quinta-feira, 5 de junho de 2014

Crítica da Semana -- A Culpa é das Estrelas

  
  Infinito é apenas uma questão de ótica
  
  Milhares, talvez milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas todos os dias com algum tipo de doença, muito grave ou terminal. Obviamente para qualquer pessoa é terrível uma notícia dessas, para um adolescente, que na teoria ainda tem a vida toda pela frente pior ainda. Mas uma vez que acontece, como conviver com isso. Como lidar com o fato de que sua vida pode não durar tanto quanto você esperava ou seus dias nunca mais serão do mesmo jeito.
  
  Hazel é um desses casos, diagnosticada com câncer muito nova, conseguiu sobreviver atrás do uso de uma droga experimental, mas que cada vez mais agrava um problema crônico de liquido nos pulmões que torna sua respiração muito limitada. A jovem de 18 anos, vive ao lado de sua inseparável mochila com um galão de oxigênio sem o qual não consegue respirar. Sua vida se limita a casa, tv e segundo suas crenças, tentar amenizar as dificuldades dos pais de ter uma filha doente. Motivo pelo qual sede a vontade deles de participar de um grupo de apoio.  

  Nesse local que para ela não teria nada de interessante, conhece Augustus Waters que já superou um câncer e perdeu uma perna por conta disso, mas que aparenta força e confiança inabalável. Um otimista por natureza que deseja deixar sua marca no mundo. Quando o sentimento começa a aflorar entre os dois, as dúvidas também surgem já que para Hazel é um relacionamento sem futuro, pois ela mesma não teria um grande futuro pela frente.
  
  O  principal tema levantado pela história, baseada no livro homônimo de John Green, é: Por que não deveríamos aproveitar o tempo que temos, apenas por ele bem possivelmente ser curto?
  
  Hazel acha que será um fardo para qualquer um estar perto dela, logo se apaixonar por ela estaria fora de cogitação. Porém o irreverente e despreocupado Augustus pensa diferente e cada vez mais se aproximada dela. Levar a doença da forma mais leve possível é outro ponto constante no relacionamento do casal – o que dá uma aliviada ao tom dramático do filme - isso fica claro com as piadas que o casal faz entre si sobre suas deficiências, o que mostra um tentativa de dar um tom mais leve a história e não torná-la um melodrama para atingir o público.
  
  Um filme onde a morte, ou a possibilidade dela, é o epicentro, mas que se utiliza disso pra falar de vida. Mostrar a importância da amizade, seja na família, dos pais ou de poder contar com um amigo na hora certa e que trás a tona questões como as dificuldades e diferenças de cada um, a ajuda que muitas vezes é fundamental em certos momentos, superação, destino e acima de tudo fala sobre ter o controle da própria vida, seja ela como for.
  
  O elenco trás novas e promissoras estrelas (sem trocadilhos com o nome do filme ¬¬). Shailene Woodley que apesar de ter começado a carreira cedo (aos 9 anos), só a pouco tempo vem crescendo em seus papéis desde sua aparição no drama Os Descendentes ao lado de George Clooney.  Mais recentemente, estreou no papel principal da nova franquia de aventura Divergente e se mostra bem confortável e segura nesse papel denso e muitas vezes pesado, dessa jovem que vive cada dia esperando sobreviver ao próximo e que só espera poder ser tão feliz quanto possível.
  
  Por outro lado, Ansel Elgort tem uma carreira curta, porém com grandes nomes, tendo nela apenas 3 filmes, sendo o primeiro como coadjuvante na nova versão de Carrie, a Estranha e a outra também em Divergente, onde vive o irmão de Woodley. A boa química entre os dois nas gravações e em cena certamente agradou, já que dessa vez foram escalados para ser um par romântico.
  
