piloto morreu em um carro que pegou fogo antes do acidente do Lauda, que é até citado em uma parte do filme, o Hunt foi um dos pilotos que colocou a mão no fogo literalmente, para tentar salvar o cara, e nem tocaram no assunto, pode até ter sido uma opção cênica, mas pra mim parece uma forçada.
  
  Ficha Técnica do filme
  
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentem aí, suas opiniões são bem vindas e fazem o CA bem mais divertido, mas mantenham o bom senso ok? Perguntas serão respondidas sempre que possível...