quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Crítica Especial FestRio -- Nebraska

  
  Não basta ser filho, tem que participar
  
  Essa é a nossa primeira crítica direta do Festival do Rio 2013, para quem ainda não viu tivemos a primeiraparte da cobertura dos eventos e agora trazemos essa crítica especial para vcs.
  
  Badalado em Cannes, indicado a Palma de Ouro e Vencedor do Prêmio de Melhor Ator do Festival para Bruce Dern (Django Livre), o mais novo filme de Alexander Payne (Os Descendentes) chega ao Festival do Rio como um dos filmes internacionais mais comentados. Sendo assim o CA tinha que ir conferir e trazer todos os detalhes da produção para vocês.
  
  Todo em preto e branco, o filme pode de cara causar certa estranheza em quem não esteja esperando e sei que muitos tem certos preconceitos do tipo: “Ihhh filme preto e branco, vai ser alguma coisa complicada de assistir e chata”, mas deixe esses preconceitos bobos de lado, relaxe na poltrona e aproveite a história de Nebraska, porque de cansativo o filme não tem nada e conta uma bonita e divertida história que envolve conceitos de relações familiares em uma espécie diferente de road movie, leve e divertido.
  
  Estrelado brilhantemente por Bruce Dern que como foi comentado à cima, foi mais do que merecidamente reconhecido no Festival de Cannes, o filme conta a história de um pai de família pouco presente na vida de seus dois filhos e que ao receber uma carta que supostamente diz que ele ganhou o prêmio de 1 milhão de dólares, mas que no fundo não passa de uma propaganda promocional, se convence de que foi o vencedor do prêmio e que tem que ir a Lincoln em Nebraska - que fica a aproximadamente 1.500km de sua cidade Billings em Montana – resgatar seu prêmio. Apesar dos esforços da família para dissuadi-lo da ideia, o velho Woody Grant está decidido a completar sua jornada nem que seja a pé (?!?).
  
  Vendo que não seria possível o pai mudar de ideia, seu filho mais novo David – vivido por Will Forte (Vizinhos Imediatos de 3º Grau) – resolve levar o pai e aproveitar o tempo para se reaproximar de seu velho e visitar parentes que não veem há um tempo no caminho. Porém nessa viajem, pai e filho encontram muito mais do que dinheiro ou parentes, encontram uma conexão que estava perdida há muito tempo, afastada pela falta de contato e pelos excessos com a bebida do pai.
  
  Payne desenvolve um belo trabalho de enquadramentos de cenários e expressões dos atores, captando em cada momento a profundidade do que é necessário para a história, seja em planos de olhares vazios, que expressam tristezas ou incertezas da vida, ou nos longos planos na estrada que mostram o decorrer da viajem, assim como o decorrer da vida, realçando no caminho traços e elementos de uma América esquecida no tempo.
  
  A opção por realizar o filme em preto e branco, foi acertada, pois ao mesmo tempo que passa para o espectador o ar de nostalgia que acontece muitas vezes dentro da tela, favorece o realce das expressões e dos cenários que vão aparecendo pelo caminho. As estradas do interior do continente norte americano com a calmaria de suas planícies, favorece com cenários campestres bem interessantes e que deixam a história com um ritmo gostoso de acompanhar. Quase da vontade de pegar um carro e sair viajando junto com os personagens e Payne procura nos proporcionar um pouco dessa aproximação com a viajem. A trilha sonora instrumental e animada, no melhor estilo road movie, também favorece muito essa sensação.
  
  Fazer filmes nesse estilo viagem pelo país é uma especialidade no Estados Unidos, mas o diretor conseguiu nesse dar ares bem diferentes a sua história. Uma bela história familiar surge ao mesmo tempo que a estrada se abre, assim como muitas coisas do passado vem a tona e mostram que as pessoas às vezes são muito mais do que podemos ver, para o bem ou para o mal. Diferente de seu trabalho em Os Descendentes que apesar de todo o alvoroço e de ter sido inclusive premiado pela Academia não me agradou muito, em Nebraska, Payne conseguiu reunir elementos incomuns e interessantes e realiza uma produção digna de todos os comentários positivos que vem recebendo.
  
  Feito com efeito: Hoje, nessa seção, vou me limitar a mais uma vez elogiar o trabalho da estética preto e branco do filme, pois são poucos os diretores que se arriscariam a usar o filme inteiro assim. Essa é uma das grandes vantagens da produção e já mostra a vontade do diretor de fazer algo que remeta ao passado, o que é ressaltado pelo uso de técnicas de montagem, como transições de cena com fades e recursos pouco utilizados atualmente. Um belo toque estético que fez toda a diferença. Porém, quanto a computação gráfica vou ficar devendo, porque o filme não utiliza, nem deveria porque realmente não é algo que a produção pede.
  
: O Alexander é um antigo conhecido da família e já teve a honra de estar na família dos Oscars por duas vezes, pelos Melhores Roteiros Adaptados de Os Descendentes e Sideways - Entre Umas e Outras, então sempre espero coisas boas vindo dele e nesse caso não é diferente. Um detalhe que me chamou atenção é o humor sutil e inteligente, que pontua os momentos da história na dose certa e de tempos em tempos quebra o andamento, colocando a platéia pra rir um pouco. Isso deixa o filme com muito mais ritmo e faz com que a repetição de cenários e personagens não seja cansativa.
  
  A atuação de Bruce Dern é incontestavelmente ótima e é claro que merece um grande destaque, tá ai o reconhecimento dele no importante prêmio de Cannes, que não deixa mentir, quem sabe em breve teremos sua entrada na nobre família dos Oscars!
  
  Porém não posso deixar de destacar também a hilária atuação de June Squibb (O Grande Ano) como a reclamona e desaforada mulher de Woody, Kate Grant. A matriarca da família protagoniza as cenas mais engraçadas do filme com seu jeito autoritário e que não deixa um comentário sem uma resposta apropriada. Apesar do bom trabalho do Bruce, a personagem dela me encantou na história.
  
Ed: Mais um ano de Festival do Rio e como sempre a carga de trabalho dobra em época de festival, só tem filme pra me dar canseira. Não é muito simples arrumar o que falar desses filmes. Mas afinal, minha especialidade é falar mal, então vamos dar um jeito, certo?
  
  Os primeiros minutos de filme, são meio arrastados ainda mais com tudo meio quieto e em preto e branco, deu até esperança de que não ia a lugar nenhum e eu teria menos trabalho pra falar hoje.
  
  Se por um lado temos o casal de velhinhos, em contra posição temos o papel Will Forte, o filho do casal David, que faz um papel que serve apenas de escora para os outros dois brilharem, ele é o personagem acompanhante que está ali apenas pra fazer sentido alguém levar o coroa pelo país e ajudá-lo nos momentos de dificuldades, papel que caso não fosse necessário que ela ser contra a ideia do marido de viajar para deixar as coisas entre ele mais interessantes, podia ser facilmente (e provavelmente melhor) feito pela própria esposa. O outro filho não vale nem a pena comentar, é quase uma participação. A sensação é que tinham esquecido dele e lembraram em certa parte do filme e recolocaram para uma cena engraçada junto como o irmão.
  
 Para encerrar, Payne tem tanta facilidade em criar situações sarcásticas e com um humor ácido que até nesse filme que tem ares de drama familiar, o que salva a história são os momentos e diálogos cômicos. Se não fosse por essa composição drama-cômico, o filme não teria passado nem perto do resultado que teve.
  
  
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