quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Crítica especial FestRio – Damas do Samba

  
  Em tempo de Festival do Rio é tanto filme e tanta correria que às vezes uma mãozinha há mais ajuda. Por isso até nossa assessora de comunicação, Vanessa Fermi, entrou na onda e escreveu sua primeira postagem pro blog. E já estreou com samba no pé, afinal pra trabalhar aqui tem que entrar na dança (sim os trocadilhos tem a ver com a crítica), por isso acompanhem a estreia dela e não se esqueçam de deixar suas opiniões nos comentários!
   
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  A energia que sai das rodas e quadras para a tela
  
  Dando continuidade à cobertura das exibições no Festival do Rio, a próxima crítica pede licença para entrar no blog e eu peço licença para começar com uma citação do mestre Cartola que nos diz: “na febre da dança senti tamanha emoção devorar-me o coração, divina dama”! O novo filme da diretora Susanna Lira estreou no dia 04/10/13 no Festival do Rio; e com muito respeito e energia, o documentário promete ser fiel ao reino do samba, mostrando o calor dessa dança e tamanha emoção transmitida pelas damas que estão presentes nas rodas, nas avenidas e no dia a dia dos brasileiros.
  
  Damas do Samba é um documentário ambientado no Rio de Janeiro, berço do samba, onde novas e velhas sambistas compartilham as suas lembranças. O filme faz um breve passeio pela história regional, que começou com a herança das baianas, mulheres guerreiras e vívidas que vieram para o Rio de Janeiro trazendo um pouco dessa força dos orixás. Essas mulheres audaciosas eram donas de sua independência e foram fundamentais para o início do samba no estado. Aos poucos, a história contada se mistura à história das entrevistadas, são elas musas, pastoras, tias, compositoras, passistas, madrinhas, carnavalescas, mulatas, intérpretes e operárias que se dedicam a perpetuação desta cultura.
  
  Susanna mostrou ser cautelosa a medida em que conduz muito bem a dose de cada material utilizado para o documentário, a religiosidade marca presença mas não se torna algo permanente e muito menos abre espaço para embates. A proposta não tange uma preocupação religiosa, mas também não esconde que o samba nasceu a partir desta riqueza cultural. As danças das mães de santo, o jongo dos escravos, as rezas em forma de canto e todas as influências que participaram e permaneceram no samba são pontos de partida para homenagear as grandes damas do samba, mulheres que vivem em uma jornada tripla como mães, esposas e profissionais do samba, mulheres como Tia Ciata que trouxe o samba para o povo carioca e se eternizou pelas rodas que aconteciam em seu quintal em época de perseguição policial, Tia Suluca que foi eleita presidente de honra da ala das baianas da Mangueira, Tia Surica homenageada pela velha guarda da portela, entre outras.
  
  O documentário segue com entrevistas de convidados que contam suas histórias e as vivências com grandes damas, cantoras que prestam sua homenagem às grandes guerreiras que abriram espaço para as mulheres no Rio e no mundo. Um ponto interessante é o fato de não ter nenhum homem entrevistado, todas as entrevistas e homenagem são conduzidas em um universo feminino, da velha guarda à nova geração. Contudo, essa preocupação em focar e valorizar os detalhes femininos acaba pecando nos excessos de cenas em close o que cansa um pouco a vista do espectador. Planos longos e estáticos que mostram a entrevistada cantando poderia ter a contribuição de fotos os vídeos que seriam embalados pela voz de fundo, assim como os closes em sandálias, olhos e paetês poderiam ter sido utilizados de forma mais dinâmica, muito foco as vezes esconde a riqueza e o ritmo que existe na cena.
  
  O samba é a dança do povo, desde que o samba é samba é assim, e em determinado momento o enredo é direcionado para a atuação nos barracões e escolas de samba e nos perguntamos aonde estão as damas das rodas de samba. Será que todas substituíram o quintal pelas quadras? Faltou um pouco desse samba de arerê, dessa baiana boa que entra na roda e diz que é bamba, esse povo que sonha, chora e sorri e que sem cadência do samba não pode ficar.
  
  Entre excessos e deficiências, a proposta é bem sucedida e consegue envolver o público nesta história. As músicas são muito bem selecionadas e, ao termino da exibição, a vontade que dá é de sair da sala e subir Santa Teresa para continuar ouvindo este ritmo ao lado de bambas.
  
  : Já estou no Brasil a tempo suficiente para entender que samba é um campo onde boa parte da população se sente a vontade e sair a noite, principalmente no Rio de janeiro, na maioria das vezes você vai encontrar pelo menos um lugar que esteja tocando esse ritmo contagiante. Porém muitas das pessoas que estão ali se divertindo e ouvindo aquele as músicas, não conhece suas origens e os personagens que fazem parte de sua história.
  
  A diretora Susanna conseguiu captar essa essência através do delicado e batalhador olhar feminino. Afinal, desde que o samba é samba as mulheres estão no meio dele e o documentário mostra que elas estão em toda parte realmente, por isso ninguém melhor que uma mulher pra mostrar todos os detalhes daquelas que vivem pro samba.
  
  A visão da diretora é parte importante do filme, a forma de interligas as personagens da história é bem interessante. Porém o que mais me chamou atenção, foi a escolha das músicas, afinal samba existem aos montes, mas as escolhas foram bem feitas, conversam bem com o momento do filme e melhora o ritmo da história que muitas vezes acaba dando uma diminuída com a quantidade de depoimentos. Por isso o destaque do filme é a trilha sonora.
  
  Ed: Já não basta ter samba em tudo que é lugar no Rio, agora vamos com documentário sobre samba, mas vamos adiante porque como diz um personagem da tv: "O tempo ruge e a sapucaí é grande".

  Concordo com o que foi escrito na crítica (aliás tem gente pakas escrevendo por aqui, já nem sei mais de quem é essa crítica... Vanessa, enfim...), os closes não cansam um pouco, cansam muito! Cheguei a ficar vesgo de tanto close. Quer mostrar os detalhes tudo bem, mas de vez enquanto precisa de uma variação, se não acaba ficando repetitivo.
  
  Também achei que a faltou ritmo na edição, algumas sequencias ficam muito ralentadas e demoradas e se o assunto é samba, tudo que não pode ficar é sem ritmo, se é que vocês me entendem. Os tempos de depoimentos ficam muito longos, depois de certo tempo fica cansativo. Muitas vezes nesse tipo de filme, não há como dar movimento ao depoimentos, sendo assim, essa função é da montagem que precisa dar uma dinâmica interessante e ditar o tempo da narrativa, o que muitas vezes fica em falta, em favor de deixar apenas o entrevistado falando.

Por hoje é isso..
  
  
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