quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Crítica da Semana -- Meu Passado me Condena - O Filme


  
  A comédia brasileira em alta nos cinemas 

  Vindo de um seriado no Multishow, Meu Passado me Condena é sucesso na tv e acaba de ganhar uma adaptação para os cinemas. Tati Bernardi é a roteirista da série e também assume essa função no longa, fazendo seu primeiro trabalho para os cinemas. A ideia dela e da diretora Julia Rezende (que também sai da série, para sua estreia em um longa) de fazerem um humor sobre lua de mel de duas pessoas que se casam depois de um mês que se conhecem, ficou interessante, já que as duas tiveram a brilhante ideia de fazer esse filme como uma extensão do seriado, sendo que tudo voltado a uma comédia diferente, o roteiro do filme teve conteúdo próprio, não deixou a desejar nem perdeu o foco e acredito que essa tenha sido uma das grandes preocupações das duas.
  
  Eu curti muito a ideia  de não mudar completamente o nome dos personagens, Fábio Porchat (O Concurso) continua sendo "Fábio",  Miá Mello (Cilada.com)  sendo "Miá", o que já facilita o reconhecimento deles para o publico que os admira. Gostei bastante da imagem do filme, a fotografia está maravilhosa, o áudio ficou bom. Não teve cenas escuras, levando em consideração que se passa num cruzeiro, o que pra mim é um ponto positivo e vale ressaltar.
  
  Por suas caras e bocas, Fábio soube surpreender fazendo um drama muito rápido em algumas cenas do filme, nada piegas, mas a Miá com jeitinho romântico, inteligente, faz com que seu marido ame-a mais ainda, ele tem todo um jeito de menino no corpo de um homem, o equilíbrio do casal é muito visível. Logo que se casam e resolvem curtir a lua de mel em uma viagem à Europa, Fábio e Miá não sabiam o que os esperavam. É nessa viagem depois de muitos acontecimentos que eles entendem que se casaram por amor.
  
  Por terem se conhecido e logo em seguida se casarem foi estranho até pra eles essa química rápida e empolgante. Ele um homem com espirito de menino, ela já uma mulher madura.  Ambos encontram suas antigas paixões nessa viagem, e é daí que tudo começa, por terem se casado rápido demais, não tiveram tempo de contar momentos vividos no passado. Claro, mal se conhecem e já estão casando e jurando amores eternos? Calma, nada contra isso, só é muito rápido pra minha cabeça entender, rsrs. Digamos que essa situação deles dois, sejam um tanto quanto bizarra, até porque não se conhecem bem ainda, já vão passar lua de mel num navio luxuoso, o que é o momento exato pra terem um pouco mais de privacidade e intimidade. 
    É nesse mesmo navio que está o ex namorado de Miá, o Beto (Alexandro Claveaux - Estreando nos Cinemas) e sua mulher Laura (Juliana Didone - Colegas) em um dos momentos do navio, Fábio sem saber encontra Beto, que está exibindo um livro para os tripulantes , e logo de cara ele já chega querendo o livro e apresenta Miá para Beto. Até aí tudo bem .
  
  Só quê, quando Fábio e Miá retornam para seu quarto, recebem um convite em nome de Beto, para jantarem junto a ele. Miá já tenta disfarçar, querendo não ir, mas Fábio mão de vaca como é não vai perder uma boquinha livre. Sem saber que está jantando com o ex de sua namorada. Podem imaginar a confusão, né?

 A partir daí a história gira entorno de diversas situações engraçadas com a interação de ambos com seus ex parceiros já que Laura, atual mulher de Beto também é a ex do Fábio. Ficaram confusos... eles também! Daí surge todas as confusões e situações inusitadas. Como quando Fábio com seu jeito largado de vestir faz com que Miá obrigue-o a vestir algo descente já que foram convidados de honra para o jantar. Já imaginou seu namorado ou marido com a camisa do Barcelona num jantar chique?! Não dá né!

Ah! quem já passou por um momento em que está com seu parceiro(a) e chega aquele amigo de infância , aqueeeele que sempre faz as piadas besteroides que só os dois entendem e você não acha a menor graça. Pois é, ainda tem mais essa pra Miá aguentar com a chegada de Cabeça, o amigo de infância mais que inoportuno vivido por Rafael Queiroga (também estreante nos cinemas) que consegue piorar ainda mais a situação dos recém-casados.
  
