sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cobertura Festival do Rio [Parte 4]

  

  
  O Festival do Rio acabou, mas como tudo que é bom e gostoso merece uma "chorinho" pra ficar um pouquinho mais na lembrança, até porque FestRio sempre deixa um gostinho de quero mais, estamos trazendo a 4ª e última parte da nossa cobertura do Festival do Rio 2013. 
  
  Claro que ainda tem outras críticas pra sair, mas como alguns filmes que estiveram no festival vão sair no circuito aberto em breve. Vamos colocando as críticas que não saíram durante a semana do festival, do decorrer das próximas semanas.
  
  Para fechar a cobertura com chave de ouro estivemos em mais 3 sessões de gala da Première Brasil, sendo uma delas a do grande vencedor do Festival O Lobo Atrás da Porta (Confira a lista de todos os vencedores).
  
  Mas antes de falarmos do vencedor, estivemos mais uma vez no Pavilhão do Festival para a sessão de Estrada 47, talvez um dos filmes mais audaciosos que tive o prazer de assistir no Festival. Ambientado em plena II Guerra mundial, mostra um grupo de brasileiros da FEB (Força Expedicionária brasileira) que foram enviados para combater em solo italiano em apoio aos aliados. Muitas pessoas atualmente não fazem ideia de que o Brasil esteve presente na Segunda Guerra, mas nós estivemos e esses soldados lutaram e sofreram os horrores daquela guerra.
  
  
  Baseado nesse período muitas vezes esquecido da história brasileira é que o diretor Vicente Ferraz (Soy Cuba - O Mamute Siberiano) ambientou o seu filme que mostra uma equipe de engenheiros da equipe anti-bombas que após uma crise de pânico do grupamento fogem e se separaram. Os poucos que conseguiram se reencontrar resolvem que precisam fazer algo grande para não serem considerados desertores e resolvem partir em uma missão para desminar a estrada 47, um dos campos minados mais perigosos da Itália.

Com um elenco de peso que conta com Daniel de Oliveira (Boca), Julio Andrade (Gonzaga - De Pai pra Filho), Francisco Gaspar (Caixa Preta), Thogun Teixeira (2 Coelhos), além dos atores internacionais Richard Sammel (Bastardos Inglórios), Ivo Canelas (Florbela).  O Longa foi filmado nos Alpes italianos e a equipe foi unanime em admitir que umas das maiores dificuldades da produção foi filmar na neve: 
  
"O mais difícil do filme foi realmente ter que vencer uma batalha todo dia de gravação. Cada dia, cada locação era uma batalha, porque enquanto estávamos ali na neve andando cansados e com a mochila nas costas muitas vezes nos perguntávamos realmente se iriamos sobreviver àquilo." - Lembrou Daniel de Oliveira. Todos concordaram e Thogun acrescentou: "O maior personagem ali era a neve, foi um grande desafio, andávamos na neve e o pé afundava mais da metade da perna".
  

  O trabalho em equipe dos atores também foi muito ressaltado pois funciona muito bem na tela, segundo o elenco a preparação de elenco foi um trabalho bastante introspectivo com caminhadas pelas locações e reconhecimento do espaço. Além disso, a própria descoberta dos atores de cada personagem, estando naquele ambiente, ajudou muito a descoberta de cada um. Vicente ressaltou também a ajuda do confinamento de estar em uma cidade de pouco habitante e onde o ambiente e as próprias pessoas respiram a atmosfera do filme.

  Segundo o ator Thogun, a direção fez um grande trabalho ao saber conduzir bem o elenco e saber a hora de dar espaço para o ator criar e a hora de mostrar os limites. Pois segundo ele, para o diretor sempre deixa claro que "menos é mais e isso fez toda a diferença" - disse, e ainda concluiu "o trabalho do Vicente foi incrível, aprendi muito com ele, como ator e como diretor (o ator está se preparando para dirigir seu primeiro filme) e como pessoa".


  Um trabalho que vale muito a pena conferir, pela qualidade da produção e por sair da rotina das produções nacionais, se arriscando em um terreno pouco explorado pelo nosso cinema que são os filmes de ação e principalmente de guerra. Em algumas cenas chega a lembrar produções como O Regaste do Soldado Ryan, de Steven Spielberg, boas ambientações e cenários. Entregando um resultado muito interessante e que com certeza vai agradar que for conferir. O filme chega em breve ao cinemas no circuito aberto.


  Depois estivemos também a sessão de gala de O Lobo Atrás da Porta que acabou sendo o grande vencedor do festival, junto com De Menor (pela primeira vez o prêmio foi dividido). A sessão contou a presença do elenco composto por Leandra Leal (Éden), Fabiula Nascimento (Cilada.com), Milhem Cortaz (Assalto ao Banco Central), Juliano Cazarré (360) entre outros.

