sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Crítica da semana -- Tá Chovendo Hamburguer 2

  
  Por Cássia Baptista
  
  A Comida está viva
  
  Em uma época em que a palavra mais discutida em debates é sustentabilidade, o filme Tá Chovendo Hambúrguer 2 chega aos cinemas com uma proposta de conscientização do equilíbrio do ecossistema.
  
  A história, mais uma vez, se desenvolve a partir dos desafios científicos de Flint Lockwood, um inventor jovem e fracassado que vive com o seu pai na pequena ilha de Swallow Falls. Desta vez, após salvar o mundo de uma grande tempestade de comida, ele descobre que o mundo ainda está ameaçado quando Chester V, seu grande ídolo, o conta que sua máquina de comida ainda está ativada e que o “buffet” criou vida, formando um grande ecossistema de alimentos. Agora, junto com seus amigos, ele tem que salvar a ilha e o mundo das garras de diversos monstros de comida.
  
  O filme começa com o flashback de Flint sobre a sua invenção que transforma água em comida, isso permite a aqueles que não viram o 1° filme, a entender um pouco o que se passa na história e também conhecer um pouco sobre Chester V, o ídolo científico de Flint, que aparece no flashback.
  
  Ainda que a sequência não siga com os mesmos diretores, pois Phil Lord e Chris Miller estavam trabalhando em The Lego Movie (que chega aos cinemas em 2014), Cody Cameron (O Bicho vai Pegar 3) e Kris Pearn (estreando como diretor) conseguem manter o ritmo de aventura e o design com traços econômicos, abusando da criatividade e permitindo à equipe transformar em realidade aquilo que foi imaginado. Mais uma vez o que nos chama atenção é o volume e podemos observar diversos elementos em uma mesma passagem. Essa liberdade e despreocupação em traços detalhados e realistas para 3-D como no caso da Disney, permite uma vasta criação e transformação de alimentos em várias espécies de animais, sejam eles extintos ou não. Com isso, o filme trabalha de forma lúdica temas como a valorização do ecossistema, o respeito ao próximo, a importância dos amigos e da família, confiança e tomada de decisões diante de conflitos, fazendo as crianças interagirem e se interessarem por aquilo.
  
  A partir destes elementos, a história se desenvolve tendo como personagem principal o jovem Flint, que recebe a proposta de trabalhar na Live Corp Company junto com seu ídolo Chester V e ao ser inserido no mundo corporativo se depara com diversas situações do dia a dia. A trama mostra a influência de Chester V sobre Flint e a forma como ele e Barb (uma orangotango com cérebro humano) ludibriam e transformam a vida do jovem inventor, ficando claro assuntos como a competitividade, as dificuldades do ambiente organizacional, o culto à empresa, a falta de reconhecimento e a dedicação ao trabalho. Justamente por esta adoração, Flint começa a se dedicar integralmente as suas atividades, criando mais e mais inovações e submetendo todas ao sistema da Live Corp Company (uma empresa que fornece muito café para manter a vigília de seus funcionários).
  
  Diante deste cenário com inventores de jaleco de um lado e comidas animalescas de outro, a animação promete prender os olhinhos infantis com suas cores bem trabalhadas e seus personagens cativantes, além de convidar os pais a acompanharem esta aventura que trabalha aspectos pessoais, coorporativos e familiares. O humor e as grandes expressões continuam como uma herança divertida deixada por Phil Lord e Chris Miller e chegam ao cinema com a proposta de atrair ainda mais expectadores.
  
: Animações são sempre um prato cheio para aproveitar junto da criançada, alguns vivem reclamando da falta de profundidade, mas afinal o que seria do cinema se todos os filmes precisassem de uma enorme discussão filosófica por trás. Esse tipo de animação tem a proposta de atrair o público infantil e na medida do possível agradar os adultos. Muitas conseguem cumprir bem esse objetivo, vide clássicos como Procurando Nemo e Monstros SA. Tá Chovendo Hambúrguer, produzido pela Sony, desde o primeiro é muito menos pretensioso do que seus companheiros de gênero citados e nesses caso nem sempre tem força suficiente para manter um segundo filme, ainda assim, temos coisas boas. 
  
  Os personagens estão mais cativantes que no primeiro, o que pros pequeninos (e pros adultos que adoram essas coisas fofas,.. que eu sei que não são poucos #ToDeOlho) é um prato cheio (trocadilhos à parte).
  
  O ritmo do filme também melhora um pouco, já que na teoria, os personagens já estão apresentados e já se sabe a funcionalidade da máquina. e a aventura fica mais divertida.
  
Ed: Resolveram me dar uma folga, no meio do Festival do Rio, uma animação  pralar é uma boa relaxada. 
  
  Flashbacks em continuações para explicar a história do anterior é ruim em qualquer situação, ou você viu o primeiro ou não viu... Agora em animação que já tendem a dar um ralentada na história mata o ritmo completamente, ainda mais que se uma criança que viu o primeiro se desinteressa logo no início do filme porque causa do retorno à temas do primeiro, vc perdeu a atenção dele pra boa parte do filme. Se é essencial relembrar detalhes do primeiro filme, precisa ser feito de forma mais rápida e divertida
  
  Algumas piadas são subliminares demais para as crianças e bobas demais para adultos, o que faz elas perderem o efeito e ficaram completamente jogas fora, não agradando a nenhum dos públicos. 
  
Um problema que veio na mudança de direção foi tentativa de alcançar um público maior, enquanto no primeiro a intenção é só ser infantil com uma lição sobre a forma de coe
  
  Acontece também que o primeiro critica, de certa forma, os hábitos alimentares o que é um problema cronico nos Estados Unidos. Nesse passam a utilizar lições de moral como valores familiares, relacionamento corporativo e trabalho em grupo. Dica: Ensino valores as suas crianças em casa, não no cinemas, porque em 90% das vezes a pipoca vai estar mais interessante que a lição de vida! 
  
  Talvez tenha sido uma tentativa de atingir também o público adulto, mas esse não é o foco do filme, era melhor ficar focado nas crianças, porque adultos não procuram lições de auto-ajuda em filmes onde a comida fala.
  
  
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Cássia é estudante, escritora fanfiction e aceitou o nosso desafio de escrever a sua primeira crítica sobre uma animação

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