sexta-feira, 27 de junho de 2014

Crítica da Semana -- 13º Distrito

  
  Até onde vai a segregação
  
  Em 2004 Luc Benson, roteirista conhecido por filme como Busca Implacável, O Quinto Elemento e Violento e Profano (que inclusive lhe rendeu um BAFTA), escreveu o roteiro de Banlieue 13, filme francês que no Brasil recebeu o título de B13 - 13º Distrito e foi dirigido pelo também francês Pierre Morel (Busca Implacável). Quase 10 anos depois o próprio Benson reescreve seu roteiro, porém em um versão americanizada, onde os guetos de Paris dão lugar aos de Detroit. A direção passa para a estreante em longas de ficção Camille Delamarre e o protagonista da história é assumido pelo galã Paul Walker (Velozes & Furiosos 6) que teve nesse filme seu último trabalho completo antes de sua precoce morte em um acidente de carro no ano passado.
  
  A História em si, segue pelo mesmos caminho da original. Em Detroit a violência um um determinado bairro do gueto chegou a níveis tão altos e o crime tomou conta de tal forma que as autoridades resolveram erguer uma grande muralha ao redor do bairro e patrulhar suas entradas e saídas com a mais alta segurança da guarda nacional. Os homens mais perigosos da cidade estão nesse lugar que chamam de Brick Mansions (no original o local era chamado de Banlieue 13, que em portugues ficou 13º Distrito, de onde vem a referência do nome em português desta nova versão, apesar de em momento nenhum desse novo filme o local ser chamado de 13º Distrito) e apenas os mais corajosos ou os moradores de lá, se arriscam no local. Porém, o Detetive Damien Collier que conhece bem o local, terá que ir até lá recuperar uma bomba de neutrons que pdoe por toda a cidade em risco.
  
  O ritmo frenético, com tiroteios pancadaria e além de uma boa dose de le parkour concentrada no personagem Lino – as acrobacias ficam por conta do ator francês David Belle, que viveu o mesmo personagem na versão francesa do filme - com salto e manobras completamente doidas pelos cenários da cidade, tenta encobrir a história rasa e pouco inovadora. A história procura colocar questões como a segregação social, financeira, de cor e de classes em uma cadeirão de misturas onde querem mostrar que nem sempre os verdadeiros bandidos estão onde todos esperam que estejam.
  
  Um trama já bastante explorada e que a produção tenta dar uma perspectiva diferenciada, a partir do enfoque e da exploração dos cenários em destroços e depredados da famigerada Brick Mansions, casebres, prédios abandonados ou em ruínas e lojas pequenas ou falidas são os principais locais dessa região onde se passa praticamente todo o filme. Em alguns pequenos momentos chega a lembras nossa tão conhecidas favelas, obviamente sem os morros, praticamente inexistentes na geografia de Detroit.
  
  Como a história em si tem pouco a oferecer a direção procura compensar com muita ação, tiro porrada e bomba (como já diria uma funkeira conhecida, pra não citar nomes), alguns movimentos de câmera também são interessantes, com alguns chicotes e movimentos que acompanhando as acrobacias que acontecem na história, aproveitando sempre que possível para valorizar os movimentos com o bom e velho slow.
  
  Sem muitas novidades, certamente o filme terá problemas para agradar o público mais exigente, mas pra quem curte aquela boa dose de ação, cenas cheias de dublês com porrada comendo toda hora e armas até nos dentes certamente vai encontrar uma boa diversão por algumas horas dentro do cinema. Então comprem a pipoca e se paparem para ver com a mente aberta, sem se preocupar com cenas exageradas ou mentirosas, que tudo dará certo.

Feito com efeito: Um filme com tanta pancadaria pra todo lado, salto acrobáticos e explosões sugere muitos efeitos, mas nem sempre esse são computadorizados. Esse é o caso do filme de hoje, obviamente temos muitas coisas armadas, porém a maioria é físico e poucas coisas criadas por computador.
  
  O maior trabalho da equipe foram com os dublês, muitas horas de ensaios e coreografias para as lutas e para aqueles saltos doidos. O ator David Belle é praticante de pakour e faz boa parte de suas cenas, mas mesmo ele tem dublês pra algumas tomadas. Paul Walker, prefere ficar com os pés no chão e tem dublês para todas as cenas acrobáticas, se limitando encenar apenas as de luta, onde se sente mais à vontade.
  
  A parte digital é usada mais para apagar cordas e equipamentos de proteção usados pelos dublês e atores e em alguns poucos casos - por exemplo, para dar a sensação de saltos de lugares mais altos do que realmente são – onde utilizam o famoso chroma key.
  
: Versões americanas de filmes de outras nacionalidades, por padrão tendem a ficar piores, ainda que algumas tenham feito sucesso ultimamente, como Os Infiltrados, de Martin Scorcesese, que é a versão americana de um filme chinês, que no brasil foi lançado com o nome de Conflitos Internos e Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher, que é a versão do sueco que tem o mesmo nome.
  
  Porém, o caso do filme de hoje tem uma curiosidade, já que foi reescrito pelo próprio Luc Besson e a primeira pergunta que me vem a cabeça é: Por que? Por que refazer uma versão de seu próprio filme.
  
  A primeira resposta seria, porque a versão francesa não teve muita projeção e o diretor achou que refazer seu filme em inglês, pudesse melhorar o alcance da produção. Com certeza, sendo produzido em um país de língua inglesa (o filme é uma co-produção Canada-França) , vai ter mais destaque que seu antecessor que é em francês, mas pela qualidade do filme, não sei se tem potência para alcançar grande destaque, então será que valeu a pena?
  
  Até o momento os resultados nas bilheterias não são muito animadores... Desde sua semana de estreia nos EUA em 27 de abril o filme arrecadou algo próximo de $20 M, sendo que seu custo total foi de aproximadamente $28 M. Com as estreias nas telas do restante do mundo, com certeza consegue se pagar, mas está longe de ser um sucesso de bilheteria.
  
  O destaque dá produção fica para as bem coreografadas cenas de lutas, pouco críveis é verdade, mas ainda assim com movimentos bem legais, principalmente do David Belle que deve treinar bastante le parkour pra fazer aqueles movimentos.
  
Ed: Quando filme não faz muito sucesso na primeira versão, deveria ser um indicativo de que uma segunda não é necessária. Porém, algumas pessoas não pensam assim e preferem não se dar bem em dois idiomas.
  
  Esse era um filme fadado a não dar em nada e ser apenas mais um daqueles filmes de ação que acabam indo parar no Domingo Maior ou no Supercine, da Globo, que ninguém assiste, porque a história é manjada e pouco interessante, apresentando quase nenhuma novidade. Já que pancadaria e tiroteio é o que Hollywood mais produz.
  
  Sem querer ser indelicado (mas vale lembrar que delicadeza não é meu forte), o que fez desse filme algo para se comentar, foi a morte precoce de Paul Walker, fazendo desse seu último filme. Se não fosse por esse triste diferencial, que acabou se tornando uma forma involuntária de marketing pra produção, talvez nem chegasse as grandes telas, acabaria sendo lançado apenas em DVD, Blue-ray e coisas do tipo.
  
  Porém, acabou que de uma forma inesperada e infortúnia, Benson conseguiu fazer seu filme se tornar um marco na história do cinema e que ficará na lembrança, no mínimo, dos fãs de Walker. Mas como filme em si, tem pouco a apresentar além da boa e velha ação hollywoodiana.
  
  Ficha técnica do filme
  
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