quinta-feira, 27 de março de 2014

Crítica da Semana -- Entre nós

  
  O tempo deixa lembranças e marcas profundas
  
  O futuro é sempre um ponto distante, algo afastado nós, algo que imaginamos, projetamos e às vezes sonhamos com. Mas quando exatamente chega esse momento? Sempre haverá um futuro e o presente é o futuro se transformando no agora. O que você espera do seu futuro? Onde você pretende estar daqui a 10 anos? Algumas vez você já se perguntou isso?
  
  Um grupo de jovens que estava de férias em uma casa de campo, parou para fazer esse questionamento e dele surgiu a ideia de cada um escrever e enterrar uma carta para si mesmo no futuro e 10 anos depois eles voltariam para reabrir a caixa e ler o que cada um escreveu. O que eles não esperavam é que uma grande tragédia iria acontecer naquele dia, que marcaria a vida de todos e faria do reencontro 10 anos depois, muito mais profundo e revelador do que eles já mais puderam supor.
  
  O elenco do filme nacional que teve sua estreia no Festival do Rio 2013, conta com um elenco de grandes nomes como Caio Blat (Alemão), Carolina Dieckmann (Sexo com Amor?), Maria Ribeiro (Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro), Paulo Vilhena (As Melhores Coisas do Mundo), Júlio Andrade (Gonzaga:De Pai pra Filho), Martha Nowill e Lee Taylor (Estamos juntos).
  
  Em entrevista o elenco do filme confessou que o mais interessante em fazer o filme foi que eles estavam representando amigos, porém não a amizade... a maior parte do elenco já eram amigos entre si antes do filme, o que foi uma escolha acertada do diretor Paulo Morelli (Cidade dos Homens), que assina a direção e o roteiro juntamente com seu filho Pedro Morelli (como co-diretor), estreante em longa metragens para a telona. Essa relação entre os atores fortificou as bases da história, que é construída em cima da criação dos personagens e da relação entre cada um deles.
  
  Porém, não só de material humano se faz a qualidade dessa produção, o ótimo trabalho na fotografia de Gustavo Hadba (Meu Pé de Laranja Lima) é o outro ponto forte da produção, que se utiliza do belo visual do interior de São Paulo para realizar ótimas cenas, com escolhas de enquadramentos mais do que acertadas para explorar o melhor de cada ambiente, levando em conta que o filme se passa todo nessa casa de campo. Um local que, visualmente, passa uma calma e tranquilidade que se opõe diretamente a situação tensa em que os personagens se encontram muitas vezes, após o retorno 10 anos depois.
  
  Entre Nós é uma história sobre a passagem do tempo, sobre sonhos que se criam e frustrações que acabam vindo com o decorrer da vida. Cada personagem tem seus conflitos e suas frustrações e, que devido a ótima construção de cada um deles, consegue aflorar e se misturar com os dos outros criando uma teia de sonhos, frustrações expectativas e desilusões. Além é claro dos segredos mais profundos que cada um guarda e que em meio ao turbilhão de sensações acabam vindo à tona.
  
  Pai e filho, fazendo um filme juntos, alcançaram a mistura certa entre sobriedade e juventude, entre a sabedoria dos questionamentos da vida e o tom leve das brincadeiras entre amigos. Junções que proporcionam boas cenas como a discussão que surge em um almoço devido a um cordeiro que queimou, que se torna um questionamento do personagem sobre a sua própria vida, ou ainda a sequencia onde os personagens conversam na mesa sobre a influência dos anos nas suas vidas, onde a variação da tensão para momentos de descontração são feitas no tom certo.
  
  Esses são dois bons exemplos de outro ponto forte do filme, o diálogo, que faz a conexão entre os personagens e muitas vezes nem precisa ser dito pra trasmitir a mensagem. Um filme nacional que já vale ser visto apenas por fugir do conceito padrão de filmes de comédia que inundam nosso cinema, mas acima disso, pelos diversos questionamentos que levanta sobre temas com ética, confiança, realizações pessoais e amizade.
  
  Feito com efeito: Mais um filme nacional que pouco se utiliza de efeitos visuais. Um filme focado nas pessoas e que realmente não pede esse tipo de intervenção visual. Talvez só na cena do acidente tenha tido algo de efeito ali, mas que de qualquer forma não ficou muito boa.
  
: Mais um filme brasileiro, terceira crítica na sequência se não me engano. Isso significa que o cinema aqui no Brasil está cada vez mais aquecido? Os três tiveram boa recepção de público e crítica, dois deles estiveram no Festival do Rio - esse aqui sendo um deles - e nehum dos três é comédia televisiva. Definitivamente podemos ver com um ponto positivo para as produções verde e amarelas. Mas vamos ao filme...
  
  Se utilizar de pessoas que já tinham uma relação prévia, como mencionado na crítica, foi muito importante para a química do filme. Maria Ribeiro que além de contracenar com amigos no elenco, trabalhou pela primeira vez no cinema ao lado de seu marido Caio Blat, chegou a dizer que as gravações do filme foram o mais próximo de férias que eles tiveram em alguns anos. Toda essa química se reflete no filme e na relação entre os personagens.
  
  Quanto a fotografia que já foi muito bem comentada também na crítica anteriormente, quero fazer só um acréscimo sobre as cenas noturnas, filmadas com se estivessem a luz da lua. As sombras em contraste com os traços e expressões iluminadas pela luz, gera um ambiente sombrio e bonito ao mesmo tempo, gostei bastante. Na verdade, todo o filme se utiliza desses recursos com sombras e reflexos, boas escolhas de pai e filho (Paulo e Pedro Morelli) e claro, da fotografia do Gustavo.
  
  Difícil dar um destaque especial para esse filme, já que a principal qualidade dele está no conjunto. Porém, algumas atuações se destacam como a do Caio que é sobre quem gira o principal conflito da história, assim como as do divertido e problemático casal do Julio e Martha. Assim como a fotografia que não só se destaca como ilustra o filme todo o tempo.
  
  Não é à toa que o filme levou 3 troféus Redentor, no Festival do Rio do ano passado, além de ter sido selecionado para a competição oficial do Festival de Roma e ter levado mais 2 prêmios no Amazonas Film Festival e mais um no Festival de Havana. Com isso acho que não preciso mais entrar em detalhes, né? Até a próxima cinéfilos!
  
  (Obs: Se vira aew mão de chumbo! xD)
  
Ed: De certa forma é interessante ver alguns filmes brasileiros dificultando meu trabalho, geralmente é tão fácil falar mal deles.
  
  Mas vamos começar pelo básico, a cena do acidente é bem mal realizada, flash rápidos e cenas internas que não funcionam bem. Podiam ter tido um pouco mais de cuidado com a cena que norteia a história do filme.
  
  A trilha sonora é um pouco exagerada em certos momentos e faz certas cenas excederem o nível dramático, pro dramalhão desnecessário.
  
  Parece que hoje vou ficando por aqui, quem sabe no próximo as merretas estejam mais afiadas!

  
  
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