  A trama passada no navio Costa Favolosa, me fez relembrar alguns filmes já vistos em cruzeiros, tipo Cruzeiro das Loucas, dentre outros. A vantagem dessa explosão de comediantes fazendo filmes é que está tão natural, tipo, nada muito copiado de filmes americanos, ainda mais que o cinema brasileiro está precisando desse gênero em ação para valorizar também a comédia e os atores. 

 A atuação de Fábio Porchat e Miá Mello facilitam mais ainda pra quem já assistia os episódios da série com o mesmo nome no canal fechado. Mas pra quem não assistiu vai gostar do mesmo jeito, pois a adaptação foi muito bem elaborada , mostrando com clareza a história desse casal divertido e apaixonante.


  : Talvez a característica da produção que se destaca logo de cara é ser despretensiosa e notem que isso não necessariamente é algo ruim, já que até pelo cartaz, fica claro que não é um filme pra que procura profundidade ou contemplações. A ideia aqui é entregar uma comédia romântica leve e descontraída e que procura fugir do humor pastelão exagerado, no mesmo ritmo do seriado.
  
  Tipo de filme que Hollywood produz mais do que pão e que tem um publico que curte essas comédias açucaradas. O cinema brasileiro, tende mais para uma comédia meio mais exagerada e agora está procurando colocar um pouco mais desse estilo "chá com açúcar" em seus filmes.
  
  Porém o que me chama mais atenção na produção não vem do gênero do filme e sim do material humano usado. Ultimamente as comédias nos cinemas tem aberto espaço para comediantes que antes só estavam na tv e no teatro, para um público diferenciado na grande tela.
  
  O próprio Fábio começou a fazer cinema dessa forma, esse já não é o primeiro filme dele, então não dá pra dizer que abriu espaço para ele, porém Miá (que tudo que tinha feito no cinema foi uma pequena participação em Cilada.com), assim como Rafael Queiroga têm nesse longa sua primeira oportunidade em mostrar realmente seu trabalho para o público cinematográfico. 
  
  Assim o material humano é bem aproveitado e apesar da relativa pouca experiência, inclusive no que diz respeitos ao roteiro e direção, que também são de estreantes, o trabalho foi bem realizado e vai atender bem ao público que se interessa pelo tipo de filme.
  
  Ed: Sei sei... romance, navio... mas essas coisas tão açucaradas que chegam a ser meladas não camuflam algumas falhas que em muitos momentos fazem com que a comédia perca o ritmo, e afunde vertiginosamente o nível do humor (sim foi um trocadilho). 
  
  É claro que os fãs mais calorosos do seriado e principalmente do Porchat (que acho que são bem maiores que os do seriado) podem se deixar levar pela desenvoltura do casal e não sentir as quedas... mas acreditem em mim, elas existem e fazem com que em muitos momentos o sorriso não passe de um leve movimento de canto de boca.
  
  Apesar de não coincidir com a ideia da colaboradora acima (mais gente diferente escrevendo, já aviso que não decoro nome de ninguém), achei que faltou originalidade e independência do filme com relação a série. Personagens foram inclusive reutilizados, como o próprio Beto que mudou o interprete, mas o nome continuou o mesmo e alguma das cenas do filme são bem próximas do já aconteceu em alguns episódios do seriado e pra falar a verdade acho que não ouve a menor preocupação da produção de fugir disso. Talvez tenha sido até uma especie de estratégia para atrair o público fiel pro cinema (apesar de eu não gostar da estratégia ainda assim).
  
  A presença do Cabeça é algo que incomoda bastante não só a vida do casal, como a credibilidade da história, porque por mais infantil que a pessoa seja e goste muito do amigo, é impossível ela não perceber que o cara está invadindo sua lua de mel, ou pior, perceber e achar normal!
  
  As inconstâncias da história e algumas situações muito exagerada acabam tirando a credibilidade e consequentemente o interesse na história, o que resulta em um filme que tem para oferecer nada a mais do que algumas risadas e talvez uma tarde sonolenta curtindo um edredom com seu namorado(a). Nesse caso, se depois de um tempo o parceiro não ficar mais interessante que o filme, é hora de repensar a relação! #FicaDica
  
  Ficha Técnica do filme
  
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