  Completam o elenco Willem Dafoe como o excêntrico escritor Van Houten – papel que lhe cai muito bem mais uma vez, diga-se de passagem - e Laura Dern, a eterna Dr. Ellie Sattler de Jurassic Park, que vive a mãe e Sam Trammell (Aliens vs. Predador 2), o pai de Hazel.
  
  O semi desconhecido diretor Josh Boone (Ligados Pelo Amor) entrega um trama sem grandes surpresas em termos de estética ou narrativa, porém que certamente vai agradar e emocionar muita gente. O grande trunfo do filme é não ser pretensioso demais, em momento nenhum o diretor tentar fazer com que o filme seja mais do que conseguiria ser, ou apelar para froçar a emoção da platéia. Em seus 120 minutos mostra que a vida às vezes não é tão longa quanto gostaríamos, porém por mais que ela possa ser encurtada, não significa que não se possa aproveitá-la profunda e intensamente, da melhor forma que pudermos.
  
: Trazer um livro para as telas do cinema é sempre pisar em um território instável, você pode acertar no ponto e sair bem, como pode afundar a perna até o joelho na lama. Quando essa adaptação parte de um livro que tem um grande número de fãs e se tornou um bestseller pouco tempo após o lançamento, pode-se dizer que o território fica quase um pântano.
  
  Logo, a primeira preocupação de todos no set, desde os roteiristas, sobre quem pesa grande parte da responsabilidade, até os atores que dão vida aos personagens que só existiam na mente dos fãs, estão preocupados com a recepção dos fãs ao filme. Mas acho que nem de longe dá pra dizer que é um filme apenas para os fãs, é uma história cheia de metáforas e significado em cada palavra e em cada olhar e trata de um tema tão universal – a vida de pessoas afetadas pelo câncer – que tem possibilidade de atingir um público bem variado.
  
  Acima de tudo é um filme que fala sobre pessoas e dessa forma meu destaque de hoje segue a mesma linha, porém não apenas para uma pessoa, mas para o casal de jovens protagonistas que mostraram muita maturidade para conduzir e dar vida à seus complexos personagens. A química entre os dois, que certamente vêm da amizade que surgiu durante as filmagens de Divergente, reflete diretamente na lente das câmera e na tela.
  
  Os dois conseguiram atingir o ponto certo para passar a profundidade dos personagens e vale lembrar que são atores bem jovens, principalmente Ansel, que apesar de fazer o papel de um jovem mais velho que seu par, na verdade é 2 anos mais novo que Shailene e bem menos experiente com as câmeras. Por isso o destaque do filme fica merecidamente pro casal Shailene e Ansel.
  
Ed: Um melodrama hollywoodiano para adolescentes, tinha tudo pra dar errado, não tinha? Infelizmente para dificultar meu trabalho, tem a mão de John Green por trás da história e por mais que tenha havido um esforço por parte da direção, a história matem o filme nos trilhos.
  
  Definitivamente a sorte do Boone foi ter esse roteiro que praticamente se conta sozinho, se dependesse da criatividade ou inovação para ser um bom filme, teria sido só mais um dramalhão desses que à toda hora surgem em Hollywood. Escolhas de câmera das mais sem graça e a fotografia, explorada como em um comercial de viagem ou de uma nova coleção de roupa para juventude, resultam em um visual simples que deixa a sensação de que poderia ser bem melhor explorado.
  
  O que me parece é que esse roteiro caiu direto no colo dele, que por sua vez achou melhor assinar a direção, fazer o clássico feijão com arroz pra não se complicar e deixar dar certo, já que o livro já é sucesso e se algo na história não agradasse, a culpa é dos roteiristas!
  

  Enfim não acrescenta grande coisa a história a atuação do direto... alguns podem dizer que foi uma opção, para deixar o restante do filme brilhar, mas não é necessário querer aparecer mais que o elenco ou a história, basta só ser criativo e deixar sua marca, ainda que só algumas vezes, e já estaria bom... chamem do que quiser, eu chamo de omissão. 
  
  
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