  
  O filme tem um clima tenso, que trata de uma crise familiar, quando a filha de um casal com problemas no casamento é sequestrada de dentro do colégio e a principal suspeita é a amante do pai da menina.
  

  Milhem interpreta o papel principal ao lado de Leandra, Fabiula faz a mãe da menina que passa de insatisfeita com o casamento para desesperada pelo paradeiro de sua filha. O filme mescla momentos de tensão, com drama psicológico, enquanto tentam chegar a uma solução para o paradeiro da menina.

   

  O ator disse ter recebido um presente com o papel e que se encaixou muito bem pelo momento em sua vida pessoal, por ter sido pai recentemente: "Eu estava necessitando de um papel pra falar de amor e de família, e esse se encaixou perfeitamente. Talvez seja o trabalho mais maduro da minha carreira". E sobre o filme acrescentou: "É um filme difícil, intenso, porém ao mesmo tempo simples. A intensidade está no que ele gera em você e não no que é mostrado na tela. Consegue mexer com a gente, você pode não sentir isso logo de cara, mas certamente vai ficar pensado nele depois em casa. Ele mostra várias faces do ser humano no seu dia a dia".
  
  O diretor Fernando Coimbra estreante em longas, teve seu trabalho reconhecido pelo festival. A história realmente é boa, apesar de perder o ritmo em alguns pontos e ser mais longo do que precisaria, tem um ótimo ápice, o que encerra bem o filme. Leandra Leal também agradou os jurados com sua atuação bem segura e forte o que lhe rendeu pelo segundo ano seguido o prêmio de Melhor Atriz.

  

  
  A sessão contou com convidados ilustres como a atriz Betty Faria (Casa da Mãe Joana 2), a atriz e mãe da Leandra, Ângela Leal (A Febre do Rato), entre outros que estiveram lá para prestigiar o lançamento do filme. 
  

  
  Para fechar fomos conferir Minutos Atrás de Caio Sóh (Teus Olhos Meus), o filme mostra dois catadores que seguem em uma estrada com seu burro, para encontrar algo que talvez somente a vida possa lhes ensinar e juntos vão descobrir que cada minuto é importante, assim como as escolhas que fazemos.

  O elenco é formado por Vladmir Britcha (A Mulher Invisível), Otávio Muller (Reis e Ratos) e Paulo Moska (O Homem do Ano) que emprestam seus papéis respectivamente à Alonso, Nildo e o burrinho Ruminante (sim o Paulinho Moska faz o burro xD). Uma história repleta de simbolismos, descobertas e significados, que nos fazem pensar e refletir sobre os caminhos da vida.
  
  
  O filme foi baseado em uma peça de teatro escrita pelo próprio Caio, que também escreveu sua adaptação para as telas. Em entrevista concedida após o debate, o diretor e roteirista nos contou sobre como foi a transição do teatro para o cinema e afirmou que esse foi quase um novo roteiro, muitas coisas foram mudadas e que a maior vantagem do cinema foi poder dar uma visão palpável a alguns momentos e lugares que no teatro não era possíveis.
  

  A realização foi feita com o baixíssimo orçamento de R$ 360.000,00 segundo a produção e foi necessário fazer a gravação durante as férias dos atores, já que Vladmir e Otávio estão no ar pela TV Globo com Tapas e Beijos, por tanto as gravações foram feitas em apenas 10 dias. 
  
  Ou seja, tudo na produção foi feito da forma mais simples, assim como a vida dos dois catadores, como bem ressaltou a produtora Luana Lobo: "Primeiro conseguimos só a parte do recurso para as filmagens, então contatamos o elenco e começamos a filmar. Depois que terminamos é que conseguimos o recurso para fazer a pós-produção. Apostamos na ideia e fomos caminhando pela estrada, assim com os personagens".


                                                     (Confira todas as imagens do evento na nossa galeria)
  
  Caio ressaltou também a qualidade dos atores o que facilitou muito o processo: "Fazer um trabalho com talentos como Vladmir e Ótavio faz com que o tudo flua melhor. Eu procurei deixar o máximo possível na mão deles as interpretações. O Paulinho foi um grande parceiro, além de muitas ideias, foi quem musicou o filme e as trilhas foram baseadas nas falas que originalmente seriam do personagem dele, o Ruminante. Então, tudo surgiu a partir dessa interação minha com eles três. - Segundo o diretor essa interação com o elenco é o trabalho que mais gosta de fazer em um filme.
  
  Assim chegamos ao final da nossa cobertura desse ano (até porque o festival já acabou uma semana). Espero que tenham gostado de tudo que tivemos por aqui e ano que vem estaremos juntos de novo com mais uma edição do FestRio. Mas ainda temos muito o que falar esse ano, por isso continue ligado no @CinefilaArte e na nossa Fanpage para continuar acompanhando as novidades do mundo do cinema.
  
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